[[legacy_image_152656]] Há pouco mais de três anos, a comerciante Denise Borges, de 53 anos, trocou o ônibus pela bicicleta. Ela pedala todos os dias para ir trabalhar em um shopping no Gonzaga, em Santos. Leva uma roupa na mochila e se troca no trabalho. O principal motivo da escolha foi a economia. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “A bicicleta é muito mais econômica, eu ainda faço exercício e não corro o risco de pegar doença no ônibus com outras pessoas. As ciclovias estão ótimas, superseguras, e quando está muito calor venho até de biquíni. Só pego ônibus em último caso, quando está chovendo muito”, diz ela. Denise é uma das milhares de pessoas que pararam de usar os ônibus municipais de Santos e aderiram a outros meios de transporte. Entre 2016 e 2021, a redução de pagantes no sistema foi de 59,4%, caindo de 3 milhões de usuários mensais para 1,2 milhão por mês. De 2020 para 2021, a queda continuou, de 1.332.162 viajantes ao mês para 1.241.414 (-6,8%), demonstrando que a tendência de queda persiste. Esse é um dos motivos de a conta não fechar e obrigar a Prefeitura a repassar dinheiro para a empresa não elevar tanto a tarifa — que, amanhã, subirá de R\$ 4,65 para R\$ 4,95. O subsídio mensal do Município à Viação Piracicabana passará de R\$ 800 mil para R\$ 1,1 milhão por mês. Sem isso, o preço da passagem poderia chegar a R\$ 6,00. [[legacy_image_152657]] Transporte ruimO professor universitário Rafael Pedrosa, especialista em mobilidade urbana, afirma que o preço e a ineficiência do serviço de ônibus, especialmente em horários de pico. “O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) chegou, mas o transporte público rodoviário não se reinventou nem se integrou ao VLT, tirando interesse e competitividade. Ainda temos outros fatores, como o transporte por aplicativos, que oferece mais comodidade, deixando a pessoa exatamente no seu destino. Com o aumento nos preços das passagens dos ônibus, a diferença (no valor da corrida por aplicativo) ficou muito pequena.” Para ele, a bicicleta também afetou a relação custo-benefício e não houve revisão do sistema de transporte coletivo e do dimensionamento da oferta da frota em horários críticos. “Com a crise econômica, uma parcela das pessoas que se deslocavam diariamente com os ônibus passou a buscar o uso de bicicletas. Isso se percebe no aumento do fluxo de bicicletas nos horários de pico. Esse é um movimento que a cidade de São Paulo viveu no início dos anos 2000 e que, agora, vemos em Santos”, explica o especialista. O professor ressalta, porém, que a redução no uso do transporte público ocorre em escala nacional. “A média de redução é de mais de 60% nos estados. Tal redução põe em xeque a sustentabilidade do sistema de transporte público, especialmente o rodoviário, diretamente afetado pela alta dos combustíveis, o que comprime a possibilidade de equilíbrio financeiro”. Para Pedrosa, o sistema deve “elevar o nível de serviço para retomar o espaço que já teve”.