São 124 placas fotovoltaicas sobre os 360 m² de telhado da fábrica que fica na Vila Nova, em Santos (Divulgação) Água, malte, lúpulo e fermento. Na Cervejaria Santista, a receita tradicional da cerveja artesanal ganhou um ingrediente especial: a luz do sol de Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com a instalação de 124 placas fotovoltaicas sobre seus 360 m² de telhado, a fábrica, localizada na Vila Nova, é a primeira cervejaria artesanal da Cidade a operar com energia solar, segundo o proprietário Victor Doneux. “Além da economia na conta de energia, a sustentabilidade e a responsabilidade ambiental são prioridades para nós”, afirma Victor, que começou a produzir cerveja há 11 anos e fundou a Cervejaria Santista em 2022. Atualmente, a fábrica tem capacidade total de produção de 14,6 mil litros/mês. “No último mês, produzimos 9 mil litros”, conta Doneux. Ele explica que para a fabricação de cerveja há um grande consumo de energia, principalmente com refrigeração tanto na produção como na preservação da bebida. “O nosso sistema de placas solares pode gerar 565 W/p (watts/pico). Em janeiro, converteu 14MW (megawatts). O impacto na conta de luz é significativo: antes era de R\$ 5,5 mil; agora varia entre R\$ 1 mil e R\$ 2 mil, dependendo do mês”. O investimento de R\$ 200 mil na instalação, feito pela Alva Engenharia, deve se pagar em três anos. Como a vida útil das placas é de 25 anos, a economia se estenderá por mais 22 anos. A própria empresa responsável pela instalação também cuida da parte burocrática de permissões e regulamentação junto à concessionária de energia e outras necessidades legais. Além da redução de custos, a iniciativa evita a emissão de 553 toneladas de CO2 no ambiente ao longo da vida útil do sistema — o equivalente a tirar um carro da estrada por 256 anos e preservar cerca de 4 mil árvores. “Isso já faz valer o investimento”, diz o empresário. O proprietário, Victor Doneux, mostra a câmara frigorífica que mantém o produto refrigerado em temperaturas que chegam até a -5˚C (Divulgação) Outras iniciativas Além das placas fotovotaicas, a fábrica adota outras medidas socioambientais. A maior parte dos resíduos é enviada à reciclagem, como papelão, vidro, alumínio. “Inclusive, o que vem do nosso bar de fábrica que fica em outro endereço”. As garrafas com defeito ou quebradas são levadas para um artesão, que as transforma em cinzeiros, copos e outros utensílios. Até mesmo o bagaço residual da fabricação da cerveja é aproveitado. Parte vai para indústria de ração animal e outra para receitas vendidas no bar da cervejaria, como o bolinho de carne com malte. “A nossa cervejaria muda a história cervejeira de Santos para sempre. Nosso compromisso é com Santos inteira e por isso somos a única fábrica de cerveja artesanal de Santos a gerar a própria energia, contribuindo de forma significativa para um futuro mais sustentável.” Inversor Por meio do inversor, instalado dentro da fábrica, é possível acompanhar o desempenho das placas fotovoltaicas. No dia em que fomos na fábrica, o clima estava nublado, apesar do calor, e mesmo assim havia geração, conforme dá para ver pelo ponteiro verde. Rótulos e sabores que homenageiam a Cidade A identidade da Cervejaria Santista é pautada pelos símbolos da Cidade. “Nossa missão é contar a história de Santos”, diz o proprietário Victor Doneux. Suas 27 cervejas homenageiam pontos turísticos, igrejas e bairros. Um diferencial são os rótulos desenhados por artistas locais como Alex Ponciano e Mariana Antonucci. Eles são convidados a estilizar monumentos e cartões postais da Cidade. A cerveja Cidade de Santos é uma Premium Lager, mais leve e refrescante. A Praça Independência já é mais encorpada: uma America IPA. A trapist, estilo que nasceu nos mosteiros europeus, homenageia igrejas emblemáticas, como Embaré e Valongo, esta última inclusive premiada. “Sempre participamos de concursos cervejeiros importantes e temos aumentado nosso portfólio e inscrevendo novos estilos para concorrer”. Em outubro do ano passado, no 1º Brazil International Beer Awards, em Pedrinhas (Bahia), a Cerveja Igreja do Valongo, estilo Trapist Single de origem belga, ficou com a medalha de ouro e a Parque Balneário-Santistator, estilo Dopplebock alemão, levou a prata. Todas as embalagens, tanto lata quanto long neck têm um QR Code que direciona o consumidor a um site com a história do local representado na cerveja. A capacidade total de produção da cervejaria é de 14,6 mil litros por mês, entre cerveja artesanal e kombucha (Divulgação) Kombuchas A Santista é a única fabricante de kombucha (bebida fermentada, levemente efervescente, feita com chá, açúcar e uma cultura de bactérias e leveduras). Tem seis rótulos de kombucha no portfólio, também reconhecida com prêmio. “Em dezembro, ganhamos uma medalha de ouro no Brasil Beer Cup em Florianópolis (Santa Catarina), na competição de kombuchas com a Miss K. Kombucha - Original, como a melhor Kombucha da America Latina”. “Essas conquistas recentes têm nos deixado muito mais incentivados para continuarmos no caminho que estamos”, finaliza o empresário. Serviço: o Bar da Fábrica fica na Av. Conselheiro Nebias, 819, no Boqueirão, em Santos. Abre de terça-feira a domingo, das 17 às 23 horas. Fecha no último domingo do mês. Desenhos são criados por artistas locais e há QR Code que direciona consumidor a site com a história do local representado na cerveja (Alexsander Ferraz/AT) Brasil é estratégico para transição energética do mundo O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, sigla em inglês), Francesco La Camera, disse que o Brasil, por sua matriz elétrica majoritariamente renovável, é estratégico para que o planeta alcance o objetivo de dobrar a eficiência energética e triplicar a capacidade de fontes renováveis como solar, eólica e hídrica. O País ocupa posição de liderança global no tema, especialmente no que diz respeito à energia hídrica. “No ano passado, o Brasil demonstrou a capacidade de impulsionar o setor com um acréscimo de mais de nove gigawatts de energias renováveis em sua matriz”, ressaltou La Camera. Ele se reuniu com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para tratar de uma agenda comum nos preparativos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em novembro, em Belém. Por manifestar essa capacidade de liderança, a agência tem incluído o Brasil nos trabalhos de elaboração do relatório sobre as perspectivas de transição para as energias renováveis na América Latina, que deverá ser publicado ainda este ano. O Governo Federal também tem cooperado na elaboração de estratégias para atrair recursos internacionais para o setor. “Penso que concordamos em realizar um fórum de investimento no primeiro trimestre do próximo ano, como seguimento da COP 30”, adiantou La Camera. A cooperação ocorre antes mesmo de o Brasil se tornar membro da agência, já que o processo interrompido no governo anterior foi retomado oficialmente em janeiro deste ano, durante a 15ª Assembleia Geral da Agência Internacional de Energias Renováveis, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. “Nós vamos considerar a COP30 um sucesso, quando ela produzir um reflexo nas ambições climáticas dos países”, afirmou o diretor-geral.