[[legacy_image_83497]] Parte dos 100 anos da Escola Portuguesa de Santos, completados neste sábado (24), foi acompanhada de muito perto por uma pessoa: Maria Regina Machado Prieto, a diretora que assumiu o comando da escola em maio de 1986 e, de lá para cá, vê passar gerações de alunos que se formam no infantil. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em 35 anos como diretora da Escola Portuguesa, acolheu centenas de crianças moradoras das redondezas, que entram aos 4 anos e só saem aos 6, já alfabetizadas. “Muitas famílias nos pedem para abrir classes de 1ª série, para que as crianças continuem aqui, mas não temos condição nem espaço para isso”, diz. Regina começou sua vida profissional em colégio particular, mas diz não trocar o trabalho na Escola Portuguesa por outro. “São famílias muito simples, que deixam seus filhos aqui pela manhã e só buscam no final da tarde. Aqui elas têm quatro refeições, aulas, música, informática e podem brincar. Queremos que sejam felizes aqui”. A pandemia desafiou a diretora e sua equipe a continuar os laços com as 120 famílias. Como o público é, em geral, formado por moradores dos cortiços da área central, dos morros e de bairros periféricos, manter a alimentação era a prioridade. “Trocamos as refeições aqui por cestas, e todos vinham buscá-las aqui”. Aposentar não está nos planos de Regina, que garante ter ainda “muito o que fazer” na escola, especialmente quando a pandemia acabar. “O barulho das crianças me faz bem”. Regina Alonso, de 78 anos, é escritora, poeta e foi aluna da Escola Portuguesa entre 1950 e 1953. Ela relembra os bons tempos que teve na instituição. “Naquele tempo, morávamos todos por ali, na Bittencourt, Sete de Setembro, Conselheiro Nébias, Braz Cubas. Eu morava com meus pais e mais seis irmãos no 285 da Bittencourt. Era um sobrado com quintal, porão e tudo muito bem cuidado. A Escola Portuguesa está nas minhas melhores lembranças. Dona Mercedes era a diretora e seu Cordovil o inspetor. Além das aulas, aprendíamos sobre danças típicas de Portugal, a cultura, a culinária. Mas o gostoso era que tudo isso estava junto com aulas sobre as raízes brasileiras também. Havia uma valorização forte do teatro, da Literatura, da História. Mas foi a professora Luiza Simões que me marcou profundamente. Pela admiração que tinha por ela decidi seguir o Magistério e, depois, ser professora. Fui professora a vida inteira, até me aposentar pela Prefeitura”. Escola vive com orçamento apertado A pandemia fez reduzir as doações voluntárias à Escola Portuguesa, mas nenhum dos 16 funcionários foi demitido: oito professores, duas secretárias, um auxiliar de limpeza, duas cozinheiras, uma nutricionista, um coordenador, além da diretora. Por mês, são R\$ 60 mil de despesas, nem sempre cobertas pelo subsídio da Prefeitura ou a ajuda dos ‘padrinhos’, como a escola chama os colaboradores. José Augusto do Rosário, presidente da escola há seis anos, diz encontrar no público atendido pela escola - crianças carentes dos bairros vizinhos - semelhanças com sua própria infância. “Éramos sete filhos de uma família muito humilde”. José Augusto destaca a relação de afeto que se estabelece com as crianças atendidas (de 4 a 6 anos). “Muitas não querem ir embora depois de formadas. E temos aqui muitos filhos de ex-alunos da escola”. A falta de eventos beneficentes nesses tempos de pandemia prejudicou o caixa, mas José Augusto atribui à equipe de funcionários e à diretoria o mérito por manter a escola em pé. “Se um dia ela fechar, será uma bandeira portuguesa que deixará de tremular, e isso não pode acontecer”.