Cristina Nunes é dona de uma oficina de costura no Centro. Dizia que jamais seria costureira, mas se encantou com linhas e tecidos (Alexsander Ferraz/AT) Imagine uma costureira. Se você pensou, quase que automaticamente, em uma senhora de cabelos brancos e óculos, que costura para complementar a aposentadoria, talvez você não tenha toda razão. Em Santos, há exemplos disso, e Cristina Nunes, de 57 anos, é um deles. Ela é dona da Oficina da Cris, localizada na 13ª loja da Galeria Dom Pedro, na Rua Amador Bueno, 105, no Centro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tornar-se uma empreendedora no ramo da costura não era o seu plano de vida — muito menos o de seu pai, que a obrigou fazer o curso por querer que a filha, então com 16 anos, fosse prendada. “Na minha época de adolescente, meu pai achava que a mulher tinha que fazer tudo: tricô, datilografia, crochê. Tinha que saber costurar e cozinhar”, lembra. “E, na ignorância da minha adolescência, eu falava que ia casar com um marido rico e nunca ia ser costureira”, diz, aos risos. Mas a vida reservava um amor diferente para ela. Em vez de se apaixonar por um homem de posses, ela se encantou com linhas, tecidos, máquinas. E viu que dali podia conseguir sua própria renda, que, mesmo hoje, não deixa a desejar. “Eu me sinto, sim, uma empreendedora de sucesso na área”, afirma. “Eu sou muito feliz. Falo que, se tivesse feito uma faculdade de outra coisa, eu não seria tão feliz como sou na costura.” Ela, que não queria ir às aulas impostas pelo pai, fez cursos profissionalizantes posteriores. Até mesmo um promovido pela Vogue, revista norte-americana de referência no ramo da moda. Logo após os primeiros anos na indústria têxtil, juntou dinheiro e investiu em máquinas próprias para abrir seu negócio. Mais de duas décadas depois, garante que não falta serviço. “Meus clientes são fiéis. E é um ramo em que eu ganho clientela todos os dias.” Herança de família Priscila Bezerra, de 29 anos, plantou uma “semente dourada” no Marapé, em Santos: este é o nome do ateliê que mantém na Rua Carvalho de Mendonça, 637. Mas essa semente começou a germinar nela muito antes da fundação do empreendimento, quando estava com 21 anos: a avó materna sempre a incentivou a costurar e prometia que, quando morresse, deixaria sua máquina de costura para a neta. “Nunca botei muita fé”, confessa. Mas, aos 14 anos, ganhou uma máquina doméstica dos pais, e a fé começou a mudar. Aos 17 anos, Priscila já tinha tido aulas particulares de costura e se arriscou em outras áreas. Cursou Design de Interiores e se formou em inglês. Mas, também nessa idade, ela decidiu levar a sério o ramo da costura e desenvolveu a marca que viria a ser de seu ateliê anos depois. Desde que abriu o estabelecimento, Priscila ampliou seu o currículo. “Fiz desenho de moda, modelagem industrial, corte e costura, malharia. Não sei como consegui, mas trabalhei em dois ateliês e em casa ao mesmo tempo, até ter o suficiente para me aventurar como empreendedora.” O ateliê começou com a confecção de peças sob medidas. Depois, incluiu ajustes e desenvolveu coleções autorais. “São meu xodó”, diz. O dia a dia é corrido: além de costurar, ela administra todas as partes do ateliê: limpeza, manutenção, orçamentos, atendimento. “É bem desafiador dar conta de tudo. Mas também é muito gratificante colher os resultados dos esforços ao longo dos anos”, afirma. “As minhas clientes estão felizes e eu também, sou realizada com meu trabalho e tudo que permeia ele.”