[[legacy_image_83495]] Santos, 24 de julho de 1921. A comunidade lusíada de Santos, reconhecida como a maior fora do Velho Continente, estava em absoluta festa. Isso porque depois de muitos anos, de muita luta, finalmente foi possível instalar na cidade uma instituição educacional voltada ao atendimento dos filhos dos imigrantes portugueses, em especial os mais necessitados, para a nobre missão de ensiná-los não só os princípios básicos das letras, das ciências e da matemática, mas também o respeito às raízes de Portugal e os seus laços de afeto com o Brasil. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! No comando desta tarefa estava um homem incansável: o professor Antônio Maria Guerreiro. “Ensinar é tão nobre quanto curar”, vivia dizendo em suas conferências. Guerreiro era diretor da Escola Portuguesa da capital e estimulava seus patrícios santistas a criar uma instituição semelhante na cidade portuária, que era tida como uma colônia de grande relevância para a comunidade lusitana. A escola começou a funcionar, efetivamente, apenas no dia 1º de dezembro daquele ano, utilizando espaços emprestados pela Câmara Portuguesa de Comércio, que ficava num sobrado da Praça da República, 47. O primeiro presidente da entidade educacional, eleito em assembleia, no Real Centro Português, foi o Dr. Thomaz D’Alvim, que tinha como vice, Antônio Ribeiro Moreira. Vários endereços A primeira sede da instituição, ainda que provisória, foi instalada na Rua Júlio Conceição, Vila Mathias, em 6 de abril de 1922, quando se tornou oficialmente reconhecida pela Delegacia Regional de Ensino. Em 1924, a escola se transferiu para um casarão na Avenida Conselheiro Nébias, 94. Naquela época tinha cinco professores e 220 alunos de ambos os sexos. A instituição era mantida por 400 sócios contribuintes de diversas categorias, entre empresários do comércio santista. O colégio permaneceu nesse endereço até 1933, quando se mudou para a Rua Dr. Cochrane, 65. O espaço, menor do que o anterior, só comportava 110 alunos, divididos em classes mistas. Na década de 1930, a diretoria pretendia abrir “filiais” pela cidade, visando ampliar a oferta, mas para isso era necessário retomar o número de beneméritos, que na época havia caído para 84 colaboradores. Em 1937, a Escola Portuguesa finalmente conseguiu juntar recursos para adquirir sua sede própria (até então, eram alugados ou cedidos), localizada na Rua Sete de Setembro, 79. Naquele mesmo ano, os alunos e professores tiveram a oportunidade de conhecer o famoso navio “Sagres”, da Marinha Portuguesa, então de passagem pelo Porto de Santos. A nova unidade foi inaugurada solenemente em 16 de janeiro de 1938, tendo como oradores os ilustres professores Amazonas Duarte, Nicanor Ortiz e Alberto de Carvalho. [[legacy_image_83496]] Ampliação de público Nos anos 1940, a figura de Cordovil Fernandes Lopes marcou a história da Escola Portuguesa, abrindo as portas da instituição de ensino para crianças que não necessariamente tivessem relação com a comunidade lusíada. Esse movimento fez a escola crescer e voltar a oferecer dois períodos de atendimento, contando com oito professores no quadro. Outro fato marcante aconteceu em junho de 1957, quando Santos recebeu a visita do então presidente de Portugal, Craveiro Lopes. Durante sua recepção no Centro Real Português, na Rua Amador Bueno, os alunos do colégio entoaram os hinos do Brasil e de Portugal. Mudança de perfil Em 1968, a instituição passou a apresentar sérios problemas de ordem financeira, além de testemunhar uma queda considerável no número de alunos. Era necessário, enfim, abandonar definitivamente a política de admissão prioritária de crianças ligadas à colônia portuguesa e iniciar o atendimento da demanda do entorno. Santos havia se transformado por demais. A oferta de outros estabelecimentos de ensino espalhados pela cidade aliada à alteração do perfil socioeconômico da Vila Nova e Paquetá exigiam mudança de postura. Contudo, não houve tempo para a reestruturação e a escola acabou encerrando suas atividades em 1970. O prédio da Escola Portuguesa, assim, acabou sendo alugado pelo Sesi (Serviço Social da Indústria), que lá permaneceu até meados dos anos 1980. Quando a entidade deixou o local, a edificação acabou ficando abandonada por alguns anos. A Colônia Portuguesa, sob a liderança do então vice-cônsul de Portugal, José Augusto Martins Ogando dos Santos, se reuniu para discutir a questão e decidiu reabrir a escola, só que desta vez com uma finalidade social, atendendo as crianças de 4 a 6 anos do entorno. Assim, de lá para cá, a Escola Portuguesa mantém sua tradição de cuidar dos desvalidos, dos filhos dos santistas que mais precisam, atuando mais do que uma instituição educativa, mas também social. Confira a programação dos 100 anos da Escola Portuguesa de Santos - Missa, cápsula do tempo, encontro de ex-alunos e o lançamento de um livro. A programação do centenário da Escola Portuguesa é ampla e se estende para além deste sábado (24); - Às 10 horas deste sábado (24), haverá missa em Ação de Graças na Catedral. A partir do meio-dia, cerimônia de lançamento da cápsula do tempo com a mensagem dos alunos de hoje para os alunos do futuro; - Um reencontro na Escola Portuguesa de ex-alunos de todas as épocas, ex-diretores, ex-funcionários, dentre outros que fizeram a história da instituição está previsto para o dia 26 de novembro, às 17 horas; - Na mesma data e local, a partir das 18 horas, será inaugurada a exposição de fotos históricas da Escola Portuguesa, organizada pela Fundação Arquivo e Memória de Santos. E no dia 11 de dezembro, às 10 horas, será promovida formatura da turma do Centenário; - Já em 2022, no dia 26 de março, às 18 horas, será lançado o vídeo-documentário comemorativo, produzido com depoimentos de vários ex-alunos da Escola Portuguesa. Ainda dentro das comemorações do Centenário, haverá uma Sessão Solene na Câmara Municipal de Santos, tão logo se permitam sessões presenciais na Câmara; - Encerrando as festividades dos 100 anos da escola, no dia 24 de julho, aniversário da escola, haverá o lançamento de livro comemorativo ao Centenário, que contará a história dos 100 anos da Escola Portuguesa, escrito pelo jornalista Paulo Rogério, com depoimentos de ex-alunos, funcionários e antigos diretores.