[[legacy_image_231558]] Cerca de 80% dos chamados na central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Santos não se enquadram no âmbito de urgência e nem de emergência, que são os objetivos do serviço. A informação é do responsável pelo Núcleo de Educação Permanente (NEP-Samu-Santos), Carlos Alberto Yoshimura, que ajudou a criar uma campanha de conscientização sobre quando chamar pela ajuda. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Nós sentimos a necessidade desta campanha, porque está acontecendo a subutilização de serviço extremamente necessário para chamados que são desnecessários e a gente acaba prejudicando aquelas pessoas que realmente precisam”, explica. Segundo a Prefeitura de Santos, dos cerca de 100 chamados feitos diariamente ao número 192, 80 deles são solicitações que não deveriam ser destinadas ou trotes. O profissional afirma que, desde que o Samu foi criado, não houve nenhum movimento nas esferas de informação para conscientizar o público sobre a utilização do serviço e que a ação é inédito em Santos e deve, futuramente, servir de inspiração para outras cidades do País. “A gente quer começar explicando a definição do que é urgência e do que é emergência. Uma emergência é quando você tem um evento em que haja risco de vida iminente, como um engasgamento, um afogamento, uma parada cardiorrespiratória, um acidente vascular cerebral, ferimentos por arma de fogo ou arma branca”, afirma. O Samu atende urgências e emergências. Saber distinguir ambos e quando não se enquadra nesses casos é essencial para evitar o chamado desnecessário. “Uma urgência é um evento em que tem a necessidade de ser atendido rápido, com risco de vida, mas não iminente”. “A emergência respiratória é a única que não pode esperar. Você tem sete a quinze minutos no máximo pra fazer uma intervenção, senão essa pessoa vai morrer. Então tudo que envolva uma parada da respiração, é a emergência mais importante de todas”, diz. A campanha foi publicada no Diário Oficial, pela Prefeitura de Santos, na segunda-feira (19). Agora o profissional estuda e começa a analisar a divulgação de materiais de conscientização nos meios de comunicação. “Saiba usar o Samu, há risco de vida. Você pode um dia precisar e esse recurso não estará disponível para você”. “Às vezes com as pessoas leigas, decidir quando chamar ou não fica difícil. O Samu não é táxi. Tem vezes que a pessoa tem carro na garagem e pede o serviço. Ou é uma coisa simples, como uma tosse, uma febre, ou uma gripe. Isso não é uma emergência, então é um recurso desperdiçado”, informa. O atendimento do Samu é 24 horas. A Prefeitura informou que Santos possui 17 veículos destinados para o serviço, incluindo os quadriciclos que começaram a operar no final de semana para atendimento emergencial na faixa de areia, sendo os primeiros a adotarem a medida em todo o Litoral. A Administração ainda reforçou que há o Suporte Avançado de Vida, uma espécie de UTI Móvel, que conta com médico, enfermeiro e socorrista. Parte da frota fica espalhada em pontos estratégicos e outras na sede da entidade, na Encruzilhada. Para a Prefeitura, o ideal é chamar o samu quando houver ocorrência de problema cardiorrespiratório, intoxicação exógena e envenenamento, queimaduras graves, ocorrência de maus tratos, trabalhos de parto em que haja risco de morte da mãe ou feto, tentativa de sucídio, crises hipertensivas e dores no peito de aparecimento súbito, quando houver acidentes e traumas com vítimas. Além disso, também quando for caso de afogamento, choque elétrico, acidentes com produtos perigosos, suspeita de infarto ou AVC, agressão por arma, soterramento e desabamento, crises convulsivas, transferência inter-hospitalar de doentes graves e outras situações consideradas de urgência ou emergência, com risco de morte, sequela ou sofrimento intenso. Em contrapartida, a Administração Municipal relembra que não é necessário pedir o serviços em casos de febre prolongada, dores crônicas, transporte de óbito, dor de dente, transferência sem regulação médica prévia, trocas de sonda, corte com pouco sangramento, entorses, cólicas renais e todas as demais situações nas quais não se caracterize urgência ou emergência médica.