[[legacy_image_288739]] Nos comerciais de televisão, o recado era claro: "Vem pro Marza, vem". Fechado em 2011, depois de 38 anos de atividades em Santos, o Colégio Marza teve vários endereços - o último deles no Gonzaga, na Avenida Ana Costa e Rua Paraguai -, muitos alunos - chegou a 2 mil em um só ano, do maternal ao Ensino Médio - e completaria cinco décadas em 2023. Com a amizade afiada há mais de 45 anos - todos estão na faixa dos 50 e estudaram lá até o fim do Ensino Fundamental, mas em outro endereço da escola, entre as avenidas Floriano Peixoto e o Canal 2 -, uma das turmas revive, pelo menos a cada dois meses, sorrisos e histórias daqueles tempos. "Minha base é São Paulo, mas minha família está em Santos e a cidade me remete ao Marza. Foram praticamente 15 anos estudando ali. O cerne dessa turma reunida é o Marza", lembra o engenheiro de obras de infraestrutura, Gustavo Rodrigues. "A turma está mantida até hoje fruto da convivência e se tornou uma irmandade", afirma o construtor Sergio Luiz Pierre Gil Filho. Todos aqueles felizes jovens senhores vão, cumprindo à risca o slogan do colégio, mas para jogar bola - a ADPM (Associação Desportiva Polícia Militar, no Canal 6) foi o ponto - e, depois, tomar um chope no Heinz, tradicional bar do Boqueirão, a uma quadra da orla e do Canal 3. É o FutHeinz. [[legacy_image_288740]] No mais recente encontro, no sábado (12), uma presença inédita e mais do que especial: a de Domingos Martins Ferreira. Pelo nome inteiro, talvez, não seja familiar. Mas se mencionar Tio Domingos, tudo muda de figura. Ele criou a escola em 1973 junto com a então esposa Guiomar Elvira Pinto Ferreira, a Tia Marza. Sergio encontrou casualmente Domingos há pouco tempo. Ele, inclusive, mora perto do bar. E foi convidado a participar. Entre lágrimas e alegria, a emoção correu solta entre os "sobrinhos". "Gostava de todos os alunos. Cada um deles acaba sendo um parente. Para mim o colégio não era um negócio. Até é, mas é diferente. Era uma família. Se o pai chegava e dizia que precisava tirar o aluno porque não podia mais pagar, eu tentava dar um jeito, com desconto ou bolsa. Embora tudo tivesse um limite, fazia de tudo o que eu podia para evitar que o aluno deixasse de estudar. Educação é amor. Sem amor não tem", conta o Tio Domingos. Para quem não sabe, Marza é o apelido de Guiomar, que foi esposa de Domingos e atualmente reside em uma clínica de repouso. A professora queria ter uma escola e o sonho se concretizou. O pai dela sugeriu o nome, mas ela achava estranho colocar o apelido. Ele próprio, então, criou uma justificativa para cada letra: M de música, A de arte, R de recreação, Z de zelo e A de amor. "Mesmo quando saímos, eles sempre estiveram presentes em nossas vidas. Essa singela homenagem que a gente está fazendo não chega nem aos pés do que fizeram. Eles conduziam com disciplina, mas disciplina com amor. O nome dela é Guiomar, mas deveria ser Guiamor", comenta Rodrigues. [[legacy_image_288741]] Satisfação Em dezembro do ano passado, o Colégio Marza passou a ser da Prefeitura de Santos. A área foi comprada pelo Município para ampliação do número de alunos em tempo integral. Uma parte já era usada pela UME Edméa Ladevig, com entrada pela Rua Bahia. O início das obras está previsto para 2024. "Na época, alugamos o imóvel, fizemos uma reforma grande e construímos o ginásio de esportes. Fico satisfeito de ver. Passava na frente do prédio e o via abandonado. Me dava uma dor no peito. Agora, sabendo que vai ser a escola, me deu satisfação", revela. As irmãs de Gustavo Rodrigues estudaram no prédio no Gonzaga, local também da formatura da turma delas. "Cheguei a visitar e ir vê-los. Quando ia buscar minhas irmãs, fazia questão de dar um abraço neles. Quando eu passo ali na Avenida Ana Costa, vem tudo isso à memória". Já Sergio soube pela reportagem que o imóvel é, agora, de propriedade da Prefeitura e deixou uma sugestão em nome da nostalgia. "Manter o nome seria uma bela homenagem a esta instituição tão importante para tantas pessoas".