Dados referentes à decisão do último dia 27 foram tornados públicos pelo Tribunal Superior Eleitoral (Vanessa Rodrigues/AT) A eleição que teve o maior índice de abstenções deste século em Santos, com 33,74% do eleitorado ausente no segundo turno da disputa pela Prefeitura, teve quantidade de faltosos acima da média entre eleitores menores de 40 anos e comparecimento mais intenso entre os mais velhos para os quais votar ainda é obrigatório — até os 69. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados referentes à decisão do último dia 27 foram tornados públicos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também permitem saber, com base nas informações prestadas pelo eleitor ao registrar ou atualizar o título, dados como gênero, grau de instrução, cor e estado civil de quem foi ou não votar (leia adiante). Entre os eleitores para os quais o voto é obrigatório — na faixa dos 18 aos 69 anos —, aqueles que têm de 25 a 29 anos foram, de modo proporcional, os mais ausentes: 43,17% dos 27.289 registrados não compareceram às urnas. A seguir, estão os que têm de 21 a 24 anos, com 40,82% de abstenção, ou 7.684 dos 18.823 votantes desse grupo. Também em termos proporcionais, eleitores mais jovens não obrigados a votar, com 16 e 17 anos, foram menos faltosos; 21,27% dos que têm 16 e 32,31% dos de 17 anos não apareceram. O não comparecimento no outro grupo do voto facultativo, de cidadãos com 70 anos ou mais, do contrário, ficou perto de seis em cada dez (59,75%). Esses 34.526 eleitores que não encararam as urnas, independentemente do motivo, representaram 28,93% de todos os 119.324 inscritos em Santos que não votaram para prefeito no dia 27. MAIS IDADE, MAIS PRESENÇA Quantos mais velhos os eleitores obrigados a votar, maior a presença. Em todas as faixas em que o TSE divide o grupo dos 40 aos 69 anos, a abstenção foi inferior à média geral. As mais baixas, nos estratos de 60 a 64 anos (17,81%), de 65 a 69 (18,30%) e de 55 a 59 (18,90%) — as únicas em que ficou abaixo de 20%. Na primeira faixa do voto facultativo, de 70 a 74 anos, houve menos faltosos, de modo proporcional, do que em idades inferiores. Enquanto, nesse grupo, o total de ausentes foi de 38,83%, foi superado nas faixas de 25 a 29 anos e de 21 a 24 (leia no terceiro parágrafo). PONTO COMUM Um fato comum é que, em 21 das 23 faixas etárias nas quais se dividem as estatísticas do TSE, o total de ausentes no segundo turno foi maior do que no primeiro. As duas exceções foram entre os eleitores com 100 anos ou mais, na qual, tanto em 6 quanto em 27 de outubro, foram às urnas cinco eleitores (outros 463 faltaram, ou 98,93%), e na de idade não especificada, com um presente e três ausentes (75%). CONVITE NÃO FEZ EFEITO Cientistas políticos consideram que o convite feito pelos candidatos Rogério Santos (Republicanos, reeleito) e Rosana Valle (PL), para que os ausentes no primeiro turno fossem às urnas no segundo, falhou numericamente, pois menos pessoas haviam faltado no dia 6 (29,26%), e em termos ideológicos. A professora universitária Clara Versiani entende que Santos teve “duas candidaturas que não representavam muita diferença uma da outra. É como se houvesse um terço da população não se sentindo representada por candidatos de direita e centro-direita”. Há, na visão de Clara, o “crescimento da percepção de desigualdade (social), de desencanto. Nenhuma das duas candidaturas da Cidade conseguiu trazer propostas de encantamento”. Em especial, para mais jovens, que buscam entrar no mercado de trabalho. Responsável pela metodologia e Relações Institucionais do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), Alcindo Gonçalves alia o desencanto à necessidade de buscar oportunidades fora de Santos. E isso, diz, pode ter causado maior abstenção entre trabalhadores de menos idade — tanto por faltarem porque quiseram quanto por, talvez, não terem transferido o título. Ao tratar dos eleitores mais velhos ainda obrigados a votar e que o fizeram em maior proporção que os demais, Gonçalves entende que “se acostumaram” a décadas de ida às urnas e encaram com mais firmeza esse dever. Clara vê outro aspecto: o conservadorismo, que, para ela, se traduz no fato de que adultos mais velhos são de uma “geração mais estabelecida e, por isso mesmo, menos desencantada. Alcançando alguma estabilidade, a tendência é desejar que as coisas permaneçam como estão”.