Clube XV funcionou durante muitos anos na Avenida Washigton Luís, no Canal 3, em Santos (Vanessa Rodrigues / Arquivo AT) O Clube XV, fundado em 12 de junho de 1869, é considerado um importante patrimônio histórico e cultural de Santos, no litoral de São Paulo. Prestes a completar 157 anos de fundação, o clube carrega o título de mais antigo em atividade no litoral paulista e um dos mais tradicionais do Brasil, reunindo em sua trajetória personagens ilustres, grandes eventos e uma profunda ligação com a sociedade santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mais do que um espaço de convivência, o Clube XV ajudou a construir parte da identidade cultural de Santos. Entre seus fundadores e frequentadores estiveram importantes nomes ligados ao abolicionismo, à política e à cultura santista. Figuras como Giusfredo Santini, que presidiu o clube em duas oportunidades, e o poeta e médico Martins Fontes fazem parte da rica memória da instituição. Ao longo de décadas, os salões do Clube XV foram palco de bailes memoráveis, réveillons concorridos, festas de casamento, encontros sociais e eventos culturais que marcaram gerações de famílias em Santos. O clube também se destacou por iniciativas artísticas e culturais promovidas pela diretora Alzira Matos, homenageada “in memoriam”, responsável por organizar palestras, oficinas de pintura e atividades culturais abertas à comunidade. Mesmo com dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos anos, o clube conseguiu se manter ativo. Com a inauguração de uma nova sede em 2010, a diretoria passou a investir em parcerias e locações de espaços para academias de ginástica e outras atividades compatíveis com os objetivos da instituição, buscando novas fontes de receita para garantir a manutenção do patrimônio histórico. Parceria com o Clube Sírio-Libanês Segundo o presidente do clube, Gilberto Ruas, que está à frente da diretoria desde 2011, o Clube XV enfrentou um dos momentos mais difíceis de sua história em setembro de 2023, quando foi desalojado de sua nova sede após disputas judiciais envolvendo taxas condominiais consideradas indevidas pela administração da entidade. “Apesar das constantes dificuldades e pressões sofridas, nunca desistimos da luta pelo clube e pela sua história”, afirma Ruas, hoje com 84 anos e sucessivamente reeleito pelos associados. Após deixar a sua sede, o Clube XV firmou parceria com o tradicional Clube Sírio-Libanês de Santos, também no Gonzaga, que passou a acolher temporariamente as atividades sociais e administrativas da entidade. A união entre os clubes permitiu que os associados do XV continuassem tendo acesso a estrutura social, incluindo piscina, salões de festas e o beach club administrado pelo Sírio-Libanês. Ainda de acordo com Ruas, o clube segue funcionando graças ao empenho voluntário de antigos colaboradores e diretores. A antiga gerente do Clube XV, por exemplo, passou a integrar o quadro do Sírio-Libanês, mas continua auxiliando nas demandas da instituição sem remuneração adicional. “O que mais frustra é não conseguir quitar integralmente os direitos de dois funcionários que dedicaram suas vidas ao clube, sendo um deles com 56 anos de trabalho”, lamenta o presidente. Esperança Apesar das batalhas judiciais e financeiras, a diretoria mantém a esperança de reverter as ações na Justiça e garantir o ressarcimento da instituição ou até mesmo a recuperação de sua antiga sede. Para Gilberto Ruas, preservar o Clube XV é preservar a própria memória de Santos. “São mais de 150 anos de história. O Clube XV sempre foi um patrimônio da cidade, um espaço de convivência, cultura e tradição. A comunidade santista sempre será bem-vinda para fazer parte dessa história”, conclui.