A contaminação da água do Condomínio Edifício Brumar, na avenida da praia de Santos, foi percebida no início de julho (Divulgação / Arquivo pessoal) Onze dias após a suspensão do uso da água para banho, higiene pessoal, preparo de alimentos e consumo, moradores do Condomínio Edifício Brumar, na Avenida Presidente Wilson, no bairro Pompéia, em Santos, no litoral de São Paulo, continuam convivendo com uma rotina de restrições, incertezas e gastos extras. Enquanto aguardam a divulgação do laudo que atestará a potabilidade da água, muitos precisam buscar água em torneira instalada na entrada do prédio, mesmo durante o frio e a chuva. (Veja vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Vídeo gravado pela condômina Simone Rothje no sábado (11) mostra justamente essa realidade. Nas imagens, ela busca água na área externa do edifício. Moradora do Brumar há dois anos, Simone afirma que a situação já ultrapassou o limite do suportável. "Estamos há 11 dias sem água potável para banho, fazer comida ou higiene. Meu marido e eu tivemos diarreia. Até agora, ninguém fala nada, apenas dizem que estão aguardando o laudo da água. Isso é desumano", desabafa. Segundo a moradora, a água disponível na torneira externa é insuficiente para atender às necessidades dos condôminos. "Disseram que cada apartamento pode pegar apenas dois litros de água. Dois litros dão para quê?", questiona. Gastos extras Além dos transtornos, os moradores relatam aumento nas despesas. Como a água distribuída internamente continua proibida para consumo e preparo de alimentos, muitas famílias passaram a comprar galões de água mineral do próprio bolso. "Estamos comprando galões de 20 litros. A água da torneira externa serve para lavar louça e tomar banho. Para cozinhar, precisamos usar água comprada", relata Simone. A moradora também afirma que os condôminos seguem sem qualquer previsão concreta para o fim do problema. "Na sexta-feira (10), disseram que o laudo sairia, mas até agora ninguém respondeu nada. Só dizem que ainda estão aguardando o resultado". Famílias deixaram o prédio A situação levou alguns moradores a deixarem temporariamente seus apartamentos. A cozinheira Patrícia Barbosa, que já havia relatado à reportagem de A Tribuna que ela, o marido, o filho e um afilhado passaram mal após a suspeita de contaminação, informou que a família está morando provisoriamente na casa dos sogros desde o último dia 4. Segundo Patrícia, o filho permaneceu dois dias internado e o afilhado ficou quatro dias hospitalizado com gastroenterite por água contaminada. Ambos receberam alta e passam bem, mas ainda aguardam resultados de exames laboratoriais solicitados por uma infectologista. Condomínio aguarda laudos Em nota encaminhada aos moradores, a administração do condomínio informou que realizou a limpeza das caixas d'água e solicitou análises laboratoriais. No entanto, o primeiro laudo ainda não foi concluído e contraprovas também seguem em análise. Enquanto isso, o edifício está sendo abastecido por uma caixa d'água provisória. Apesar disso, a água permanece proibida para banho, higiene pessoal, preparo de alimentos e consumo até que os exames confirmem sua potabilidade. Ainda segundo o comunicado, o caso continua sendo acompanhado pela Vigilância Sanitária, que solicitou toda a documentação e as validações necessárias antes de autorizar a normalização do abastecimento. Relembre o caso O problema teve início no começo de julho, quando moradores perceberam alterações na cor e no cheiro da água. Dias depois, o condomínio orientou os moradores a interromperem completamente o uso da água da rede interna após a suspeita de contaminação. Na ocasião, a Prefeitura de Santos informou que a Vigilância Sanitária determinou que o condomínio realizasse a limpeza e desinfecção das caixas d'água, promovesse os reparos necessários nos reservatórios e apresentasse laudos comprovando a potabilidade da água antes da liberação para uso. A Sabesp, por sua vez, informou que fez vistorias no imóvel e concluiu que o abastecimento público e a rede coletora de esgoto não apresentavam irregularidades, atribuindo o problema às instalações hidráulicas internas do edifício. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Saúde de Santos, por meio da Seção de Vigilância Sanitária, informou que já realizou uma inspeção no Condomínio Edifício Brumar, quando foram prestadas orientações técnicas e lavrada uma intimação determinando a adoção das medidas necessárias para solucionar o problema identificado. Segundo a Prefeitura, a utilização da água somente poderá ser liberada após o condomínio comprovar que realizou as adequações exigidas e apresentar laudos que atestem a potabilidade da água. A Administração Municipal informou ainda que o prédio permanece dentro do prazo concedido para cumprir as determinações sanitárias e que a Vigilância Sanitária continua acompanhando o caso, adotando as medidas cabíveis conforme a evolução da situação, com o objetivo de garantir a proteção da saúde dos moradores.