[[legacy_image_107305]] “Não é um problema recente. Qualquer hora alguém morre lá dentro e não tem preço que pague uma vida”. Este é o depoimento de um ex-funcionário terceirizado que prestava serviços ao Carrefour sobre o elevador em que um jovem ficou preso por 36h, no supermercado da Avenida Conselheiro Nébias, no bairro Boqueirão, em Santos. De acordo com ele, o equipamento era alvo de diversas reclamações. Em entrevistas para A Tribuna nesta terça-feira (28), o problema também foi relatado por outros dois ex-funcionários, que trabalharam na unidade em períodos diferentes. Em nota, o hipermercado garante que a manutenção do equipamento está em dia, sendo alvo de trabalhos mensais e trimestrais. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O ex-funcionário terceirizado que deixou o supermercado do Boqueirão no início deste ano afirma que resolveu denunciar o local após ver a notícia do homem que ficou preso no equipamento no último final de semana. “Lembrei na hora e falei: ‘quantas vezes eu avisei’. Aquele elevador é precário”, ressalta. Ele atuou na unidade de 2019 até 2021 e conta que o equipamento precisava ser trocado, pois é antigo e não possui sistema de segurança ou alarme. “Ele parava [de funcionar] direto, toda semana”, relata, completando que o equipamento também dava ‘trancos’ e precisava de auxílio para abrir as portas. O ex-terceirizado chegou a trabalhar no supermercado junto com o jovem que ficou preso. “Não sei como ele conseguiu ficar vivo lá por tantas horas, é coisa de Deus, porque não tem nem ventilação”, destaca o homem, relembrando a época em que trabalhava na unidade e fez diversas reclamações sobre o equipamento para a gerência. “Eu mesmo não entrava ali não”. A reposta da chefia, segundo o homem, era que a manutenção seria realizada. No entanto, até o momento em que deixou o local, o problema não foi resolvido. “Isso não pode acontecer. São vidas e nem todo mundo vai querer colocar ‘a cara pra bater’ e falar”, finaliza. Mais denúnciasÀ Reportagem, um outro ex-funcionário que trabalhou no Carrefour da Conselheiro Nébias de 2011 a 2018 explica que a unidade tem dois elevadores de carga: um mais antigo e outro instalado há cerca de cinco anos. Porém, os dois apresentavam muitos problemas. “Os dois [elevadores] quebravam toda hora. Eles não eram para uso de pessoas, mas nunca teve fiscalização, todos da loja sempre usaram”, ressalta. De acordo com ele, os equipamentos eram alvo de constantes reclamações e a equipe de manutenção resolvia os problemas, mas tempos depois eles voltavam a ocorrer. “Usava muito o elevador e quando parava, não tinha como descer mercadoria. A gente descia ‘no braço’, fazia mutirão”, afirma, explicando que os botões e o sistema de segurança não funcionavam de forma adequada. A mesma situação é relatada por outro ex-funcionário que trabalhou no local em 2003, quando o nome do supermercado era Eldorado. “O equipamento era arcaico, sem sensores de segurança. É um elevador de carga, porém na época não tinha nenhuma segurança. Era de dar medo”, afirma o homem, que atuou no local por um ano e cinco meses. RespostaProcurado por A Tribuna, o Carrefour afirmou que todos os elevadores da unidade, inclusive o citado pela Reportagem (um elevador exclusivo para carga), estão com a manutenção preventiva e corretiva em dia, sendo que todo mês é realizada manutenção prévia por uma empresa especializada, que verifica 16 itens mensalmente, e a cada três meses são checados outros 18 itens. Em nota, o supermercado explicou que, em 9 de setembro, foram verificados os 34 itens vistoriados mensalmente e trimestralmente. A rede ressalta que o contrato com a empresa de manutenção permite chamadas ilimitadas em casos de problemas nos elevadores, sem nenhum custo e com atendimento realizado em até duas horas. Por fim, o hipermercado informou que a unidade está em conformidade com o Relatório de Inspeção Anual (RIA), documento obrigatório para funcionamento dos elevadores. [[legacy_image_107306]]