[[legacy_image_250115]] Inaugurada há menos de dois meses, a nova passarela de pedestres para as barcas de travessia entre Santos e Vicente de Carvalho, em Guarujá, vem gerando medo e preocupação entre a população. A Reportagem esteve no local nesta terça-feira (28) e apurou que a sensação dos usuários é que a instalação vai ceder, pois os degraus recém-inaugurados apresentam rachaduras que fazem a escada tremer. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “É questão de tempo para aquilo ali desabar”, ressalta o microempreendedor e músico Rogério Derze do Prado, de 40 anos. Ele mora em Santos, mas pelo menos uma vez na semana atravessa para a cidade vizinha, por isso utiliza a passarela. Segundo o microempreendedor, o problema já tinha sido notado, mas sem a devida atenção. “Na correria do dia a dia, a gente passa batido”, comenta, afirmando que na segunda-feira (27) viu a escada tremer muito e, por isso, resolveu redobrar o cuidado. “Fui chegando perto e vi as trincas gigantescas. A qualquer hora aquilo vai cair e, dependendo da altura, a pessoa corre o risco de perder a vida”. Para registrar os problemas, o usuário resolveu gravar um vídeo. (veja abaixo) [[legacy_youtube_7z_Y-m9GOV4]] O auxiliar de controle fiscal Mauro Sérgio Batista dos Santos, de 46 anos, mora em Santos, mas como trabalha na Ilha Barnabé, utiliza a passarela diariamente. Para ‘driblar’ as rachaduras, ele passou a adotar uma estratégia. “Como tem escada dos dois lados, vou escolhendo (os degraus). Pulo um, ando de dois em dois”, explica. Segundo ele, o medo de passar pelos degraus rachados é inevitável. “A gente não sabe até quando vai sustentar e passa carro debaixo”, explica. O funcionário público Franklin de Souza Lima, de 27 anos, também diz notar os problemas nos degraus. “Quando pisa, balança um pouco, mas é a única opção”, afirma o homem que passa pelo local todos os dias, já que trabalha em Santos e mora em Guarujá. Morador de Vicente de Carvalho, o casal Janilda Bonfim, de 60 anos, e Manoel da Silva, de 64, teve uma experiência ruim já na primeira passagem pelas escadarias para ir a uma consulta médica em Santos. “Horrível, estou super cansada, fora o medo (dos degraus trincados)”, diz Janilda. [[legacy_image_250116]] A mesma impressão ficou para Felipe Aragão Santana, de 34 anos, que mora em Santos e não tem costume de usar a travessia. Ele diz que levou um susto ao se deparar com o estado dos degraus e o tremor da escada. “Pelo tempo que a passarela foi inaugurada, essas rachaduras foram bem rápidas”. José Carlos Araújo Moreno, de 58 anos, mora em Vicente de Carvalho e trabalha como vigilante em Santos, por isso, usa a passarela diariamente. “Está horrível. Foi a pior coisa que fizeram”, reclama. Segundo ele, a subida das escadas é ruim, principalmente para quem está de bicicleta. Além disso, as faixas antiderrapantes estão se desgastando. “Alguém vai escorregar e cair”, relata. Além das rachaduras, o maior problema para a assistente social Laura Sá, de 58 anos, é o fato de a escada ser vazada. “Quando estou de vestido não dá para passar. Eu já fiz o teste. Fiquei lá embaixo e olhei pra cima. Dá pra ver tudo e não dá para confiar hoje em dia”, afirma a moradora de Santos, que trabalha em Guarujá. [[legacy_image_250117]] Ela diz utilizar o elevador quando está com saia ou vestido, mas o equipamento tem histórico de quebrar e suporta no máximo 10 pessoas. “Mas depende da quantidade de mala e bicicletas. As pessoas chegam e fica aquela fila de gente com bicicleta”, finaliza. Problemas recorrentesDesde a inauguração, a passarela tem sido alvo de denúncias, seja pelo elevador que já parou de funcionar até com pessoas dentro ou pela escada íngreme. Procurada por A Tribuna, a Prefeitura de Santos informou que o novo acesso foi implantado “por obrigação da concessionária que administra o sistema ferroviário que serve ao Porto, junto à agência reguladora, para eliminação da passagem em nível”. Ainda segundo a Administração Municipal, o equipamento foi doado pela empresa à Autoridade Portuária após aprovação dos órgãos competentes. Desta forma, “coube ao município verificar o atendimento da legislação que disciplina o uso do espaço aéreo, os aspectos referentes ao patrimônio histórico e autorização de instalação do elevador para atendimento preferencial de pessoas com mobilidade reduzida”. Sendo assim, a Prefeitura de Santos enfatizou que não responde pelas queixas e problemas do equipamento. A Rumo, em nota, respondeu conforme abaixo: A concessionária realizou uma vistoria técnica com o intuito de verificar os problemas apontados e informa que não existe qualquer risco na utilização das escadas apesar da ocorrência de rachaduras superficiais em algumas placas de granito, dado que estas não possuem função estrutural. Entretanto, para atender às reclamações quanto ao desconforto das mulheres pelas ocorrências de pessoas mal intencionadas que se posicionam embaixo da escada, a empresa afirma que apresentou projeto para o fechamento dos vãos e aguarda a aprovação das entidades responsáveis para a contratação da obra, que tem prazo previsto de execução de 60 dias, a partir da aprovação. Quanto às canaletas para transporte das bicicletas, informa que o projeto foi executado em conformidade com as normas brasileiras vigentes, mas que está avaliando tecnicamente alternativas para contornar o problema causado por usuários que possuem adaptações para transporte de carga nas bicicletas. A concessionária reafirma a importância do legado para a segurança dos usuários trazido pela inauguração da passarela, na medida em que eliminou a necessidade de travessia em nível no local que possui intenso tráfego de veículos pesados e apresenta histórico de graves acidentes, como atropelamentos.