O corpo da ex-prefeita de Santos, Telma de Souza (PT), foi cremado na noite deste domingo (11) (Alexsander Ferraz/AT) A cerimônia de cremação do corpo da ex-prefeita de Santos, Telma de Souza (PT), foi realizada na noite deste domingo (11), na Memorial Necrópole Ecumênica. Ela morreu na noite de sábado (10), aos 82 anos, de falência múltipla dos órgãos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A saída do corpo do Paço Municipal ocorreu por volta de 18h20, em caminhão do Corpo de Bombeiros. O trajeto incluiu uma passagem pela Câmara de Santos. O velório aconteceu durante a tarde, no Salão Nobre da Prefeitura. Corpo da ex-prefeita de Santos, Telma de Souza (PT), deixou o Paço Municipal por volta de 18h20 deste domingo (11) (Alexsander Ferraz/AT) O corpo da ex-prefeita havia chegado ao Paço Municipal pouco antes das 13h, trazido com escolta da Guarda Civil Municipal (GCM). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, enviaram coroa de flores para a despedida de Telma, assim como outros políticos e instituições. Durante todo o tempo do velório, o movimento no adeus a Telma de Souza foi grande. Autoridades, amigos e correligionários aproveitam para se despedir da ex-prefeita de Santos. Coroa de flores foi enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pela primeira-dama Janja (Alexsander Ferraz/AT) Representatividade A vice-prefeita de Santos, Audrey Kleys (PSD), destacou a longa trajetória de Telma na política santista e os obstáculos enfrentados pela ex-prefeita. "A Telma de Souza ficará sempre viva em nossos corações, porque foi uma mulher muito além do seu tempo. Ela enfrentou preconceitos, desafios, obstáculos, mas sempre dizia, olhar para frente, foco naquilo que você deseja. O objetivo precisa ser alcançado, porque tem uma população inteira esperando por aquele que o representa. (...) Eu tive a honra e a oportunidade de trabalhar ao lado da Telma de Souza por oito anos, dois mandatos como vereadoras lado a lado. Apesar de partidos e ideologias diferentes, o respeito sempre esteve ali presente em nossas relações", disse Audrey. Quem também destacou o legado de Telma foi o ex-ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França, que esteve presente no velório. "No mundo portuário, ela é uma referência. Mário Covas acabou usando muito da experiência da Telma, da vivência que ela tinha aqui em Santos. Ela é uma das mulheres que eu vi chegar mais longe. Disputou um turno contra o José Dirceu. Por pouquíssimos votos não virou a candidata a governadora, e teria sido uma grande governadora. Uma mulher além do seu tempo, e marcante para todos nós", declarou França. Eleita deputada estadual, a vereadora de Santos Débora Camilo (PSOL) lembrou que Telma de Souza foi seu primeiro voto, considera sua maior inspiração e deixa o legado de ser uma política que tem como principal objetivo o melhor para o povo. "É uma mulher à frente do tempo dela. Digo é porque ela vai permanecer. ", afirma. As duas conviveram na Câmara de Santos e Débora não esquece de tudo o que Telma representou no período. "Ela sempre foi muito prestativa e me via como uma companheira de luta. Levo essa experiência, esse aprendizado para o resto de minha vida", afirma. "Temos esse compromisso de levar a luta dela até o momento em que a gente consiga encontrar uma sociedade que ela sempre sonhou, que é uma sociedade justa. Manter viva a luta dela é a melhor forma de homenageá-la", emenda. Prefeito de Santos em duas gestões (1997 a 2000 e 2001 a 2004), Beto Mansur considerou "extremamente respeitosa" sua relação com Telma de Souza. "Fizemos um trabalho intenso juntos. Ainda que em partidos diversos, tivemos uma relação extremamente respeitosa. E a minha vida pública, de alguma maneira, coincide com a da Telma. Temos obrigação de estar presente e ver que ela fez muito pela Cidade, pela região e pelo Brasil. E isso é uma coisa muito importante", afirma. Ex-ministro da Saúde, o santista Arthur Chioro ressaltou a contribuição intensa de Telma de Souza em várias esferas de poder e seu caráter na política. "É muito interessante, em tempos que todo mundo clama por ética na política, que a Telma é uma pessoa que pode ter críticos ao seu jeito, mas jamais esteve envolvida em corrupção ou em qualquer coisa dessa natureza. Foi alguém que sempre viveu a política porque fazia parte de sua alma. Fica um vazio imenso, mas o respeito, o carinho e a admiração de todos. Mesmo os que a criticaram no polo da disputa política, são obrigados a reconhecer o seu papel fundamental na história política na redemocratização", comenta. O vereador de Santos, Francisco José Nogueira, o Chico Nogueira (PT), valorizou a criação de políticas públicas na Cidade, em especial na saúde, e também a luta em defesa dos portuários para que 5 mil trabalhadores não fossem demitidos em 1991. "Ela conseguiu reverter isso com muita firmeza. Não dá para esquecer isso", afirma. "A Telma sempre vai estar em nossos corações porque ela fez uma linda trajetória. Ela tem política pública na veia e vai deixar para gente esse grande exemplo de mulher, de luta e de soberania que ela sempre construiu no diálogo com todos os entes da política", emenda. Em discurso na parte final do velório, o deputado estadual reeleito Eduardo Suplicy (PT) a considerou uma "prefeita da Baixada Santista", por sua atuação além dos limites da Cidade. "Que bom termos tido em Telma de Souza uma companheira exemplar, cuja história precisa ficar melhor conhecida para todos", afirma. "A Telma foi uma amante extraordinária da democracia. E ela nos estimulava sempre a estar do lado certo das decisões do Partido dos Trabalhadores", emenda. Suplicy, de 85 anos, discursou ao lado de Luiza Erundina (PSOL, deputada federal e que foi eleita estadual), de 91, que não falou. "Ela (Erundina), que foi prefeita de São Paulo (eleita em 1988, como Telma), que tanto, certamente, inspirou Telma de Souza a seguir os caminhos adequados", disse, emocionado. Família Wagner de Souza Leite, um dos filhos de Telma de Souza, agradeceu o carinho de todos e valorizou o quanto ela foi guerreira não apenas como política, mas também como mãe e amiga. "Muita gente gostou muito dela e do trabalho que ela fez. Quero que ela seja lembrada pela pessoa preocupada com a sociedade que ela sempre foi. E agora está descansando lá em cima. Estamos recebendo muitas mensagens e só agradeço pelo carinho de todos", comentou. Morte e trajetória Telma de Souza morreu na noite deste sábado (10), aos 82 anos, de falência múltipla de órgãos. Ela estava internada desde quarta-feira (7) na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Mont Serrat, na Vila Mathias. Ela governou Santos entre 1989 e 1992. Sua gestão ganhou projeção nacional pelas iniciativas na saúde pública. Antes, foi deputada estadual entre 1987 e 1988. Telma também foi deputada federal por três mandatos seguidos, de 1995 a 2007. Já em 2008, foi eleita vereadora de Santos. Nas eleições de 2010, Telma foi eleita deputada estadual pela segunda vez. Mais tarde, foi eleita vereadora em Santos nos anos de 2016 e 2020, permanecendo no Legislativo santista até 2024. -Galeria velório Telma de Souza (1.532873)