Fachada do Edifício Brumar, na avenida da praia de Santos, onde moradores relataram contaminação da água após problemas na rede de esgoto; à direita, parte da estrutura hidráulica do prédio (Reprodução Redes sociais / Arquivo pessoal) Após mais de duas semanas de restrições, a água do Condomínio Edifício Brumar, na Avenida Presidente Wilson, no bairro Pompéia, em Santos, no litoral de São Paulo, foi oficialmente liberada para uso na última terça-feira (21). A decisão ocorreu após análises laboratoriais independentes confirmarem que a água voltou a atender aos padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde. Apesar disso, parte dos moradores afirma que ainda não se sente segura para voltar a consumi-la. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o caso da cozinheira Patrícia Barbosa, que relatou à reportagem de A Tribuna que ela e a família continuam evitando o uso da água do prédio, mesmo após a divulgação dos laudos. "A segunda análise confirmou que a água está própria para uso, mas nós ainda não estamos seguros. A impermeabilização das caixas d'água superiores não foi feita. Pelo que sabemos, apenas colocaram cloro, e a água continua com bastante cheiro de cloro", afirma. Segundo Patrícia, embora a administração do condomínio informe que a concentração de cloro está dentro dos parâmetros recomendados, a família prefere não correr riscos. "A gente não está usando a água. Compramos galões com bomba para beber, cozinhar e fazer as necessidades básicas. Também não estamos tomando banho no apartamento, porque ainda não temos confiança de que está tudo realmente resolvido". Família decidiu deixar o condomínio O episódio fez a família tomar uma decisão definitiva: procurar outro imóvel para morar. "A gente já está vendo um novo lugar. Eu só volto para o apartamento à noite para dormir. Antes e depois do trabalho, faço tudo na casa da minha sogra: tomo banho, lavo roupa... Estamos nos mudando, porque a confiança foi quebrada". Patrícia lembra que o problema teve consequências graves para a família. "Meu filho ficou internado, meu afilhado também passou dias no hospital e todos nós passamos muito mal. Não sei se essa confiança volta um dia". Moradores ainda pedem solução definitiva Outro ponto que preocupa alguns condôminos é que a impermeabilização dos reservatórios superiores ainda não foi realizada. "A caixa provisória continua na garagem e nem abastece todos os andares. Pelo que sabemos, só colocaram cloro nas caixas. A gente acredita que precisa de uma limpeza mais profunda e da impermeabilização para evitar que o problema volte", observa Patrícia. Água foi liberada após novos laudos Na terça-feira (21), a administração do Edifício Brumar comunicou aos moradores a liberação da água após a conclusão de análises realizadas pelo laboratório Analyse Control, de Santos. Segundo o comunicado, os exames seguiram a metodologia prevista na Portaria GM/MS nº 888/2021, do Ministério da Saúde, e apontaram que a água atende a todos os parâmetros de potabilidade. Os resultados indicaram ausência de coliformes totais e da bactéria Escherichia coli (E. coli), além de níveis de cloro residual livre, turbidez e demais parâmetros físico-químicos dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Apesar da liberação, a administração do edifício orientou os moradores a realizarem a troca dos refis e a higienização dos filtros e purificadores instalados nos apartamentos, como medida preventiva. Também pediu uso consciente da água, já que o condomínio ainda opera com capacidade de reserva reduzida. Relembre o caso O problema começou no início de julho, quando moradores perceberam alterações na cor e no odor da água do prédio. Após inspeções, o uso da água foi suspenso para consumo, preparo de alimentos, banho e higiene pessoal. Na ocasião, diversos moradores relataram episódios de diarreia, vômitos e gastroenterite. Entre eles estavam o filho e o afilhado de Patrícia Barbosa, que chegaram a ser internados. A Sabesp informou que o abastecimento público não apresentava irregularidades e atribuiu o problema às instalações hidráulicas internas do edifício. Já a Vigilância Sanitária de Santos determinou a limpeza e desinfecção dos reservatórios, além da apresentação de laudos comprovando a potabilidade da água antes da retomada do abastecimento. Agora, mesmo com a liberação oficial e os exames atestando a qualidade da água, parte dos moradores afirma que o trauma provocado pelo episódio ainda pesa mais do que os resultados laboratoriais. Para algumas famílias, como a de Patrícia, a solução encontrada foi procurar um novo endereço.