[[legacy_image_15340]] A quarentena está nos fazendo mudar de hábitos. Todos nós. E nesses cuidados que precisaram ser reforçados, está o de lavar as mãos com água e sabão sempre que possível ou passar álcool em gel quando não for possível. Tudo para evitar que elas sejam infectadas e as passemos na boca, nariz e nos olhos, nos contaminando com o novo coronavírus. No entanto, imagine que as mãos sejam sua via de acesso para se orientar no mundo? Pois é. É o que acontece com os deficientes visuais, que são extremamente dependentes do tato para se orientar no dia a dia. Seja em casa ou na rua, as mãos são a forma de conduzir a bengala que usam para se orientar e também são as mãos que tocam superfícies para saber se estão seguras. Nessas épocas, para quem tem deficiência visual, também foi preciso se adaptar. “Os cuidados foram redobrados. Na medida do possível, estamos evitando sair de casa e montamos um esquema para que tudo seja feito em dia só”, diz a professora Valéria Cristina Teixeira, que tem cerca de 3% de visão. Ela dá aulas aos assistidos no Lar das Moças Cegas, em Santos. O local, como recomendado pelas autoridades, está fechado. Nestes tempos, faz tudo o que precisa de uma vez só, para ir pouco à rua. Morando com o marido Fábio Vinhosa, que não enxerga, e o sogro, de 72 anos, todo cuidado é pouco. “Nós vamos juntos, mas saímos com todos os aparatos, máscara e álcool em gel na bolsa”, diz ele. O cuidado é necessário porque as mãos são muito usadas. Ao atravessar ruas ou sinaleiros, por exemplo, é preciso a ajuda de alguém. “Após os contatos, procuramos usar álcool em gel. Não tem muita saída”, explica Val. Em casa, os cuidados continuam. A bengala, praticamente uma extensão do corpo, vai junto para o banho. “Tiramos já os sapatos na porta e as roupas que usamos na rua vão direto para a máquina. No chuveiro, aproveitamos para lavar a bengala com água e sabão”, conta Fábio. Também professora no Lar das Moças Cegas, Thalita Mera explica que os cuidados enquanto a instituição está fechada foram redobrados. “Montamos um grupo on-line, do qual a Val faz parte, para manter não só as informações com relação a higiene, mas também o contato direto com os alunos, que mais precisam de nós nesse momento”, conta ela, que está há 8 anos no local. Neste sábado, o Lar faz 77 anos atuando em santos e atualmente, há atendimento para 400 deficientes por mês. “Precisamos reforçar os cuidados, porque eles usam muito as mãos. Principalmente com a bengala. Mas o contato via redes sociais, telefone tem nos surpreendido. Muitos deles moram sozinhos, estão em situação de vulnerabilidade. Então, necessitam de muita atenção”, reforça Thalita.