Um dirigente da Santa Casa ofereceu um quarto na maternidade para Flora (Reprodução/Redes sociais) Nos anos 1950, em Santos, um homem muito conhecido por suas atividades ilegais era Antônio Pinto dos Reis, mais famoso como Flora. Ele era um contrabandista poderoso, a ponto de ter até um porto privado para receber os navios que traziam suas mercadorias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Naquela época, a Santa Casa de Misericórdia de Santos estava arrecadando dinheiro para construir uma nova maternidade. Em vez de pedir doações como era comum, Flora teve uma ideia diferente. Ele sugeriu que, em vez de fazer uma doação direta, ele pagaria todas as contas da obra. A Santa Casa aceitou, e assim Flora bancou a construção da maternidade. Anos depois, a sorte de Flora mudou. Um de seus navios foi apreendido pelas autoridades, e ele perdeu todo o dinheiro que havia acumulado. Certo dia, o dirigente da Santa Casa, que já o conhecia, encontrou Flora dormindo na rua, sob uma marquise. Quando perguntou o que ele estava fazendo ali, Flora contou que não tinha mais nada. Todo o seu dinheiro tinha ido para pagar advogados e impostos. Sentindo compaixão, o dirigente da Santa Casa ofereceu um quarto na maternidade. Flora, que no começo hesitou, alegou que não era doente nem mulher para dar à luz, mas acabou aceitando, com a justificativa de que ele mesmo havia ajudado a construir aquele espaço. Essa história foi contada em 2002 pelo auditor fiscal José Pimentel de Godói, durante uma entrevista no "Programa do Jô", da Globo. Prisão e morte Em julho de 1960, Flora foi preso em flagrante por dois delegados de polícia de Santos. Ele foi condenado a um ano e meio de prisão, acusado de contrabando e falsificação de documentos alfandegários. Sua vida, marcada pelo crime, finalmente parecia ter terminado. No entanto, a notícia mais triste sobre Flora chegou no dia 7 de outubro daquele mesmo ano. A imprensa anunciou sua morte aos 68 anos, depois de uma longa luta contra uma doença que o consumia. A reportagem do Correio Braziliense trouxe os detalhes de seu falecimento, dizendo: "Depois de enganar a polícia por mais de trinta anos, 'Flora', o Rei do Contrabando, foi abatido na madrugada de hoje. Não pelas balas dos policiais ou fiscais, mas por uma doença que devorava seus pulmões." O último capítulo da vida de Flora aconteceu em um sanatório, onde ele foi levado depois de ser preso na Cadeia Pública de Santos. Curiosamente, foi nesse mesmo local que ele começou sua trajetória criminosa, tendo trabalhado ali no início de sua vida e cumprido sua primeira pena. De lá, ele saiu para se tornar o "Al Capone" de Santos, um dos maiores contrabandistas da história da cidade.