[[legacy_image_275503]] Os eventos culturais em Santos, há tempos, desembarcaram na região do Valongo. E a aposta, a cada nova iniciativa, se mostra acertada. Dados da Secretaria de Empreendedorismo, Economia Criativa e Turismo indicam que, no ano passado, mais de 240 mil pessoas compareceram a festivais, de diferentes segmentos, realizados na região. E, agora, a expectativa é por números ainda mais significativos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O evento realizado no final de semana passado, a Festa de Portugal, teve a presença de 25 mil pessoas. Com palco no Largo Marquês de Monte Alegre e atividades nos Arcos do Valongo, a celebração referendou o local para a realização de eventos na Cidade. “Para nós, o conjunto arquitetônico é totalmente adequado, porque remete às construções portuguesas. Os espaços estão mais confortáveis. Estamos plenamente satisfeitos”, explica José Augusto do Rosário, presidente da Escola Portuguesa e organizador do evento. Porém, ele cita como necessárias melhorias na acessibilidade. Para o prefeito Rogério Santos (PSDB), o sucesso do Valongo como espaço de eventos não é casual. “É um dos primeiros locais da formação da Vila de Santos. É histórico, com equipamentos importantes. Além disso, vem trabalhando com grandes festivais. Santos é uma cidade extremamente cultural”, descreve. [[legacy_image_275504]] Segundo ele, unir Valongo e Paquetá, num grande arco cultural e de eventos, é uma iniciativa já em prática pela Prefeitura. “O Outeiro de Santa Catarina (no Centro) foi revitalizado, temos feito eventos lá também. Buscamos unir as duas pontas. Porque Santos começou assim”, complementa o prefeito. NúmerosO número alcançado em 2022 ganha realce quando distribuído pelos eventos realizados. Há destaque para os espetáculos, palestras e oficinas do Encontro de Cidades Criativas da Unesco, que atraíram 60 mil pessoas. O Festival Santos Café movimentou 50 mil pessoas, enquanto o Festival do Imigrante teve 12 mil. O Natal Criativo atraiu 35 mil visitantes, e o Santos Criativa Festival Geek reuniu 85 mil. [[legacy_image_275505]] “O Centro de Santos é um importante conjunto de remanescentes históricos materiais, com a paisagem cultural formada por suas ruas, seus passeios e construções. É fundamental a preservação desse conjunto. Mas, para isso, existe a necessidade de tornar esse patrimônio próximo à população. Criar empatia e, para isso, é fundamental ocupar esses espaços”, afirma a coordenadora técnica do Museu do Café, Marcela Rezek. A edição deste ano do Santos Café será realizada entre os dias 7 e 9 de julho e oferecerá mais de 80 atrações em oito pontos espalhados pelo Centro. Isso sem falar nas estações de degustação de café, com dezenas de marcas, distribuídas em três pontos. “O Museu do Café tem importante papel nesse processo de acolhimento do público frequentador do Centro. Com o próprio festival, reforça a vocação de espaço de convívio democrático e acessível”, acrescenta Marcela. ProjeçãoTuristas e, principalmente, santistas têm encontro marcado com sua memória afetiva. Está de volta a Festa Inverno, herdeira da antiga Cidade Junina e, que, após quatro anos, deve ser montada no Centro. O evento, organizado pelo Fundo Social de Solidariedade, com participação das secretarias de Empreendedorismo e de Cultura (Secult), será entre 13 de julho e 5 de agosto. “É um resgate, porque conseguimos atender às entidades num trabalho conjunto entre as secretarias. A volta da Festa Inverno foi um pedido do prefeito”, conta o titular da pasta de Cultura, Rafael Leal. Para ele — cuja secretaria organiza outro evento de destaque no Valongo, o Santos Criativa Festival Geek —, a região, a exemplo do Centro Histórico em geral, guarda um “charme especial”, capaz de atrair diversos públicos. [[legacy_image_275506]] “Acreditamos que é um grande indutor para o turismo, ainda mais agora, com a proximidade das obras nos armazéns (pelo projeto Porto Valongo). Tem um charme diferente, todo um frescor. Quando trazemos eventos para lá, é um casamento perfeito entre a história e a vida das pessoas. E é um elemento de segurança pública também, porque inibe malfeitores. Ali, também não há tantos impactos sonoros, nem de limpeza urbana. É o lugar apropriado para grandes eventos”, emenda. Tendência e encantamentoTitular em exercício da Secretaria de Empreendedorismo, Braz Antunes destaca o que vê como tendência: a reinvenção de espaços centrais das cidades em busca de público. Ele relaciona características que tornam o Valongo atraente para passear ou investir. “Nele, você anda a pé, não tem a questão do trânsito, encontra paisagens que a maioria das pessoas que não trabalham no Centro não vê com frequência. Acho que tem dado certo”, aponta o titular. Antunes acredita que a possibilidade de o Terminal de Passageiros também migrar para o Valongo deve potencializar o turismo nessa região. “Tem muito santista que não possui o hábito de vir para essa região. Com o Terminal de Passageiros, vai ser o grande salto de que o Centro precisa. Os passageiros dos cruzeiros vão poder sair do navio a pé, entrar no Museu Pelé, ir até o Restaurante-Escola. A área precisa ser ocupada com pessoas. Não adianta ter um prédio bonito se ninguém visitar”, analisa.