[[legacy_image_283675]] O calendário anda e aponta menos de uma semana para o fim de julho. O que parece não andar a contento são as obras da segunda fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Rua Campos Mello, em Santos. O prazo de término na próxima segunda-feira (31), a julgar pelo cenário visto nesta segunda-feira (24) pela Reportagem, não indica que seja obedecido, dando razão às faixas com a hashtag #VLTObraSemFim, colocadas em vários estabelecimentos da via. Vale lembrar que a última reunião entre o prefeito santista Rogério Santos (PSDB), a direção da Empresa Metropolitana de Transportes urbanos (EMTU), gestora da obra, além da construtora Alya, no dia 7 de julho, terminou com a promessa da finalização das obras na via este mês. Também foi confirmada a previsão de entrega do segundo trecho do VLT até julho de 2024. “A Prefeitura de Santos destaca que vem atuando junto à EMTU para que a obra estadual avance e os impactos na Cidade sejam minimizados. O Município alterou a legislação (com a aprovação da Câmara Municipal) permitindo a execução de obras públicas no período noturno, em áreas não residenciais”, diz a Administração Municipal, em nota. A Administração lembra, ainda, que “a Rua Campos Mello está incluída em outras etapas da obra. A conexão do primeiro trecho (já existe) com o segundo trecho (em construção) do VLT abrangerá o cruzamento desta via com a Avenida Francisco Glicério. Outra etapa será a conexão da Campos Mello com a Rua Dr. Cochrane por meio de um pontilhão. Já a etapa de instalação do cabeamento aéreo está prevista para o ano que vem”. [[legacy_image_283676]] Diferentes estágiosAo longo da via, um importante corredor comercial da Cidade, é possível notar diferentes estágios da obra. Vai da aparente conclusão em alguns trechos à colocação da cobertura da Estação Xavier Pinheiro (a rua terá outra, a Universidade I), e trabalhos mais intensos perto da Avenida Campos Salles. Entre eles, comerciantes que lutam para reverter prejuízos e os que aguardam tempos melhores. “Muitas pessoas vinham almoçar aqui e não nos procuram mais. Fora que meu marido teve que fazer compras de produtos por conta própria, pela dificuldade de estacionamento dos fornecedores”, explica a comerciante Marinete Nunes dos Santos, que toca, ao lado do marido, um bar na esquina com a Rua João Guerra. Do outro lado da via, em uma barbearia, o funcionário José Thiago Gueiros Bezerra observava a movimentação de carros, apesar das restrições da obra. “É ruim para estacionar, mas acho que vai melhorar. Vai ficar bonito. A iluminação vai melhorar, porque aqui é muito escuro. Tem um lado bom, vai dar mais visibilidade”, alega. Alternativa e resignaçãoAndando um pouco mais, a Reportagem encontrou Vanessa Amaro Botteger Viana. Dona de uma loja que vende de balas a bonés, e outros itens, ela conta que chegou com o marido à via em 2020, em meio à pandemia, e que sentiram a queda no movimento. Mas logo buscaram soluções para reverter o prejuízo. “Cada um vê a vida de um jeito. Não vou dizer que seja tudo bom. Mas penso como grande benefício para os comerciantes daqui, talvez não agora. Vem muita gente aqui que reclama para estacionar, mas receberemos clientes de outras regiões com o VLT. Já quanto à queda nas vendas, recorremos ao on-line, o que tem dado bons frutos”, acentua. Já nas proximidades da Rua Dona Luíza Macuco, Carla Cristina Fernandes Santos, que administra com o marido uma loja de material hidráulico, observa o cenário da Rua Campos Mello com resignação. “Complicou bastante (para os comerciantes), porque foi dada uma previsão que não será cumprida. Ficamos à mercê. Não sinto avanço, não. Já era para ter acabado faz tempo”, sinaliza enquanto lamenta a perda de clientes. “Pelos problemas para estacionar, viramos a última opção para muitos clientes, que só vinham aqui em último caso, quando não encontravam as peças em outros lugares”, pontua. EMTUEm nota, a EMTU limita-se a dizer que “as obras do viário no trecho da Rua Campos Mello seguirão até 31 de julho”. Também informa que 40% do total do segundo trecho foram concluídos. “Os trechos entre a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves e a Rua Luís Gama; Rua Luís Gama e Rua Borges; Rua Borges e Rua João Guerra; Rua Xavier Pinheiro e Rua Lowndes; Rua Emílio Ribas e Rua Dona Luiza Macuco; Rua Dona Luiza Macuco e Rua Henrique Ablas estão em fase de conclusão de acabamentos e concretagem final. Todos os cruzamentos mencionados foram liberados antes do previsto”, afirma. Quanto ao cruzamento da Rua João Guerra com a Rua Xavier Pinheiro, a previsão, segundo a EMTU, é de liberação no próximo sábado. [[legacy_image_283677]] Grande benefício“Cada um vê a vida de um jeito. Não vou dizer que seja tudo bom. Mas penso como grande benefício para os comerciantes daqui, talvez não agora. Vem muita gente aqui que reclama para estacionar, mas receberemos clientes de outras regiões com o VLT. Já quanto à queda nas vendas, recorremos ao on-line, o que tem dado bons frutos”, diz Vanessa Amaro Botteger Viana, Comerciante. [[legacy_image_283678]] Última opção“Complicou bastante (para os comerciantes), porque foi dada uma previsão que não será cumprida. Ficamos à mercê. Não sinto avanço, não. Já era para ter acabado faz tempo (...) Pelos problemas para estacionar, viramos a última opção para muitos clientes, que só vinham aqui em último caso, quando não encontravam as peças em outros lugares”, Carla Cristina Fernandes Santos, Comerciante. IsençãoA Secretaria de Finanças e Gestão de Santos informa que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos) está finalizando a relação das vias públicas impactadas pelas obras estaduais do segundo trecho do VLT para a identificação e publicação oficial dos contribuintes da Taxa de Licença e da Taxa de Publicidade beneficiados pela remissão e isenção tributárias, já aprovadas pela Câmara Municipal. A concessão de isenção e remissão será destinada exclusivamente para Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME), Empresas de Pequeno Porte (EPP) e optantes pelo Simples Nacional, cujas atividades empresariais tenham sido afetadas. Ela entrará em vigor a partir da publicação da Lei Complementar até o fim das obras em cada trecho.