[[legacy_image_285017]] A falta de um enunciado com o tema da redação na prova do Concurso Público da Prefeitura de Santos, aplicada na manhã deste domingo (30), deixou candidatos que concorriam à vaga de oficial de administração indignados. Somente para esta função, havia mais de 18 mil inscritos. A organização do concurso é do Instituto Mais. Procurada, a Prefeitura de Santos informou, em nota, que “já notificou a empresa responsável pelo concurso sobre as queixas de candidatos. O Instituto informou que, constatada a falta do tema da redação nas provas entregues na manhã deste domingo, a solução imediata foi sua transcrição do tema nas lousas, antes da primeira hora da prova, portanto, sem que nenhum candidato houvesse realizado a entrega da prova”. Ainda de acordo com a Administração Municipal, “considerando o prazo já determinado para resolução da prova, e para evitar qualquer prejuízo aos candidatos, além da transcrição e leitura do tema, foi concedido prazo suplementar de 30 minutos para entrega das provas, evitando qualquer prejuízo aos candidatos, que foram devidamente instruídos. Mesmo assim, a comissão do concurso da Prefeitura juntamente com a empresa organizadora irá avaliar a situação”. A Administração complementou a nota com o seguinte texto:"Importante esclarecer que a avaliação da redação não impacta na "primeira classificação", ou seja, não compromete a "nota de corte" que serve para definir os habilitados, conforme item "9.4" do edital. Nesse sentido, a nota da redação é utilizada para enriquecer as notas dos habilitados, o que implica concluir pela inexistência de prejuízo ao candidato. Desde já, entretanto, ressaltamos que a eventual falta da redação não importará em desclassificação de candidatos". [[legacy_image_285018]] Versão diferentePorém, candidatos ouvidos pela Reportagem afirmaram que quando os fiscais de prova foram alertados sobre a ausência do tema da redação, boa parte dos inscritos já havia entregado suas folhas de prova com a questão em branco e deixado as salas. Desempregada, a tecnóloga Marilia Patrão, que fez a prova na Unip, declarou: “Desrespeitando totalmente os candidatos, o Instituto Mais não colocou o tema proposto para redação para o cargo de oficial de administração. Ao questionarmos, não nos deram nenhuma posição e somente mais de uma hora depois que estávamos fazendo a prova é que entregaram, para as fiscais da minha sala, uma anotação onde constava o tema.Porém, o tema fugia totalmente do edital, estritamente técnico e teríamos que copiar da lousa. Não tínhamos sequer uma folha de rascunho, somente a folha de escrita de resposta da redação”, afirma. E continua: “Ninguém da organização do concurso veio dar explicações e após mais de uma hora de prova é que informaram que teríamos mais 30 minutos de ‘crédito’ para fazer a redação ao final do tempo total da prova. Total desrespeito com os demais candidatos que haviam ido embora já e entregues as suas redações em branco, assim como eu entreguei”. O presidente da Sociedade de Melhoramentos do Jardim São Manoel, Edmilson Almeida Duarte, o Didi, que também prestou o concurso, denunciou a mesma falha em suas redes sociais. “A instituição cometeu um erro grave na prova, esqueceu de colocar o tema da redação e eu vou entrar com recurso”. A falha na elaboração da prova frustra as expectativas de quem busca retornar ao mercado formal de trabalho, como a autônoma Isabel Cristina Fontes do Nascimento, de 57 anos, que compareceu ao local da prova, no Campos Dom Idílio, da UniSantos, na Vila Mathias, com o pé engessado e utilizando uma cadeira de rodas. Ela quebrou o tornozelo esquerdo e está há 50 dias com a perna imobilizada, sem poder pisar no chão. “No momento estou sem trabalho e o concurso é uma oportunidade que eu não podia perder. Vou tentar”, disse ela antes da fazer a prova. Jaqueline dos Santos Mendonça, de 36 anos, trabalha como auxiliar administrativa em uma escola, mas o seu contrato é de apenas um ano e também busca estabilidade. “Estou procurando estabilidade, porque emprego está difícil. Hoje, eu trabalho em uma escola estadual, mas o contrato é temporário. Além disso, eu tenho uma filha de 18 anos e é por ela também que eu procuro me estabilizar”, afirmou. Morador de Mongaguá e desempregado, o motorista Júlio César Leiroz Silva, de 55 anos, se inscreveu no concurso para duas funções, motorista e oficial administrativo. “Eu fiz a prova para motorista no domingo passado e hoje para oficial administrativo. Atualmente, não estou no mercado, por isso estou prestando esse concurso. É uma oportunidade, já que a Baixada não oferece muitos trabalhos assim. Tem mais ofertas para carreteiro e motorista de ônibus”. [[legacy_image_285019]] O estudante de Educação Física, João Victor da Silva Pupo, de 19 anos, também quer estabilidade profissional. “Estou prestando o concurso por necessidade de conseguir um emprego estável. Não dá para ficar sem dinheiro”, afirmou. À tarde, foram aplicadas as provas para os cargos de agente de portaria, inspetor de alunos e tratador de animais. Ao todo, 34.497 mil pessoas se inscreveram para disputar as 84 vagas distribuídas entre os quatro cargos. As provas tiveram duração de três horas e a previsão inicial é de que o gabarito seja divulgado nesta terça-feira (1º), podendo haver alteração até a resolução do impasse com a questão da redação.