[[legacy_image_211836]] Uma nova geração de jovens surge com o passar do tempo. Essa parte da população molda um perfil geracional na sociedade, no mercado de trabalho e na política. Os adolescentes que estão completando o ensino médio e ingressando em faculdades vêm de uma fase histórica marcada pelas dificuldades impostas pela pandemia. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para a pró-reitora acadêmica da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Elaine Marcílio Santos, há um desafio ao conseguir lidar com esse jovem que estudou remotamente durante a pandemia e tem um perfil desacreditado. “Acabamos não tendo a oportunidade de opinar sobre as fragilidades do aluno que nós pegamos. Temos um processo onde nós damos aula de português, matemática e biologia. É uma aula facultativa, porque não faz parte do currículo de graduação desse aluno em nenhum dos cursos, mas nós fazemos isso para poder minimamente nivelar a entrada do estudante para possa ter uma condição mínima de informação”, explica. A pró-reitora entende que é fundamental ouvir os educadores de base do estudante em todo o País, junto ao Ministério de Educação, para escutar as necessidades da sociedade e entender como os alunos estão chegando às universidades. “Estou recebendo alunos do ensino médio e vou receber o fruto dessa pandemia durante um período”, reforça. “Neste grupo de alunos entendo que uma fragilidade ocorreu com esses dois anos de ensino remoto. Muitos se alfabetizaram com esse método, teve toda a questão de algumas escolas não terem os dispositivos de tecnologia e, no caso do ensino fundamental e médio, a complexidade do aprendizado do aluno. Nós estamos falando de alfabetização, de formação, de diagnóstico reflexivo e interpretativo do aluno”, afirma. Para enfrentar a pandemia, a educadora conta que criaram o comitê gestor de crise. Por ele, foi criado um ambiente virtual chamado ‘Unimes Presente’ para que o aluno se sentisse acolhido durante o isolamento social. O núcleo de apoio psicopedagógico supervisionava este âmbito e garantia a inclusão do estudante. “Hoje eu recebo um aluno um pouco desacreditado. Tenho que pegar muito mais na mão dele do ponto de vista social e emocional. Então hoje eu tenho uma política de egresso mais forte, onde eu tenho um olhar de qual está sendo trajeto desse meu aluno, quais as dificuldades e ele tem um ambiente que ele pode dialogar”, conta. Tempos de mudanças Outra mudança que a doutora afirma ter passado recentemente, foi o perfil que o mercado de trabalho busca em um profissional. “Esse cidadão tem que ter um olhar humanista. Precisa ter um foco técnico de conhecimento da área em que está atuando, mas que dialogue com todos os setores, que tenha uma abordagem social e um compromisso com a sociedade”, informa. “Nós que temos chance de ocupar espaços acadêmicos, temos um compromisso com a sociedade. 17% da população brasileira tem acesso aos bancos acadêmicos. É muito mais do que a habilidade e competência que eu adquiro em uma universidade, eu tenho que ter esse olhar da sociedade, dos problemas da região onde eu estou instalado e ter olhar analítico”, diz. Além disso, a educadora explica que o olhar empreendedor está se expandindo para diversas áreas. Antes o que era centrado em cursos como administração ou logística, agora está sendo repassado para formações de licenciatura e bacharelado, como letras, engenharia e direto. “O desafio é que agora todos esses setores têm que sentar e dialogar. As universidades formam um cidadão com uma habilidade de competência e que hoje se observa que ele tem que ter um complemento muito maior do que especificamente as habilidades e competências que ele tem para a sua formação específica”, comenta. Existe também uma questão regional que, para ela, necessita de atenção. A educadora acredita que o ensino superior precisa dialogar com o contexto da região em que vive. “Com foco no desenvolvimento tecnológico, nas necessidades de saúde da região e, inclusive, com as necessidades de formação de docentes para uma melhora da universidade, da cidade e de toda a região”, explica. “A universidade segue uma diretriz curricular do Ministério da Educação do País no que formar, mas ela tem que formar um profissional ligado com as necessidades da região. Eu tenho um curso de direito que apresenta disciplinas como direito portuário. É muito necessário para a questão regional”, conclui.