[[legacy_image_8673]] Há mais de meio século, moradores da Vila Sapo, na Ponta da Praia, em Santos, sonham em ter uma moradia própria adequada e iniciaram a contagem regressiva para que essa vontade se concretize. No terreno cedido pela União, parte ocupado pelas atuais moradias, será construído um conjunto habitacional popular, e as medições para que o projeto seja desenvolvido começaram. A expectativa do presidente da Associação Habitacional Vila Sapo, Bruno Melo da Cruz, é de que, em até um ano e meio, o projeto esteja pronto e aprovado na prefeitura. A partir de então, em mais dois anos, as 136 unidades estarão concluídas. A verba para a construção vem do programa Minha Casa, Minha Vida, pleiteada pela própria associação que, além de ter garantido os recursos, irá contratar os serviços. Apreensão Em 2009, quando o Governo do Estado inaugurou a maquete de uma ponte que sairia da Ponta da Praia com destino a Guarujá, todos ficaram apreensivos, pois o projeto passava bem em cima da comunidade e havia o temor da expulsão. Foi a partir desta perspectiva de despejo que um grupo começou a correr atrás de regularizar a situação e brigar para ter garantias de moradia popular. “Era tanta burocracia que quase pensei em desistir, mas segui em frente pela minha mãe, que sempre nos motivou e viveu o início desse movimento”, conta Cruz, que mora há mais de 30 anos na comunidade. Mesmo com tudo acordado e um contrato assinado com o Governo Federal para obtenção de recursos para a construção das moradias, ele ainda fica apreensivo. “Com a mudança de Governo, a gente não sabia como isso poderia ficar, mas nos garantiram que vão honrar os contratos assinados. Contudo, o ministro [da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas] veio a público dizer que não tinha recursos que chegassem até o fim deste ano. Isso nos assusta um pouco”. Com o trabalho de medição concluído, será possível definir se a área de cerca de 4.200 metros quadrados vai abrigar uma torre de 10 andares ou se o projeto será de vários blocos de até quatro andares. Lembranças A mãe de Bruno, Josefa Viera de Melo, de 60 anos, recorda que quando chegou na invasão, com o filho ainda pequeno, havia menos de dez famílias instaladas no terreno. Hoje, são cerca de 70 na área que fica entre os terminais portuários e as torres erguidas nos últimos anos na região. Paixão Fernandes dos Santos, de 94 anos, chegou ao local em 1967. “Não tínhamos luz, esgoto, ou ruas asfaltadas. Eram valetas de água suja que nos obrigavam a lavar os sapatos toda a vez que passávamos por lá. Era uma época difícil, mas, independente do que aconteça, sempre agradeço pelo teto que tive aqui”, lembra ela, que é uma das moradoras mais antigas da comunidade.