Concorrência de 2,2 candidatos por vaga reflete desafio de adolescentes que tentam ingressar no mercado sem experiência (Alexsander Ferraz/AT) A busca pelo primeiro emprego levou 1.679 jovens a disputar, nesta segunda-feira (19), 760 vagas gratuitas de formação profissional no Centro de Aprendizagem e Mobilização Profissional e Social (Camps) de Santos. A concorrência, de 2,2 candidatos por vaga, reflete um desafio enfrentado por adolescentes que tentam ingressar no mercado de trabalho sem experiência profissional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação entre brasileiros de 14 a 17 anos chegou a 19,9% no quarto trimestre do ano passado. Entre pessoas de 18 a 24 anos, a taxa nacional ficou em 11,4%. “Está difícil para todo mundo, mas para o menor aprendiz está em dobro”, avalia Gisele Tinoco Magalhães, diretora do Camps Santos. Ela afirma que houve um aumento na procura por vagas em relação ao ano passado e prevê o cenário se repetindo nos próximos anos. O curso oferece conhecimentos básicos de informática, administração e gestão e trabalhar habilidades sociais. Segundo a diretora, mais de 80% dos jovens que passam pela formação conseguem empregos. A busca pelo primeiro emprego levou 1.679 jovens a disputar as 760 vagas gratuitas (Alexsander Ferraz/AT) O Camps tem parcerias com mais de 220 empresas e órgãos públicos. As maiores oportunidades estão nas áreas administrativa, portuária e de logística. Para ampliar o atendimento e o número de vagas, a instituição reforma um prédio vizinho à sede e busca novas parcerias. Primeiras oportunidades A seleção teve a prova de produção de texto realizada nesta segunda-feira (19), em três períodos, na sede da instituição, na Vila Mathias. Os aprovados serão divididos em duas turmas, com início no primeiro e no segundo semestres de 2027. Haverá prioridade a estudantes nascidos em 2011, com frequência escolar e residentes em Santos. A instituição faz triagem socioeconômica para atender jovens em situação de vulnerabilidade. Gisele: 80% conseguem emprego (Alexsander Ferraz/AT) Entre os candidatos, a expectativa de conquistar independência financeira se mistura aos planos para o futuro. Aos 14 anos, Ana Carolina Neto vê a formação como um modo de começar a carreira e pretende guardar o dinheiro que ganhar para investir nos estudos e na faculdade. Para Júlio César Palhas, de 15 anos, o curso é “uma experiência que vai abrir várias portas no futuro”. Enzo Gabriel Almeida, também de 15 anos, decidiu participar inspirado na própria família. “Minha família inteira passou por aqui, então, eu também quero passar. É meu sonho.”