[[legacy_image_261007]] A Progresso e Desenvolvimento de Santos S.A. (Prodesan), empresa de economia mista que tem a Prefeitura como principal acionista, terminou o ano passado com prejuízo de R\$ 13,978 milhões. O saldo negativo supera o de 2021, de R\$ 5,865 milhões, e leva a Prodesan a prejuízos acumulados de R\$ 370,9 milhões desde sua criação, em 1965. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os números constam nas demonstrações financeiras da empresa, publicadas ontem no Diário Oficial do Município e em A Tribuna. Em relatório, o diretor-presidente e presidente do Conselho de Adminstração da companhia, Odair Gonzalez, pondera que, excluídos os encargos financeiros (leia adiante), a Prodesan teria encerrado o ano com lucro de R\$ 4 milhões. O documento indica elevação de 15,1% na receita operacional bruta, que subiu de R\$ 73,366 milhões para R\$ 84,448 milhões entre 2021 e 2022, e de 41,7% no lucro bruto — o resultado da diferença entre o saldo das receitas e o abatimento de impostos e custos de serviços e produtos vencidos —, de R\$ 13,154 milhões a R\$ 18,634 milhões. Também se menciona a redução nas despesas com pessoal, de R\$ 13,485 para R\$ 11,218 milhões. Contudo, ainda conforme o relatório, o prejuízo se deu por renegociações de valores com a Prefeitura. Ao todo, R\$ 18,1 milhões em multa, juros e correção sobre parcelamentos. Uma delas, em torno de R\$ 14 milhões, consiste na tentativa de amortizar o saldo devedor de um termo de 2011, no qual o Município assumiu débitos da Prodesan com a Fazenda Nacional e a Receita Federal. Outra questão é o fato de o saldo remanescente de um termo para amortização de dívidas fiscais, firmado com a Administração, ter vencido em junho, e o valor não ter sido renegociado pela Prefeitura. O total geral das dívidas da empresa era de R\$ 332,885 milhões no final de 2022, dos quais R\$ 145,010 milhões com o INSS e R\$ 150,589 milhões da soma de débitos e encargos referentes ao Termo 43, feito com a Prefeitura. Considerações À Reportagem, Odair Gonzalez comentou que a Prefeitura é a principal cliente da Prodesan — da qual o Município detém 99,3% das ações — e responsável por 80% dos valores que a empresa tem a receber. Como nova fonte de receita, afirma que, neste mês, deve assinar um contrato com a Prefeitura para a manutenção das escolas municipais que renderá cerca de R\$ 450 mil por mês. Também cita haver dinheiro em caixa, a ponto de substituir locações por aquisições de caminhões (dois, afirma) e máquinas. “Estamos fazendo milagre na administração, com muito empenho nosso. (...) A empresa não dá prejuízo para o Município”, diz Gonzalez, ao se referir aos resultados financeiros e excluir juros sobre dívidas. Funções A Prodesan, com cerca de 1,2 mil funcionários, presta serviços à Prefeitura de Santos como os de tecnologia da informação, fiscalização e controle dos serviços de limpeza pública, coleta seletiva, conservação de vias públicas, limpeza dos canais de drenagem e elaboração de projetos para prevenção e combate a incêndios em edifícios municipais. Uma curiosidade é a diminuição do volume de recolhimento do material reciclável, de 3.713,38 para 3.194,89 toneladas de 2021 para 2022. Segundo a empresa, tem havido redução gradual “em razão da ação crescente de empresas e ‘catadores’, que, conhecendo a programação dos serviços, fazem a coleta antes do horário programado no roteiro da Prodesan”.