[[legacy_image_171364]] Paulo Mirabelli tinha 14 anos quando assistiu, de perto, ao laço de inauguração da loja dos pais ser desfeito e o público começar a entrar no primeiro comércio da família, Casa de Couros Mirabelli. Era 7 de abril de 1962, e a loja ficava na Avenida Senador Feijó, 107. De lá para cá, não foram só os 60 anos do negócio que se passaram, mas também o nome da loja, o perfil dos produtos, a diversidade e o tipo de público. Mas Paulo garante que ao menos uma coisa não mudou: a aposta no comércio de Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O nome da loja mudou quando seu Horácio, o pai, desfez a sociedade com o irmão. Ali nasceu a Lucibelli, mistura do sobrenome da família com o nome da irmã, Ana Lúcia. Além de Paulo e Ana Lúcia, Horácio e Anita tiveram também um terceiro filho, Horácio, falecido no ano passado, aos 69 anos. Os três filhos e o casal “trabalhavam duro”, como diz Paulo, para dar conta do público naqueles anos 60 e 70. “Mal tínhamos tempo de parar e almoçar. Foi de lá que adquiri o hábito de comer rápido, porque era comer e voltar para o balcão”, lembra o comerciante, hoje com 74 anos. Na prateleira via-se de tudo um pouco, mas o foco da loja eram artigos de couro, produtos para bijuterias e artesanato. Naquela época, predominava no balcão o público feminino, porque muitas mulheres, para ajudar no orçamento familiar, faziam artigos para vender e iam comprar na Lucibelli a matéria-prima para a produção. “Quando chegávamos, às 8 da manhã, já tinha gente na porta esperando”, conta. [[legacy_image_171365]] Novos endereçosDa Senador Feijó, a Lucibelli migrou em 1971 para a Rua Itororó, 134, e ali diversificou os produtos. Passou a oferecer tecidos para cortinas, carpetes, tapetes, móveis residenciais e de escritório, com consultores para a clientela. A loja da Itororó fechou há três anos. Ficou a da Av. Pedro Lessa, 2.090, que completou duas décadas no ano passado. A pandemia afetou fortemente o comércio, diz Paulo Mirabelli, mas foi graças ao planejamento ao longo dos anos que a loja se garantiu. “Não ter que pagar aluguel foi um ganho”. Outro fato ajudou a impulsionar as vendas: com muitas pessoas em home office, houve a necessidade de melhor equipar espaços domésticos para o trabalho, o que fez disparar a venda de cadeiras e móveis de escritório. Paulo Mirabelli acredita no comércio de rua e afirma que um dos diferenciais para quem lida com o público presencialmente é o atendimento. “É mais do que ter o produto na prateleira. É saber ouvi-lo e ajudá-lo (o cliente)”.