Declaração da escola como patrimônio se deu por ser pioneira, tradicional e expressar a cultura do surfe (Alexsander Ferraz/AT) A Escola Radical de Surfe de Santos, no Posto 2, na Pompeia, é o mais novo Patrimônio Imaterial e Cultural da Cidade. Assim consta na Lei 4.598. sancionada pelo prefeito Rogério Santos (Republicanos) publicada no Diário Oficial do Município de segunda-feira, por iniciativa da ex-vereadora Audrey Kleys (Novo), atual vice-prefeita. A declaração da escola como patrimônio local se deu, conforme a lei, por ser pioneira, tradicional e expressar uma manifestação cultural — o surfe —, que “agrega pessoas e promove essa valiosa memória, que comporta símbolos de tradições locais e culturais da nossa região costeira”. Vinculada à Secretaria Municipal de Esportes e em parceria com a Blue Med Saúde, a escola atendeu, no último semestre, mais de 400 pessoas com idades entre 8 e 81 anos. Delas, 240 têm 50 anos ou mais. Idealizador e professor da escola, Francisco Alfredo Alegre Araña, o Cisco Araña, de 68 anos, considera que a lei resulta do respeito da população ao projeto e dos benefícios à Cidade. Cisco Araña, 68 anos, idealizador e professor da Escola Radical de Surfe de Santos (Alexsander Ferraz/AT) Ele diz se orgulhar da iniciativa e de todos que fazem parte dela e já a integraram, como os professores e administradores. “O Poder Público assume as condições para que ela exista. Isso é inédito, (...) Isso vai refletir no mundo como a possibilidade de a Cidade olhar o surfe da maneira correta, como deve ser visto, não só como (esporte de) alto rendimento, mas também como uma ferramenta para a saúde, para as pessoas que não têm condições de pagar aulas e que não têm equipamentos.” SAÚDE FÍSICA E MENTAL João Marcelo Casarinho, de 42 anos, mora em Santos há 14 e nunca havia tentado surfar até ano passado. Começou a frequentar a Escola Radical de Surfe há seis meses para “fazer atividade física, ter lazer, uma conexão com o mar e dar uma desligada do trabalho e do estresse”. Agora, brincou ele, “a única ansiedade, agora, é pelo dia da aula”. Com os sobrinhos, Mário Ribeiro: surfando, “me sinto um moleque” (Alexsander Ferraz/AT) Mário Sérgio Ribeiro, de 63 anos, participa das aulas há dois. Já fazia pilates, ginástica funcional e caminhada por recomendação médica, devido ao diabetes. “Mas sempre tive curiosidade e vontade de surfar”, contou. “Um dia, por coincidência, estava descendo o elevador e encontrei um rapaz que faz surfe aqui”. No encontro, ele recebeu um convite para ir às aulas. Para Mário, a escola o ajuda a enfrentar a depressão. Neste ano, pretende comprar uma prancja. “Me sinto um moleque quando estou surfando.”