Construção avança, mas “sempre existe uma margem”, declara diretor-presidente, ao citar estudos e obras feitos na Baixada (Alberto Marques/Arquivo/AT) O crescimento do mercado imobiliário em cidades como Santos e Praia Grande não comprometerá o abastecimento de água para atuais e futuros moradores da Baixada Santista. A afirmação é do diretor-presidente da Sabesp, Carlos Piani, que nesta quinta-feira (16) visitou o Grupo Tribuna e tratou de projetos e obras nestes dois anos de privatização da empresa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para A Tribuna, Piani afirmou que a Sabesp dispõe de estudos nos quais projeta o crescimento populacional e urbano de todos os municípios atendidos. “O planejamento considera esse crescimento. Nenhum investimento é feito para operar imediatamente na capacidade máxima, sempre existe uma margem. Se houver um crescimento muito acima do previsto, novas intervenções poderão ser necessárias”, antecipou. Uma obra em andamento e que deve acabar até o fim de agosto ocorre na Avenida Martins Fontes, principal ligação entre Santos e a Via Anchieta, no Saboó. Esse serviço específico visa a melhorar o abastecimento em Guarujá e no Distrito de Vicente de Carvalho, regiões que há anos convivem com episódios frequentes de desabastecimento. A coleta e o tratamento de esgoto também estão assegurados mesmo com o incremento populacional e do número de ligações domiciliares. Em entrevista à TV Tribuna, ele informou terem sido construídas seis estações de tratamento de esgoto (ETEs) e 400 quilômetros de coletores de resíduos na região. Água na temporada De forma mais imediata, a próxima temporada de verão não terá falta de água, segundo o diretor-presidente — ao contrário do que ocorreu em cidades da região em dias anteriores e posteriores à última virada de ano. Ele disse que oito reservatórios já foram inaugurados e outros dois devem entrar em operação até o fim do ano, ampliando em cerca de 60 milhões de litros a capacidade de armazenamento. “A segurança do sistema vai ser incrementada ano a ano para atender qualquer crescimento e qualquer variação. A nossa expectativa é que já haja uma melhora nesta temporada”, salientou. Obras da Sabesp na Baixada têm provocado reclamações de moradores e comerciantes por causa de transtornos no trânsito e na rotina (Alexsander Ferraz/AT) Resposta a queixas Obras da Sabesp na Baixada têm provocado reclamações de moradores e comerciantes por causa de transtornos no trânsito e na rotina. Carlos Piani reconheceu problemas, mas afirmou que os impactos são temporários e necessários. Um exemplo foram obras já encerradas na Avenida Bernardino de Campos, o Canal 2, no Campo Grande, em Santos. Comerciantes relataram à Reportagem que prejuízos continuaram após a obra, com menos movimento e, até, o fim de estabelecimentos. O presidente reconheceu os transtornos e afirmou que a companhia busca reduzir ao máximo os impactos. “Sabemos que a quantidade de intervenções representa um desafio para a sociedade. Fazemos todo esforço para minimizar esse impacto, mas entendemos que esse é um transtorno de curto prazo para resolver problemas históricos da região. Não ganhamos nada deixando uma obra parada”, mencionou. Ao abordar constantes reclamações recebidas pelo jornal sobre qualidade da água, principalmente em São Vicente e Guarujá, Piani explicou que fatores naturais influenciam o tratamento. Segundo ele, a captação ocorre em rios e córregos, que, em períodos de chuva, recebem folhagens e detritos, enquanto, na estiagem, a água pode ficar mais turva. “Isso torna o tratamento mais desafiador, mas os investimentos em novas estações de tratamento, reservatórios e adutoras vão tornar o sistema mais robusto.” Carlos Piani afirmou que desde julho de 2024 a Sabesp acelerou o ritmo de obras (Vanessa Rodrigues/AT) Empresa acelera obras Questionado sobre os resultados da privatização da companhia, Carlos Piani afirmou que, desde julho de 2024, a Sabesp acelerou o ritmo de obras e ampliou o atendimento na Baixada Santista. Segundo ele, cerca de 230 mil pessoas passaram a ter acesso a água potável e aproximadamente 290 mil puderam contar com coleta e tratamento de esgoto. “Hoje, a Sabesp tem condições de realizar investimentos que antes não eram possíveis. Os problemas históricos estão sendo tratados e serão resolvidos ao longo do tempo”, comentou. Prazos Sobre os atrasos em obras, o diretor-presidente afirmou que mudanças de cronograma fazem parte da execução de grandes projetos de engenharia. “O subsolo nem sempre corresponde ao que foi previsto nos estudos. Além disso, existem etapas que dependem de licenciamento e autorizações de outros órgãos, o que pode alterar prazos”, observou.