[[legacy_image_118831]] A obra de expansão do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para a região central de Santos é considerada por lideranças comunitárias, empresários e integrantes do poder público como um fator determinante para revitalizar a área, atrair comércios, gerar empregos e construir novas moradias populares. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O segundo trechoCom capacidade para transportar 35 mil pessoas por dia - ligará a Linha 1 Barreiros - Porto (a partir da Estação Conselheiro Nébias) até o Valongo. Serão oito quilômetros de extensão e sete trens, com 14 pontos nas proximidades de locais estratégicos, como universidades, Mercado Municipal, Poupatempo e Terminal de Passageiros do Valongo. O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Glaucus Farinello, entende que o VLT é uma peça fundamental no que ele chama de “reconquista do Centro”, área que já foi alvo de vários planos de desenvolvimento nas últimas décadas. “Houve muita expectativa e muita especulação por causa da descoberta do (petróleo na camada) pré-sal e do Mergulhão (passagem rodoviária em nível inferior que seria construída no Valongo). Agora, o VLT é uma realidade e entendemos que é um dos mais importantes pilares para a repovoar o Centro”, destacou. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Santos, Camilo Rey Andújar, acredita que o novo modal será uma peça importante para revitalizar essa região e gerar mais postos de trabalho, assim como as políticas da Prefeitura para incentivar a construção de novas moradias. “O VLT passará pelo entorno do Mercado Municipal, que está bastante degradado, e vai trazer um novo fluxo de pessoas. Essas medidas conjuntas atrairão novos investimentos para a região central, bem como aumentará a confiança dos lojistas que estão e os que pretendem abrir negócios nesses locais”, ressaltou. Conforme o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Ricardo Beschizza, o VLT é um dos fatores que pode gerar o desenvolvimento imobiliário, mas faz uma ressalva. “Ele, sozinho, ao cortar a região central de Santos ajuda, mas não é determinante. É preciso ofertar segurança, limpeza e o entorno bem arrumado para atrair as pessoas. O empreendimento imobiliário chega depois dessas melhorias, o que provoca uma mudança nos comércios e nos serviços”, justificou. MovimentaçãoO diretor regional do Sindicato da Habitação (Secovi) em Santos, Carlos Meschini, explicou que há incorporadoras procurando terrenos em áreas próximas aos terminais do VLT para fazer empreendimentos pequenos em um terreno de mil metros quadrados, o que pode viabilizar a construção de até 190 apartamentos. “Um grupo de São Paulo vai fazer uma obra na Avenida Conselheiro Nébias e o pessoal de lá já visualizou esse potencial e outros projetos devem estar a caminho. As mudanças na lei trouxeram alguns mecanismos interessantes, como não ter garagens para carros, o que incentiva o uso do transporte público”, disse. Conforme Farinello, existe uma movimentação de proprietários de imóveis, construtores e profissionais interessados em investir nessa região e conhecer mais sobre a legislação urbanística, ao contrário dos anos anteriores. Ele citou que a Prefeitura oferece isenção de fiscais para os comerciantes e que, ao longo do traçado do VLT, existem as chamadas as Áreas de Adensamento Sustentável (AAS), que oferecem incentivos para a construção de habitação de mercado popular e o pagamento um pouco menor de outorga onerosa (concessão emitida pelo Município para que o proprietário de um imóvel edifique acima do limite estabelecido). “Além do curto período das mudanças na legislação realizadas em julho de 2018 e das alterações feitas no Alegra Centro, em dezembro de 2019, meses depois veio a pandemia. Isso precisa ser levado em consideração nessa análise. Empreender não é algo que leva um ou dois anos. É um processo um pouco mais longo para atingirmos o nosso objetivo”, explicou. OtimismoLideranças comunitárias ouvidas por A Tribuna enxergam com bons olhos a chegada do VLT à região central de Santos, o que deverá beneficiar diretamente os proprietários de imóveis e ampliar o movimento no comércio local. A presidente da Sociedade de Melhoramentos do Bairro do Macuco, Rosana Salzedas, afirmou que a expectativa é muito grande entre os moradores e comerciantes sobre uma possível valorização dos imóveis, como ocorreu na Avenida Francisco Glicério. Ela admite que alguns habitantes e lojistas da Rua Campos Melo estão se queixando das obras, mas acredita que essas intervenções são necessárias para viabilizar o novo modal. “Os benefícios após obra serão muito positivos para a comunidade. Já há um movimento intenso de pessoas querendo abrir negócios. Um novo restaurante já está sendo instalado na Rua Carvalho de Mendonça, próximo à Gota de Leite, porque bem ali na frente ficará uma estação do VLT”, explicou. Conforme o responsável pela Associação de Moradores e Amigos da Vila Mathias, Weverson Alexandre Nogueira Patriota, o Kaffé, a população acredita que o novo meio de transporte será um atrativo a mais para o bairro. “Tenho notado que há uma procura mais intensa de pessoas, até de outras cidades, interessadas em comprar e alugar imóveis para abrir lojas e instalar escritórios”, disse. Na avaliação do vice-presidente da Sociedade de Melhoramentos da Vila Nova, Márcio Alexandre Rodrigues Pereira, os comerciantes da Rua 7 de Setembro estão com uma expectativa muito grande com o possível aumento do número de clientes com as melhorias previstas para o bairro e com o início da operação do VLT. “O maior fluxo de pessoas será importante para o fortalecimento do comércio local e abertura de novos boxes no Mercado Municipal. Muitas pessoas que moram no bairro serão empregadas nesses locais”, ressaltou.