Coordenadora do Coletivo Negro da Unifesp, Geovana Mandinga diz que o tema do encontro busca valorizar a cultura preta por meio do movimento hip hop (Arquivo pessoal) Reconhecer a importância e a contribuição do hip hop dentro da cultura negra para além de questões como o racismo, a violência e os estigmas enfrentados pela comunidade negra é o tema do último encontro do ciclo formativo Enegrecendo Saberes, promovido pelo Coletivo Negro Dona Ivone Lara, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O evento marca a celebração do coletivo pelo Dia da Consciência Negra e ocorrerá nesta quinta-feira (21), a partir das 17h30, no Saguão Central do campus Baixada Santista, na Vila Mathias, em Santos. Estudante do curso de Serviço Social da Unifesp, a coordenadora do coletivo Geovana Mandinga, de 21 anos, diz que o tema propõe por meio do movimento uma reflexão sobre a saúde da população negra. “Nesse ano, o debate é voltado ao cuidado e à promoção da saúde mental da população negra, compreendendo a importância da cultura preta e de periferia também como instrumento de cuidado, lazer, pertencimento e luta. Queremos ainda promover uma 'pretagonização', isto é, promover o protagonismo negro nessa discussão”, ressalta. Ela reforça a importância do movimento hip hop nos processos de compreensão de vida e revalorização da identidade e da cultura preta. Participam do encontro convidados que representam os elementos do hip hop na região como DJ Profana, que atua no ramo da música desde 2014, e Felipe Moreira, dançarino de rua. Estarão presentes ainda a artista de rua Laila, conhecida como Pelox, organizadora do Shot de Leitura — que incentiva a leitura de intelectuais negros dentro da comunidade do Saboó, em Santos — além do produtor cultural e MC Chagas da Selva, atual diretor de produção cultural do Observatório de Arte Preta e Periférica. Para a grafiteira Pelox, uma das convidadas do encontro, o grafite dialoga com a comunidad (Arquivo pessoal) Segundo a coordenadora do coletivo, Geovana Mandinga, o objetivo é que todos compartilhem suas experiências dentro do movimento. “Queremos dar luz a outros modos de produção de saberes. Para isso, os membros do coletivo planejam realizar duas oficinas, de grafite e slam, com os estudantes e demais participantes da comunidade que estarão presentes no encontro. Para Pelox, o grafite é um símbolo de resistência para as mulheres. “Está além da tinta no muro. Quando estamos pintando na rua, já somos um ato de resistência porque nosso corpo é um corpo político”, acredita ela. A artista afirma que o grafite dialoga com a comunidade e o fato de ser mulher nesse segmento coloca em evidência questões femininas, como a segurança e o corpo da mulher, especialmente o de mulheres negras. “Nós não podemos ser só artistas, temos que ser mães e trabalhadoras também. Acredito que o grafite seja um ponto de referência social para que nós, mulheres negras, possamos nos expressar e falar um pouco da nossa vivência na comunidade”, conta. Para ela, o Dia da Consciência Negra, na última quarta-feira (20) ser considerado feriado nacional pela primeira vez é reflexo da luta da comunidade preta. “Embora tardio o reconhecimento desta data é fundamental para a memória do país e para a valorização da cultura e da história afro-brasileira”, reflete. (*) Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - UniSantos sob supervisão da professora Lidiane Diniz e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes