[[legacy_image_101708]] Copos plásticos, bitucas de cigarro, papéis, garrafas plásticas, camisinhas e latinhas de alumínio já não estão mais sozinhos quando o assunto é o lixo jogado nas vias de Santos. Agora, ganharam uma companhia de peso: as máscaras. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A pedido de A Tribuna, a Terracom, empresa responsável pela limpeza urbana da Cidade, recolheu e separou, por seis dias úteis, todas as máscaras encontradas pelas margaridas que trabalham na varrição. A intenção era fazer uma espécie de varal com todas elas para dar ao leitor a real dimensão da quantidade, mas o trabalho levaria horas e foi abortado. Uma estimativa modesta do diretor de Operações da Terracom, Antônio de Mello Neto, indica que, em seis sacos de 100 litros cada, havia pelo menos 2 mil máscaras atiradas pelas pessoas em ruas, avenidas, praças, jardim da praia, calçadas e demais espaços públicos. A maioria parece do tipo descartável, mas há muitas de tecidos variados e as N95, mais resistentes e de maior proteção. Recorrendo à Matemática, se em seis dias a varrição retirou das ruas 2 mil máscaras, em um ano de pandemia mais de 121 mil objetos potencialmente infectantes podem ter sido descartados em espaços públicos. Cuidados Desde que a pandemia da covid-19 começou, a Terracom dotou todos os funcionários da limpeza urbana de equipamentos de proteção individual para lidar com o risco extra. Não há contato direto com as máscaras jogadas nas ruas. “Todos têm luvas, máscaras e álcool em gel. As máscaras são recolhidas com a pá e jogadas diretamente nos carrinhos”, diz Mello. Além da contaminação a que submete as pessoas, a atitude tem outras consequências. Se a máscara for de tecido de algodão, pode levar até 20 anos para se decompor na natureza. Se for de tecido sintético, entre 100 e 300 anos. Deixadas em vias públicas, podem parar em bueiros e bocas de lobo, entupir as galerias de águas pluviais e, em grau mais avançado, desaguar nos canais em dias de chuva, chegando ao mar com a abertura das comportas. Não é só máscara Quem passa pelas margaridas não imagina que, além das máscaras, elas também lidam com outros comportamentos inadequados no dia a dia. E bem anteriores às máscaras. “O cocô dos cachorros é uma situação antiga. Muitas pessoas até recolhem em saco plástico, mas deixam o saco no canteiro das árvores, e aí não adianta nada”, diz Camilla Pontes Alves Ferreira, de 32 anos, há dois na Terracom. Responsável pela varrição de Canal 4, Rua Lobo Viana e Avenida Marechal Deodoro, ela precisa parar nos canteiros das árvores todo dia e retirar a sujeira dali. A mesma queixa tem Edna Ferreira da Silva, 43 anos, dez de Terracom. Ela varre as ruas do Gonzaga e um trecho da praia. Erica Nogueira do Nascimento, de 37 anos, há dois na varrição de ruas, já flagrou gente jogando lixo na rua. “Dá vontade de reclamar. Imagina se uma criança pega uma máscara dessas que esteja contaminada?”. A máscara no ambiente Evaldo Stanislau, médico infectologista e professor universitário, diz que o descarte de máscaras tem impacto em saúde e sob a ótica ambiental. “As máscaras no meio ambiente demoram a desaparecer. Portanto, devem ir para o lixo embaladas em um plástico no caso das de tecido. As de TNT ou PFF2/N95 devem ser descartadas no lixo em um saco identificado como infectante se foram usadas por pessoas com covid”. A sobrevida do vírus nas condições ambientais, diz o infectologista, não é longa. Dessa forma, é menos provável que o vírus permaneça viável nesse material residual por mais que algumas horas ou poucos dias.