[[legacy_image_8928]] O prédio baixo e discreto não chama a atenção de motoristas nem de pedestres, mas fica ali no 79 da Rua Sete de Setembro, no bairro Vila Nova, uma das histórias mais longas da educação básica em Santos. Longa e de perseverança. Fundada para educar os filhos dos portugueses que vieram para o Município no início do século passado, a Escola Portuguesa de Santos mudou o perfil de seu público nos últimos 40 anos, mas mantém as raízes fincadas na cultura lusa e se prepara para o centenário. Na próxima quarta-feira, ela completa 98 anos. A fundação naquele local, quase esquina com a Avenida Conselheiro Nébias, tinha uma razão de ser naqueles idos de 1920. A região central de Santos era nobre e ali moravam as famílias das classes média e alta, entre elas muitas vindas de Portugal. Instalar uma escola próxima para acolher essas crianças e manter as tradições portuguesas fazia todo sentido. Com o passar dos anos e a expansão da Cidade para bairros próximos à orla da praia, a região central foi sendo ocupada por famílias de mais baixa renda. Sem mais o propósito para o qual havia sido fundada, a Escola Portuguesa fechou as portas em 1978. Retomada “Mas o compromisso da comunidade portuguesa falou mais alto, e muitos dos que estudaram ali se uniram para reabrir a escola”, conta José Augusto do Rosário, ex-gestor do Consulado Português em Santos e atual presidente da escola. Quando foi reaberta, em 10 de maio de 1986, a escola passou a ter outro público e outro objetivo: o de atender famílias dos bairros da região central, em geral de condição socioeconômica mais baixa. Entre as 120 crianças de 3 a 6 anos atendidas, a maioria é moradora dos bairros Vila Nova, Paquetá, Centro e Monte Serrat. Para essa retomada de atividades em 1986 muito contribuiu o empenho de empresários e lideranças portuguesas locais, como Ernesto Vieira, Fernando Martins, José Camelo, Alberto Desbanca, Antônio Reis, Armênio Mendes, Clotilde Paul, entre outros. “No começo foi muito difícil, porque eu estava acostumada com escolas particulares, mas com o passar do tempo, não tem como não se apaixonar por esses meninos e meninas”, diz Maria Regina Machado Prieto Franco, diretora da escola há 33 anos. Padrinhos e campanhas Os meninos e meninas recebem cinco refeições diárias e ficam em regime integral. A Prefeitura de Santos subsidia parte das despesas (45%) e fornece uniforme. Os demais 55% do custeio é bancado por empresários de dentro e fora da comunidade portuguesa e por eventos organizados para arrecadar fundos. A escola tem também um grupo de “padrinhos”, que ajudam a bancar as despesas de cada criança. Por ser subvencionada pela Prefeitura, a seleção dos alunos é feita pela Secretaria de Educação. “Como temos uma qualidade reconhecida, é muito comum virem famílias aqui pedir vaga no início do ano, mas a seleção não é feita aqui”, conta a diretora. Entre os 120 pequenos, alguns são filhos de ex-alunos da própria escola. Além das atividades curriculares, elas têm aulas de educação física, balé, informática, contação de histórias, assistência odontológica e brinquedoteca. Centenário Para marcar o centenário, em 2024, José Augusto prepara uma série de atividades e também a edição de um livro comemorativo, com a história da escola, depoimentos de ex-estudantes e fotos. Ex-alunos que queiram contribuir com depoimentos e fotos podem procurar a direção do colégio. “Queremos resgatar essa trajetória e manter viva a história da escola”, diz o presidente.