[[legacy_image_177831]] Como seria a escola dos sonhos? Reuniria diversos elementos, como inclusão, acessibilidade, respeito e boa relação entre professores e alunos. Mas também um olhar atento a estudantes, professores e funcionários e suas rotinas, acompanhando eventuais problemas de depressão e ansiedade. Uma construção diária que pode – e deve – ser aperfeiçoada. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Esse é o pensamento de estudantes, professores e pais que participaram de encontro promovido ontem pelo Grêmio Estudantil Nova Geração, da UME Pedro ll, de Santos, no auditório do Grupo Tribuna. Dois painéis, articulados pelos próprios alunos, trouxeram à tona medos, preocupações, mas também esperanças de uma geração que tenta desfazer o rótulo de alienação. “A gente percebe a construção desses jovens. Muitos os tratam como se não fossem seres pensantes e participantes. No entanto, com esse projeto (do grêmio), eles têm um espaço para participar dessa sociedade com ideias transformadoras”, destaca Cláudia Muniz, coordenadora dos grêmios da Prefeitura de Santos. No primeiro painel, sobre a escola dos sonhos, os estudantes pediram a palavra para reivindicar mudanças. Entre elas, uma escola sem preconceitos, com organização dos estudantes, desenvolvimento de pensamento crítico, melhorias tecnológicas e de acessibilidade. Tudo permeado por um olhar acolhedor. A secretária de Educação de Santos, Cristina Barletta, concordou com as ideias externadas pelos estudantes. “A escola tem que ser inclusiva, criativa, prazerosa, cumprir com seu papel, que é a escolarização. Mas, acima de tudo, ser acolhedora”. Ansiedade e depressão A escuta, no entanto, nem sempre está disponível para os jovens estudantes, seja em casa ou nas unidades escolares. Os gatilhos de ansiedade e depressão foram acionados durante a pandemia. O bullying é outro inimigo. Vários relatos, acompanhados de lágrimas, demonstraram as fragilidades. “Fiz uma palestra numa escola de Itanhaém. Nela, um menino chorou muito e pensei que ele era vitima. Mas, não: ele confessou que ele era quem praticava violência contra uma colega de sala”, comentou o escritor Marcos Martinz, que contou a sua vivência em livro. A psicóloga Adriana Ferraz resumiu o efeito da pandemia no psicológico dos jovens. “A pandemia evidenciou nossa necessidade de amparo”. Feito por elesDa concepção até a execução. Tudo realizado por alunos. O evento de ontem foi a expressão de uma geração motivada e pronta para propor uma sociedade melhor. Giovanna Sena, uma das apresentadoras dos painéis, conta que a ideia surgiu após a participação no fórum A Região em Pauta de março, com o tema Educação. Foi o pontapé para as primeiras conversas, até chegar o momento de receber para o debate pais, professores, alunos e autoridades. “É uma honra para a gente ocupar um espaço importante como o auditório do Grupo Tribuna. Não é para todo mundo”, explica. Também mediaram os debates os alunos Isabela Costa, Luana Karoliny e Matheus Antunes. Ensaio e orgulhoTathiana Antunes, professora de Inglês e coordenadora do Grêmio Nova Geração do Pedro II, conta que a mobilização dos alunos foi imediata, culminando no encontro desta sexta (20). “Era muita ansiedade e nervosismo. Houve ensaios entre um aula e outra, correria para organizar tudo e definir convidados. Mas foi tudo com a iniciativa deles. Quando esses colocam a mão na massa, participam com as suas opiniões. É muita emoção, porque deu certo”, frisou. Para a secretária de Educação santista, Cristina Barletta, o mérito dos estudantes é a a busca por uma sociedade melhor, com oportunidade e equidade. “É a geração que nós esperamos que vá transformar o planeta. Acredito nisso”. Kátia Piedade, orientadora educacional da escola, ressalta o papel dos professores na construção de uma geração engajada. “O professor é importante nesse caminhar. O dia que a gente se der conta que não é conteudista, a escola vai ter avançado muito”, acredita.