Reabastecimento de água em Santos tem oscilado em algumas casas e líquido tem retornado com aparência amarelada (Arquivo pessoal) A falta d’água em Santos, no litoral de São Paulo, continua afetando imóveis e já causa impactos em restaurantes e escolas de vários bairros. Conforme apurado por A Tribuna, moradores e estabelecimentos enfrentam o problema desde sexta-feira (11). Restaurantes chegaram a registrar prejuízos de até R\$ 10 mil e precisaram manter as portas fechadas nesta terça-feira (15). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A falta d’água foi relatada nos bairros Encruzilhada, Vila Mathias, Vila Belmiro, Pompéia, Gonzaga, Boqueirão, Embaré e Ponta da Praia. O abastecimento tem oscilado e, em algumas residências, a água voltou parcialmente e com coloração amarelada. No Gonzaga, o proprietário de um restaurante, que preferiu não se identificar, precisou manter o estabelecimento fechado nesta terça-feira (15). Para abrir nesta quarta-feira (16), contratou um caminhão-pipa particular. “A gente está com falta d'água desde sábado, e fica oscilando. Por exemplo: sábado faltou, a gente estava com as caixas d'água ainda cheias, a gente trabalhou o sábado, no final do expediente acabou. No domingo (13), voltou de manhã, encheu um pouco e faltou. Na segunda-feira (14), a gente trabalhou uma parte do dia com água e, depois, acabou de novo. Terça-feira já estava vazia”. Segundo o comerciante, o prejuízo chega a R\$ 10 mil, considerando a perda de faturamento e funcionários que precisaram voltar para casa. O dono do restaurante afirma que acionou a Sabesp diversas vezes e chegou a solicitar um caminhão-pipa. “A gente pediu uma emergência, um caminhão-pipa da Sabesp, mas eles deram 48 horas e até agora nada. Disseram que o retorno da água será nesta quinta-feira (17)”. Na Pompéia, outro restaurante também ficou fechado nesta terça-feira (15). O estabelecimento informou que precisou contratar um caminhão-pipa e que parte dos funcionários não consegue trabalhar, porque as aulas dos filhos estão suspensas por falta d’água nas escolas. “Não tenho funcionários para trabalhar por conta que não têm com quem deixar seus filhos. Já é o terceiro dia sem aula nas escolas. Um absurdo isso”, comenta o proprietário do restaurante da Pompéia. Relatos Moradora da Rua Joaquim Távora, na Vila Mathias, a autônoma Adriana Domingues Costa, de 44 anos, relata que o abastecimento tem ocorrido de forma irregular. “Aqui voltou e não voltou. Tá muito fraca a água, e chegando completamente suja!” Ela conta que, nesta terça-feira (15), o síndico informou que a caixa d’água estava enchendo, mas de forma intermitente. “Mas continuamos esperando uma normalização. Vou procurar alguma lavanderia express, porque já nem temos roupas limpas quase. Difícil, viu. Tenho deficiência. Sofri um acidente grave e tenho sequelas na perna direita, fica tudo ainda mais difícil e cansativo. Água pra beber, somente mineral. Tive que comprar. Porque essa água podre não tem a mínima condição. Mesmo tendo filtro em casa, não confio de beber”. Segundo Adriana, o prédio segue utilizando a água de forma racional, já que não há previsão concreta para a normalização do abastecimento. A autônoma Daiane Mendonça da Silva, de 32 anos, afirma que ficou sem água durante todo o dia nesta terça-feira (15). De acordo com ela, o abastecimento voltou por volta das 19 horas, mas a água continuou suja na Vila Belmiro, na Rua José Gonçalves da Mota Jr. “Nesta terça, deu problema na bomba, porque o barro que estava vindo na água parece que entupiu a bomba e a água não subia. Aí, chamaram um técnico de novo e voltou às 19h. Tiveram que trocar a peça dois dias seguidos por conta disso. Tive que comprar água para fazer comida”. Sabesp A Sabesp esclareceu, em nota, que os sistemas de captação e tratamento de água da Baixada Santista estão em processo de normalização após os impactos provocados pelas fortes chuvas registradas nos últimos dias na região. A previsão é de que o abastecimento seja normalizado gradualmente até quinta-feira (17). "Neste período de recuperação do sistema, a companhia priorizou o envio de caminhões-pipa para os serviços essenciais e pontos críticos. A Sabesp ressalta que unidades de saúde e de ensino têm prioridade máxima na programação do apoio operacional". A empresa recomendou aos clientes que sentirem qualquer alteração que registrem o endereço do imóvel nos canais oficiais de atendimento. "Equipes da Sabesp já estiveram nesta quarta-feira (16) nos endereços informados e providenciaram em caráter emergencial o reforço do fornecimento com caminhões-pipa". A companhia orienta o uso consciente da água das caixas-d'água e segue à disposição 24 horas pelos canais oficiais: telefone 0800-055-0195, WhatsApp (11) 3388-8000 e Agência Virtual.