[[legacy_image_15820]] O pior cenário previsto para disseminação do coronavírus em Santos deve ser ultrapassado. Em 19 de março, o médico infectologista Marcos Caseiro projetou, em entrevista para A Tribuna, 2.137 casos na Baixada Santista, 496 só em Santos. Isso em projeção pessimista. Como base para o cálculo, usou os dados da doença na China. Porém, o número já está perto de ser atingido: 433 nesta quinta-feira (23). “Não é o momento de abrir (o isolamento). Temos dados de hospitais de Santos que falam de 10% até 30% dos profissionais afastados (com a doença). Se nós continuarmos com as medidas que estamos tomando, vamos passar um pouquinho (496 casos). Mas o que estamos vendo aqui é uma enorme movimentação de pessoas, é temeroso”. Para Caseiro, se a quarentena acabar, deve ocorrer um pico da doença na cidade, com “certeza” de colapso do sistema de saúde. “Se pegar essa faixa etária mais afetada (idosos), que precisa de mais hospital, não teremos. Por isso, não podemos afrouxar”. Panorama difícil O infectologista Evaldo Stanislau diz que os números da Baixada Santista preocupam, mas não surpreendem. “É uma região de pessoas idosas, com doenças crônicas, é esperado um impacto preocupante. A notícia boa é que fizemos a lição de casa, antes de a covid-19 chegar. Enquanto algumas regiões já estão sofrendo, nós estamos conseguindo atender a demanda”. Stanislau lembra, porém, que isso não significa que o pior já passou. “É difícil saber quando vai acontecer um pico. Temos percebido movimento nas cidades da região, as pessoas indo mais para a rua. Talvez a gente comece a acelerar a disseminação. É possível que maio seja um período crítico para nós”.