[[legacy_image_260665]] O prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), falou sobre os desafios atuais e para os próximos anos na Cidade, envolvendo diversos setores, como habitação, saúde e educação, e locais, como o Centro Histórico, além de não esquecer de obras que afetam a rotina da população, como as do VLT e da Sabesp. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Apesar da qualidade de vida de Santos, como fazer para diminuir a desigualdade, já que ainda há pessoas morando em cortiços e palafitas? É um grande desafio. Não existe cidade pronta no mundo. A prova disso foi a pandemia. Pegou todo mundo despreparado. E o País é de desigualdades. Somos o quarto maior produtor de grãos do mundo e um dos maiores reservatórios de água limpa doce do planeta, mas isso tudo não chega para muitos. Então o melhor caminho é investir nas políticas públicas e sociais, investir em habitação e, principalmente, na educação. Como diminuir o déficit habitacional? Temos três grandes áreas com problemas habitacionais. Para mim, a pior é a área de cortiços, porque o cortiço não pertence à pessoa. É um quarto precário, úmido e alugado em que, às vezes, mora mais de uma família no mesmo cômodo, em que se convive muito com a questão da marginalidade e das drogas. Temos as áreas de invasões dos morros, que são de risco. E aí a preocupação com as mudanças climáticas, como a gente viu neste ano no Litoral Norte, mas também em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e na Baixada Santista em 2020. E também as palafitas, sem saneamento básico e com grandes dificuldades. Temos que tratar esses três pontos com atenção. Como estão esses projetos? Cada unidade habitacional custa aqui em Santos, por questões de solo e outras coisas, em torno de R\$ 160 mil. O município sozinho não consegue fazer. Então a gente está em parceria com os Governos do Estado e Federal. Temos 1.120 unidades já prontas para as pessoas que moram no Dique da Vila Gilda. E temos mais 1.100 unidades sendo construídas neste momento com a CDHU em parceria com o Governo do Estado. O que fazer para impedir novas invasões? É o grande desafio. O que estamos fazendo no Dique da Vila Gilda é a construção de equipamentos. Por exemplo: já removemos algumas comunidades do Dique, bem no começo, perto do São Manoel, e construímos ali uma avenida. Na outra ponta, divisa com São Vicente, estamos construindo a estação elevatória e vamos retirar aproximadamente, de imediato, 140 moradias, que irão com mais 1 mil do próprio Dique da Vila Gilda, lá para o Tancredo Neves, ocupando o espaço e construindo uma avenida beira-rio. Pensando nessas pessoas, as Vilas Criativas são um bom caminho... Exato. Lazer, cultura e esporte são atrativos nas dez que existem em Santos, principalmente nos locais mais vulneráveis, mas a qualificação profissional é o principal motivo. A produção, hoje, é muito focada na criatividade. As pessoas querem peças exclusivas, customizadas. A economia criativa, seja na gastronomia, no artesanato, na dança ou na música, é o que queremos fomentar como fórmula de oportunidade. E essa transformação no Centro? Há investimento de mais de R\$ 100 milhões em reformas de praças e de monumentos. E ainda mais R\$ 230 milhões no VLT, que vai trazer pessoas para o Centro, ajudando muito na questão definitiva: pessoas morando em residências adequadas. É a grande âncora porque você vai trazer padarias, e o Poder Público vai ter que construir mais escolas. Como está a conversa com o Governo do Estado sobre as obras do VLT? A cobrança é mensal, com reuniões que fazemos com o Governo do Estado e com a empresa. Há um compromisso para terminar a Rua Campos Mello no meio deste ano e que toda a obra, segundo a empresa, seria entregue no meio do ano que vem. Não estamos satisfeitos. Cobramos o Governo do Estado, que, por sinal, já comprou os novos veículos do VLT. Está tudo pronto. O que está causando o atraso é a empresa. Embora difícil, é uma obra que poderia ter tido velocidade maior. A Prefeitura tem incentivos para atrair empreendedores para o Centro? Para moradia, por exemplo, quem comprar um para construir não paga ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis). Então, a alíquota de 3% é para a pessoa chegar e dar de entrada em um financiamento. E ainda cinco anos sem pagar IPTU. Facilidades existem. É só procurar o nosso escritório do Invest Centro, na Rua XV de Novembro, ao lado da Associação Comercial, para ter todas as orientações. O Parque Valongo servirá para atrair mais turistas durante todo o ano? As cidades vivem em constante transformação. Santos começa ali e, depois, vai em direção à praia. Agora é um retorno. Isso já aconteceu em Nova Iorque: aqueles prédios antigos são extremamente valorizados e charmosos, onde funciona o centro econômico do mundo. É o que a gente quer. Em Madri (Espanha), Lisboa e Porto (ambas em Portugal), as pessoas moram no Centro Histórico, preservando e convivendo com a arte. É muito bacana. Em que estágio está esse projeto? Nós dividimos em duas áreas: do armazém 1 ao 3, que precisa ser resolvido com o Governo Federal, pois ficaria ali o novo Terminal de Passageiros, e do 4 ao 7 já está resolvido com a Prefeitura. A gente assumiu um termo, junto com o Ministério Público, com uma empresa, com a Autoridade Portuária e com o Governo Federal, para a cessão dessa área ao município. Serão revitalizados os armazéns 4 e 7. O 7 vai ser para pesquisa e o 4 para o Município usar como área cultural e até gastronômica, sendo um grande parque com jardim e recreação, podendo ter roda gigante, monumento do Pelé... Tudo isso vai ser discutido com a Cidade em audiências públicas. Mas já temos garantidos o investimento de R\$ 15 milhões por parte de uma parceria com a Prefeitura. Então é algo que deve começar neste ano. Há também a obra de revitalização do Mercado Municipal... Começamos com a troca toda do telhado, já pronta, a fachada, e a parte interna começa neste mês. Será um grande centro de economia criativa e de oportunidades. Continuaremos a ter atacado e varejo, além de outras atividades, como padaria, galeria de arte, palco para shows, restaurantes e bares. E há também obras que dão dor de cabeça, como as da Sabesp na Rua Goiás Há dois anos, alertamos a Sabesp. Conversei com o presidente na época e disse: a tubulação da Rua Goiás tem que ser toda refeita, é antiga e tem que ser ampliada. E solicitamos que fosse feito da Ana Costa até a Conselheiro Nébias. O Governo do Estado só fez da Ana Costa ao Canal 3. Deu no que deu: do Canal 3 para a Conselheiro, uma grande cratera, com acidente envolvendo um motociclista que fraturou a perna, e causando transtornos para a Cidade. O reparo provisório foi feito, mas a tubulação precisa ser totalmente trocada. Já estão em fase de diagnóstico com georradar e vídeo dentro da tubulação para ver o que tem, o que pode ser feito e a metodologia mais rápida que cause menor impacto. Essa obra também começa nesse ano. Como fazer para Santos continuar crescendo? O desenvolvimento também das outras cidades. É uma região muito compacta, espremida entre o Oceano Atlântico e a Mata Atlântica. E a gente vê grandes oportunidades. O Polo Industrial de Cubatão tem que reagir. Temos Praia Grande com um grande projeto de aeroporto de cargas, focado na indústria. Já temos o Aeroporto de Itanhaém, com foco no pré-sal, e agora a realidade do Aeroporto de Guarujá, que será de passageiros, fundamental para os cruzeiros e o centro de convenções de Santos. E o Litoral Sul e Norte, com suas riquezas e belezas naturais. É uma região que tem que ser planejada em conjunto, fazendo a região metropolitana se fortalecer por intermédio do Conselho de Prefeitos. A gente tem tido muita unidade e muitas demandas Quais os desafios nas áreas da Educação e da Saúde? Na Educação, temos o desafio da inclusão e a meta número 1 do meu governo: período integral. Enquanto o Brasil está com 25%, Santos já está com 60% e quero chegar a 75%. Já na Saúde, o desafio é o empobrecimento. Muita gente perde plano de saúde e ingressa na saúde pública. E as cidades enfrentam há 10 anos a falta de reajuste nos repasses do Governo Federal. Os municípios, sozinhos, não aguentam mais essa demanda, assim como as Santas Casas e os hospitais filantrópicos. Precisamos atualizar o financiamento da Saúde para que a gente mantenha o ritmo da qualidade do atendimento público.