Rua Aguiar de Andrade ficou tomada pelos escombros do muro que caiu com os fortes ventos (Daniel Rodrigues/AT) A ventania que atingiu a Baixada Santista na quarta-feira (29), com rajadas que ultrapassaram os 100 km/h e provocaram uma série de estragos, foi resultado de um fenômeno meteorológico incomum para o inverno. Para A Tribuna, o meteorologista Márcio Bueno, da Tempo OK, explicou que o encontro entre uma frente fria e uma massa de ar quente e seco favoreceu a formação de uma chamada frente de rajada, responsável pela intensidade dos ventos registrados na região. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o meteorologista, episódios desse tipo são pouco frequentes nesta época do ano. "Frentes de rajadas são pouco comuns no inverno, já que a estação é mais seca, as temperaturas são mais amenas e não há grande contraste térmico entre massas de ar. As rajadas acima de 100 km/h foram consideradas expressivas para esta época do ano”, afirma. O meteorologista explica que o atual cenário climático também contribuiu para a formação do sistema, embora de forma indireta. "O El Niño favoreceu o aumento das temperaturas sobre o Sudeste, junto a intensificação da frente fria que atuou sobre o Sul do Brasil. A partir desse sistema, desenvolveu-se uma linha de instabilidade que avançou para o Sudeste, gerando a frente de rajadas responsável pelos ventos intensos registrados", detalha. Mudanças climáticas Sobre a influência das mudanças climáticas, o especialista afirma que elas podem favorecer eventos meteorológicos mais intensos, mas ainda não é possível estabelecer uma relação direta com esse caso. "O aumento da temperatura do planeta disponibiliza mais energia e umidade para a atmosfera. No entanto, ainda não há evidências de que frentes de rajadas, como a registrada na quarta, estejam se tornando mais frequentes devido às mudanças climáticas. Cada episódio precisa ser analisado individualmente", explica. Risco diminui A boa notícia, segundo o meteorologista, é que a tendência é de enfraquecimento dos ventos. "Com o afastamento da frente fria para o oceano, as rajadas devem ficar bem mais fracas e abaixo das velocidades registradas na última quarta-feira, reduzindo o risco de novos episódios extremos", afirma. Como forma de prevenção, Bueno recomenda que as pessoas acompanhem as previsões do tempo e os alertas emitidos pelos órgãos oficiais, como a Defesa Civil, adotando as orientações de segurança sempre que houver previsão de ventos fortes ou tempestades.