[[legacy_image_94790]] “Vendia pastel na feira todos os dias para poder pagar as mensalidades da faculdade", lembra o massagista Marcio Teruo Takayassu, hoje aos 47 anos. Há cinco, ele trocou a barraca de pastel herdada do pai, Minoro Takayassu, pelo próprio negócio como massagista, em Santos, no litoral de São Paulo. Marcio atua desde 2017 com técnicas de shiatsu, massagem terapêutica realizada com a pressão dos dedos ou palmas das mãos em determinadas áreas do corpo, aperfeiçoadas por ele e pelo pai. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! "Morei no Japão por muitos anos e voltei para o Brasil em 2001. Um ano antes, o meu pai veio e comprou a barraca de pastel, para tentar paralelamente o shiatsu e a vida na feira. Eu passei a tomar conta da barraca e meu pai seguiu com as massagens". A rotina corrida de Marcio envolvia acordar de madrugada, finalizar a preparação dos pastéis, ficar até o começo da tarde na feira, e voltar para casa para começar a preparação dos materiais para o dia seguinte. Marcio afirma sempre ter tido o desejo de cursar Medicina, porque tinha desejo de cuidar das pessoas, mas teve de optar por um curso mais barato, cujas mensalidades eram pagas com as vendas dos pastéis. "Em 2003, comecei a faculdade de Educação Física e trabalhei no laboratório de Anatomia. Era mais corrido ainda, porque fazia a faculdade à noite e já levantava de madrugada". Nos finais de semana, também vendia na FeirArte, montada aos sábados no Boqueirão e domingo, na Aparecida. Transição de carreiraDa Educação Física, Marcio passou, aos poucos, a fazer uma transição para continuar os passos do pai. "Ele queria que eu seguisse a carreira com ele, só que eu não tinha pretensão nenhuma em ser massagista, então eu tocava a barraca de feira. Trabalhei com instrumentação cirúrgica, continuei como monitor das aulas de anatomia na universidade, dei aulas, tudo para conhecer a fundo a anatomia humana". "Quando tinha alguma dúvida, meu pai me procurava para ajudar a entender os músculos que devia mexer durante a massagem", conta Marcio. Foi a partir daí que os dois começaram a desenvolver uma técnica própria de shiatsu. "Ele não tinha formação nenhuma, fez até a quarta série. No Japão, a gente fez um curso de shiatsu, mas era muito básico. Então juntamos os conhecimentos de anatomia para desenvolver essa técnica em família". Marcio ainda fez cursos, como o de acupuntura australiana, para ajudar a aperfeiçoar os aprendizados. Após a morte do pai em 2014, Marcio ainda adiou a transição de carreira. Mas seguir o sonho do pai era inevitável. Em 2017, começou o próprio negócio como massagista, que só podia homenagear uma pessoa: no 'Espaço Minoru Takayassu', a nova rotina é bem diferente. Antes, Marcio acordava de madrugada, hoje em dia começa a trabalhar às 7h e vai até as 21h. "Ainda é trabalho o dia inteiro, mas uma vivência bem diferente". "Com certeza ele [Minoro] está muito orgulhoso. O sonho dele em vida era que eu ficasse do lado dele. Ele sempre dizia 'o único que sabe fazer massagem é o Marcio', mas eu batia o pé que eu não ia fazer. Ele deve estar dando pulo de alegria, muito contente". [[legacy_image_94791]]