Cratera voltou a se abrir no Gonzaga, em Santos, após tempestade (Reprodução/Acervo Pessoal) Uma cratera voltou a se abrir na calçada da Rua Galeão Carvalhal, próximo ao cruzamento com a Rua Carlos Afonseca, no Gonzaga, em Santos, no litoral de São Paulo, na noite desta terça-feira (18), após o forte temporal que atingiu a região. O buraco de grandes proporções está localizado em frente à obra de uma construtora. A situação gerou preocupação entre moradores e motoristas que passavam na região. (Veja em vídeo mais abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No local, está sendo construído um novo empreendimento residencial. A Secretaria de Obras e Edificações (Seobe), da Prefeitura de Santos, confirmou que houve um novo solapamento e notificou a empresa responsável para que as providências necessárias sejam tomadas com urgência. Além dos danos na via pública, a cratera provocou transtornos à população, como interrupção no fornecimento de energia e interdição das vias. -Cratera Gonzaga Santos (1.451718) Outra ocorrência Em janeiro de 2024, a mesma obra já havia causado um grande transtorno quando outro buraco de quase três metros de profundidade se abriu no mesmo local com o impacto das chuvas. Naquela ocasião, um carro quase caiu no local. A calçada foi consertada pela empresa no ano passado. Chuva Segundo a Defesa Civil de Santos, o acumulado pluviométrico das últimas 72 horas foi de 146,1 mm, sendo 136 mm em três horas. O acumulado do mês está em 289,2 mm. Essa situação fez com que o local, já fragilizado, cedesse. Moradores Cristiane Aparecida de Toledo, de 51 anos, é a síndica do Edifício Ibicaba, localizado em frente à construção. Ela afirma que tentou acionar o Corpo de Bombeiros 18 vezes, mas sem sucesso. Segundo a síndica, essa é a segunda vez que a calçada desaba e causa transtornos aos moradores. De acordo com a assistente social e professora aposentada Lígia Maria Fonseca, de 74 anos, que presenciou toda a cena, esta cratera é bem maior que a anterior. “Eu ouvi o barulho de pequenas explosões e, em seguida, a energia elétrica foi interrompida, causando um apagão em nossa quadra. Fui até a varanda e vi a calçada e parte da rua cedendo. Com a força da água e a abertura do buraco, um poste tombou”, explicou. Vídeos gravados por Lígia Maria mostram veículos entrando na contramão da rua e vizinhos gritando para alertar os motoristas do buraco recém-aberto. Críticas “Eles atrapalham o trânsito com os outdoors disfarçados de caminhão. Pela segunda vez, a calçada desabou, deixando o comércio sem energia. Durante a madrugada, um caminhão trabalhou retirando a água do buraco, acordando todos com o barulho, sem falar da interdição das vias principais. E não há punição alguma para eles", desabafa uma moradora, que não quis se identificar. Além das reclamações sobre os transtornos causados pela obra, a população critica a falta de fiscalização mais rigorosa sobre as construtoras que atuam na cidade. A moradora reforçou a necessidade de repensar a verticalização excessiva de Santos. “As construtoras fazem o que querem na cidade. Santos não suporta mais prédios. Esse desabamento é mais um exemplo dos impactos negativos dessa expansão descontrolada”, afirmou. Outro lado Em nota, a Construtora Patriani disse que a obra recebeu os impactos das fortes chuvas pelo segundo ano consecutivo. A empresa afirma que a obra "não contribuiu para o problema, estando com a estrutura do prédio intacta, alinhada e dentro da normalidade". A construtora citou ainda que, assim como todos os vizinhos acometidos pelos prejuízos dos alagamentos, já está "fazendo a limpeza da obra e os serviços necessários, de maneira segura, para a plena recuperação do local e a continuidade dos trabalhos".