Queda do avião onde estava Eduardo Campos no Bairro Boqueirão (Walter Mello) Em 13 de agosto de 2014, Santos entrou para a história das eleições presidenciais brasileiras por um acontecimento que interrompeu de forma trágica uma campanha eleitoral. Naquela manhã, o avião que transportava o então candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB), caiu em uma área residencial do Bairro Boqueirão. O acidente matou as sete pessoas que estavam a bordo. Campos tinha 49 anos e era ex-governador de Pernambuco. Na eleição daquele ano, disputava a Presidência em uma corrida que tinha 11 candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre eles estavam Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB), Luciana Genro (PSOL), Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV), Levy Fidelix (PRTB), José Maria Eymael (PSDC), Mauro Iasi (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU). A eleição estava marcada para 5 de outubro, menos de dois meses depois da tragédia. Campos havia programado uma série de compromissos na Baixada Santista naquele 13 de agosto, incluindo entrevistas e uma atividade relacionada ao Porto de Santos. Ele, porém, não chegou a cumprir a agenda. A queda no Boqueirão O Cessna Citation 560 XL, de prefixo PR-AFA, decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino à Base Aérea de Santos, localizada em Vicente de Carvalho, no Guarujá. Durante a aproximação para o pouso, as condições meteorológicas eram desfavoráveis. A aeronave arremeteu e, depois, perdeu contato com o controle de tráfego aéreo. Pouco depois das 10 horas, caiu na região das ruas Alexandre Herculano e Vahia de Abreu, no Boqueirão. Além de Campos, morreram os pilotos Geraldo Magela Barbosa da Cunha e Marcos Martins e quatro integrantes da equipe do candidato: o jornalista Carlos Augusto Leal Filho, o assessor Pedro Valadares Neto, o fotógrafo Alexandre Severo e Silva e o cinegrafista Marcelo de Oliveira Lyra. A queda também atingiu a área urbana. Moradores tiveram imóveis danificados. A Prefeitura de Santos mobilizou equipes da Saúde, Guarda Municipal, trânsito e Defesa Civil e decretou três dias de luto oficial. O que provocou o acidente? Segundo o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), não existe uma única “causa” atribuída ao acidente. O órgão trabalha com a identificação de fatores contribuintes para acidentes aeronáuticos. O relatório final apontou que as condições meteorológicas adversas contribuíram para o acidente. A investigação também identificou condições favoráveis à desorientação espacial da tripulação, em um cenário de baixa visibilidade, aumento da carga de trabalho e arremetida. O documento registrou ainda que os pilotos não tinham treinamento específico para o modelo da aeronave utilizada. O relatório apontou também que a aeronave havia sido conduzida por uma rota diferente daquela prevista para os procedimentos de aproximação. A combinação desses fatores levou à perda de controle durante o voo em condições meteorológicas por instrumentos. É importante distinguir essa investigação da apuração criminal. Em reportagem publicada em 2023, A Tribuna informou que a Polícia Federal concluiu o inquérito em 2018 sem determinar o que provocou a queda, apontando quatro possíveis causas e observando a ausência ou inoperância de equipamentos na cabine que poderiam ajudar a esclarecer a dinâmica do acidente. Dez anos depois, em 2024, A Tribuna voltou ao local e registrou que moradores ainda buscavam na Justiça o ressarcimento pelos danos provocados pela queda.