[[legacy_image_270677]] Como está a sua memória? Você consegue se lembrar de tudo, ou frequentemente esquece das coisas simples do dia a dia, como onde deixou a chave? Óculos? Datas de aniversário? Se você respondeu sim a todas essas perguntas, pode ficar tranquilo: esses esquecimentos são normais, segundo especialistas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A moradora de Santos Solange de Oliveira, por exemplo, conta que até procurou especialistas por desconfiar de problemas com memórias, mas seus exames deram todos normais. “Há cinco anos, mais ou menos, comecei a reparar nisto (esquecimento), fui até um médico, porque estava achando que não era normal, mas está tudo certo. O que faço para não esquecer é anotar tudo em uma agenda, principalmente um dia de consulta médica e datas importantes, caso contrário faço confusão”, conta. Quem também costuma esquecer dessas coisas do dia a dia é a técnica de enfermagem Sonilde de Oliveira Gomes, que para não esquecer dos compromissos também anota tudo. “Esqueço tudo! Estou lendo mais, vendo vídeos, para tentar estimular a memória, mas esqueço de tudo, se eu não fizer uma lista para ir ao mercado, eu esqueço até o que iria comprar”, explica. Já Carlos Alberto da Silva acredita que isso é reflexo da idade. Com 62 anos, ele conta que às vezes esquece onde guardou algum objeto, mas garante que sempre acha. “Às vezes foge da mente. Por exemplo: vou pegar um negócio no quarto e cadê? Sumiu! Mas fico parado, pensando, que uma hora a memória volta. Mas depois que a gente vai ficando com uma certa idade, essas coisas a gente acaba esquecendo, mas coisas importantes nunca esqueço”, afirma. Na contramão, José Paulo de Andrade, aos 51 anos, afirma nunca ter esquecido de nada: “Lembro bem, nunca tive problemas com esquecimento, sei de datas comemorativas, além das coisas do passado, principalmente coisas do passado”, brinca. Segundo o médico neurocirurgião João Luís Cabral Junior, todas essas situações são reflexos da rotina cada vez mais corrida que estamos vivendo. Ele explica que existem dois tipos de esquecimento: o fisiológico - que seria o normal de todo ser humano, como esquecer onde guardou um objeto - e o patológico - que pode ser o reflexo de alguma doença neurológica, como o Alzheimer. “Na nossa rotina, temos muitas tarefas para fazer durante o dia e podemos acabar esquecendo de uma, isso é normal. Para não acontecer esse tipo de situação, as pessoas costumam enumerar e anotar. Mas isso aumenta quando a pessoa tem sono irregular”, explica. O médico diz que a idade também é fator importante da memória: quanto mais velha é a pessoa, menor a fixação da memória, uma relação até certo ponto normal. Mas é necessário procurar ajuda quando se esquece o dia, pessoas do cotidiano não são reconhecidas ou até mesmo em caso de se perder nos caminhos diários, como ir ao mercado. “Quando esses esquecimentos começam a aparecer com frequência, primeiro tem que observar se está descansado, dormindo bem, se não tem motivos de estresse emocional. Se não forem esses os motivos, aí tem que ligar um alerta e procurar uma investigação médica”. Já nos idosos, a perda de memória frequente sempre é relacionada com o Alzheimer – transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal da memória -, mas Júnior explica que outras doenças também podem afetar nosso cérebro. As falhas de memória nem sempre são Alzheimer, pode ser uma anemia, um déficit chamado dissonia, que são as alterações do sono. Ou seja, a pessoa não relaxa, não descansa e por isso o cérebro não rende o suficiente e começa a falhar. Tireoide também é um fator que altera a atenção do paciente, além de síndromes infecciosas e crônicas que podem gerar déficit de atenção”, explica. Covid-19E além de todas essas doenças, desde a pandemia do coronavírus, pacientes que contraíram o vírus relataram perda de memória. Segundo o médico, não há com o que se preocupar, pois é uma sequela passageira. “Jovens abaixo dos 40 anos relataram a falta de memória pós-covid, mas não é algo permanente. Ela melhora com o passar dos meses. O vírus (da covid-19) causa esse tipo de sequela porque atinge o sistema nervoso central, então reduz a sinapse, a velocidade da condução elétrica do cérebro. Consequentemente, pode causar falhas na memória”, finaliza.