Em Santos, foram concluídas esta semana as obras de reconstrução de 2,250 mil metros quadrados da encosta do Morro do Pacheco (Alexsander Ferraz/AT) Cerca de 11 mil famílias moram em 26 áreas de risco nos morros de Santos, que há quatro anos foram palco de uma tragédia provocada pelas chuvas, com oito mortos - na mesma época, outras 34 pessoas perderam a vida em Guarujá e três morreram em São Vicente. Para evitar que essa situação se repita, a Cidade vem adotando ações de prevenção. A mais recente foi a reconstrução de 2.250 metros quadrados da encosta do Morro do Pacheco, que terminou este mês. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A mais recente obra teve como objetivo estabilizar e proteger o talude (área que dá sustentação e estabilidade ao solo) da área. Houve ainda a criação de um sistema de drenagem pluvial, com 65 metros de canaletas de concreto, para captar o volume de água e levá-lo para uma escada hidráulica de 60 metros de extensão. Segundo a Prefeitura, o equipamento já é ligado por meio de uma caixa de captação a um sistema de drenagem no local. Acima da canaleta também foram colocados 360 metros de drenos. Eles retiram o excesso de água do interior da encosta, aliviando a pressão sobre o local. Parte do morro ainda foi revestida com concreto e outra com uma geomanta biodegradável (um plástico oriundo de materiais renováveis) e plantio de grama. Depois foi aplicada a técnica de solo grampeado: responsável por interligar a superfície do talude com as camadas rochosas do maciço, reforçando a estabilidade para reduzir a possibilidade de movimentos de terra pela ação da gravidade. Ações não estruturais O coordenador da Defesa Civil de Santos, Daniel Onias, explicou que o órgão possui um plano municipal de redução de risco que está em atualização. Ele serve para mapear riscos geológicos de escorregamento e deslizamento nos morros. “A partir dele, a gente identifica e classifica os graus de risco e envia recomendações para que o município tome providências”. A formação de núcleos de proteção nas comunidades é uma das ações adotadas. Com a iniciativa, acontece a formação da população dos morros, sobre como agir até a chegada do apoio no momento de deslizamentos, escorregamentos ou desastres. Onias ainda comentou sobre o projeto Defesa Civil na Escola, que também tem como objetivo formar a comunidade sobre como classificar os riscos e primeiras ações. Durante o verão, o Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC) também é colocado em prática, de 1o de dezembro a 31 de março, podendo ser prorrogado. No período, são realizadas vistorias diárias nos morros e encostas, como forma de detectar possíveis perigos. Ao longo do ano, essas áreas também são monitoradas constantemente, com o auxílio de técnicos, engenheiro e geólogos. “O monitoramento acaba gerando remoções preventivas ou definitivas de famílias cujo imóvel se encontra em alto grau de vulnerabilidade, levando em consideração os níveis de chuva”, afirmou Onias. No caso de ocupações nas encostas, ele revela que é feito um trabalho de fiscalização conjunta com a Polícia Militar Ambiental, por meio de atividade delegada. Investimentos De acordo com o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos de Santos, Wagner Ramos, a pasta vem acompanhando a situação dos morros junto com a Defesa Civil, avaliando quais trabalhos serão necessários para a segurança da população. Conforme Ramos, o investimento em obras para prevenção de desastres nos morros entre 2023 até 2025 chegará estaduais e financiamentos obtidos pelo município. Barreira do João Guarda em 2020: morro de Guarujá teve 23 mortos no temporal de quatro anos atrás (Alexsander Ferraz/AT) Tragédia deixou lições Desde da tragédia de 2020, Guarujá, que contabiliza 15 áreas risco, também intensificou as medidas de segurança e prevenção nos morros. O diretor da Defesa Civil guarujaense, Jozzefer Vincov, destacou que essas medidas já surtiram efeito no ano passado, quanto também houve o registro de fortes chuvas, sem deixar vítimas. Nesta semana, uma obra de contenção nas encostas da Barreira do João Guarda foi finalizada, com a construção de uma nova galeria de drenagem pré-moldada, além de um sistema de microdrenagem, guias, sarjetas e bocas de lobo. Também foram realizados serviços de macrodrenagem: instalação de galerias e canal no entorno do morro. Nas bordas do morro em si, foi feita a construção de escadas hidráulicas: elas diminuem a velocidade e direcionam a água para as galerias, que por sua vez, desembocam no canal da Avenida Atlântica. Vincov conta que a Cidade possui 15 pluviômetros automáticos, responsáveis por fazer a medição da chuva em tempo real. Para auxiliar esse monitoramento, existem ainda dois dispositivos que medem a umidade do solo. “Recentemente, instalamos uma sirene em caráter experimental na Barreira do João Guarda. Também fazemos vistorias diariamente em todos os morros, além de atuar durante o verão com monitoramento intensificado, como forma de evitar danos e prejuízos”. Atuação nas escolas Vincov ainda falou sobre o projeto de educação nas escolas, que neste ano visa atingir cerca de 2,3 mil alunos das redes pública e particular. “Eles aprendem o conceito de risco, sobre prevenção, como evitar escorregamentos, além de noções básicas das áreas do Município”. Vincov afirma que o projeto é principalmente voltado a escolas de áreas de risco. Assim como Santos, Guarujá também vem formando núcleos de proteção e defesa civil com a população das comunidades. A primeira ocorreu na Praia Branca e a segunda está prevista para a Barreira do João Guarda. “Pessoas da comunidade passam por treinamento multidisciplinar com conceitos do Corpo de Bombeiros, informações do Samu, recebem equipamentos e certificados de voluntários em casos de emergência”. O diretor orienta que, em caso de situações de risco, a população por acionar a Defesa Civil por meio do 199, que funciona 24 horas por dia. O Corpo de Bombeiros também pode ser acionado pelo 193.