Santos tem características urbanas que favorecem o surgimento das ilhas de calor (Vanessa Rodrigues/AT) Santos, uma das cidades mais procuradas por aposentados e conhecida pela sua qualidade de vida, enfrenta um grande desafio climático: o pior índice de ilhas de calor no litoral de São Paulo. De acordo com a plataforma Urbverde, a cidade obteve o coeficiente 83,3 – sendo 100 o limite máximo – refletindo a severidade do fenômeno que afeta a temperatura local. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A cidade, que é a mais populosa da Baixada Santista, sofre com uma combinação de fatores como a intensa atividade portuária, a grande concentração de edifícios altos que bloqueiam a brisa do mar e a geografia montanhosa. Esses elementos contribuem para um aumento de temperatura em diversas áreas. A metodologia da Urbverde leva em consideração a intensidade das ilhas de calor, somando a diferença de temperatura com a área afetada e multiplicando pela quantidade de moradores mais vulneráveis, como crianças e idosos, que são mais sensíveis ao calor intenso. A Verticalização e o uso do solo: principais fatores do aquecimento Santos tem características urbanas que favorecem o surgimento das ilhas de calor. A cidade é conhecida por sua alta verticalização à beira-mar e pela grande quantidade de construções, que utilizam materiais como asfalto e concreto, que absorvem calor. Esses elementos aumentam a temperatura local, principalmente nas regiões mais densamente construídas. Atualmente, Santos é uma das três cidades do Brasil em que há mais apartamentos do que casas, ao lado de São Caetano do Sul e Balneário Camboriú. Outro dado alarmante é o baixo percentual de cobertura vegetal, estimado em apenas 10%. A vegetação é crucial no combate ao aquecimento, já que, por meio da evapotranspiração, ajuda a reduzir as altas temperaturas. Além disso, a cidade sofre com “ilhas internas” de calor, ou seja, áreas onde o calor é ainda mais intenso do que na média da cidade. A região portuária de Santos apresenta temperaturas mais elevadas devido ao impacto das atividades do porto e à obstrução da brisa marítima, intensificada pela construção de grandes edifícios. Áreas críticas e os efeitos no bem-estar da população Mesmo em bairros mais afluentes, como o Embaré, o fenômeno é notório. Nessas regiões, a falta de áreas verdes e a verticalização da orla intensificam a sensação de calor. Bairros como Vila Belmiro e Campo Grande também estão entre os mais afetados, especialmente nas proximidades de hospitais e áreas densamente urbanizadas. A presença de uma população idosa significativa em Santos contribui para o agravamento do problema, já que pessoas com mais de 60 anos são mais vulneráveis ao calor excessivo. Dados do Censo 2022 apontam que mais de 25% da população da cidade tem 60 anos ou mais, o maior percentual da Baixada Santista. Iniciativas para combater as Ilhas de calor Para enfrentar o aumento das temperaturas e melhorar a qualidade de vida, a Prefeitura de Santos estabeleceu metas de arborização. A Administração Municipal planeja plantar 10 mil árvores até 2028, como parte do Plano de Ação Climática. A meta final é atingir 45 mil árvores na cidade, o que permitiria uma cobertura verde de 15 metros quadrados por habitante, um índice considerado ideal pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana. A cidade também está investindo em “cinturões verdes”, que são corredores arborizados que ligam as áreas mais altas da cidade à orla. Estes cinturões, além de 214 praças e parques municipais, têm como objetivo aumentar a permeabilidade do solo e reduzir a absorção de calor. Espaços públicos e ações de conscientização A Secretaria de Meio Ambiente de Santos trabalha em projetos para transformar parte das áreas asfaltadas da cidade em espaços permeáveis. A meta é transformar ao menos 1% dessa área, ou seja, 70 mil metros quadrados – equivalente a dez campos de futebol – em áreas com jardins de chuva, calçadas verdes e outras soluções sustentáveis. No entanto, não há um prazo fixado para a conclusão desses projetos. A Prefeitura também oferece apoio às populações mais vulneráveis, com iniciativas como o Programa Televida, que oferece assistência domiciliar para idosos, e as Vilas Criativas, centros de promoção da saúde e bem-estar para pessoas acima de 60 anos. Além disso, a cidade tem investido em espaços públicos como fontes interativas e áreas arborizadas, principalmente nas 86 escolas municipais, que abrigam cerca de 1,8 mil árvores, ajudando a mitigar os efeitos das altas temperaturas no ambiente escolar.