O empresário Fábio Mocci Rodrigues Jardim, morto aos 42 anos (Arquivo pessoal/Sabrina Altenburg) O empresário Fabio Mocci Rodrigues Jardim, de 42 anos, morreu durante exame de ressonância magnética realizado em uma clínica no bairro Encruzilhada, em Santos. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, após o laudo do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), localizado no Hospital Guilherme Álvaro, apontar que o paciente teve uma parada cardiorrespiratória após receber 15 mg de um sedativo para realizar o exame. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No documento do SVO, consta que é "prudente e necessário o exame necroscópico e toxicológico a ser realizado por perito médio legista (CID - Y140 - Envenenamento [intoxicação] por exposição a outras drogas, medicamentos e substâncias biológicas, não especificadas]". O corpo do empresário foi enviado para o Instituto Médico Legal (IML) e o laudo que deve concluir a causa da morte deve sair nos próximos 90 dias. A viúva Sabrina Altenburg Penna, de 44 anos, acompanhou o marido durante o exame realizado na clínica Mult Imagem na última terça-feira (22). Ela foi informada que o esposo havia morrido por causa de um infarto fulminante sofrido dentro da máquina de ressonância magnética e, agora, busca respostas. A intenção dela não é apontar culpados, mas sim descobrir o que houve. “Quando veio esse laudo [do SVO], eu fiquei totalmente perdida e angustiada. Meu coração apertou demais. O que aconteceu com ele? O que ele passou? Eu preciso saber”, diz. A Tribuna entrou em contato com a Mult Imagem para pedir explicações e um posicionamento sobre o ocorrido, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O casal Fábio Mocci e Sabrina Altenburg, juntos há 11 anos (Arquivo pessoal/Sabrina Altenburg) 40 minutos de desespero O dia 22 de outubro ficará marcado para sempre na memória de Sabrina. Nesta data, o marido deveria passar por uma ressonância magnética. O objetivo do exame era investigar o excesso de sono que o empresário vinha sofrendo: até mesmo na entrevista com a médica da clínica ele estava sonolento. O exame estava marcado para às 12h, mas só começou a ser realizado às 14h. Antes de entrar na sala para realizar a ressonância, o casal informou aos médicos responsáveis todas as condições de saúde do empresário, como peso, hipertensão, hábito de fumar, medicações e alergias. O paciente, inclusive, optou por não usar contraste para fazer o exame, pois é alérgico ao iodo que compõe a substância. Após o marido começar o exame às 14h, Sabrina conta que deu uma breve saída para comprar algo para comer e retornou em torno de dez minutos. Logo após voltar, reparou em uma movimentação estranha na sala onde o esposo estava fazendo a ressonância. “Saiu uma pessoa lá de dentro agitada. Depois entraram mais duas, aí saiu mais uma. Aí eu levantei e perguntei o que estava acontecendo. A moça falou ‘Não, está tudo bem’, e eu falei ‘Não, não está’”, lembra. Segundo a comerciante, a funcionária que ficou na porta da sala informou a ela que o marido tinha passado mal, mas estava tudo bem. Como o empresário sofria de refluxo, Sabrina imaginou que o esposo poderia ter vomitado durante o exame. A viúva chegou a comentar com uma das filhas, por telefone, que o “papai não estava passando bem”, mas fez conforme foi orientado e esperou, angustiada, pelo marido do lado de fora. Por volta das 15h, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) chegou ao local. “Demorou muito. Foram exatos 40 minutos quando eu olhei e vi dois socorristas do Samu chegar. E ai eu entendi que tinha acontecido alguma coisa mesmo. Eu levantei e quando os socorristas abriram a porta para entrar na sala eu vi que tinha uma moça fazendo uma massagem cardíaca nele”, diz Sabrina. Caso é investigado Os médicos do Samu prestaram atendimento ao empresário, mas logo depois uma médica da clínica informou Sabrina que o esposo tinha morrido por conta de um infarto fulminante. Mesmo com todo o desespero, a comerciante seguiu todas as orientações recomendadas: ela registrou um boletim de ocorrência e encaminhou o corpo do marido ao SVO que, por fim, solicitou um laudo do IML para investigar a morte suspeita. Por causa de todo esse trâmite, Fabio Mocchi só pode ser enterrado na quinta-feira (24). Além de Sabrina, ele deixou uma filha de 6 anos, uma enteada de 14, e a mãe, uma idosa de 77 anos, que perdeu o marido há três meses. Ele era filho único. “A minha filha mais velha só chora. E eu quero chorar, mas tenho que me mostrar forte para não abalar a minha pequena para não piorar mais a situação”, desabafa a viúva. Fábio Mocci Rodrigues Jardim deixou duas filhas, de 6 e 14 anos (Arquivo pessoal/Sabrina Altenburg) Em nota, a Prefeitura de Santos informou que o Samu foi acionado para por volta das 15h. Segundo a Administração, os profissionais encontraram o empresário sendo atendido por um médico da clínica. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso está sob investigação no 2° Distrito Policial de Santos. O laudo no IML está em andamento e, assim que finalizado, será analisado pela autoridade policial. "Vale esclarecer, que o processo para conclusão dos laudos demanda tempo devido à sua complexidade e o prazo pode ser estendido por questões técnicas, em casos excepcionais. Quando isso ocorre, a autoridade solicitante sempre é comunicada", diz a nota da pasta.