[[legacy_image_51215]] O ano de 2021 marca o aniversário de 70 anos da chegada dos primeiros discos de vinil ao Brasil. De acordo com artigo publicado no portal “Universo do Vinil”, um dos maiores do país sobre o assunto, 1951 foi o ‘ponto de partida’ para a “mania” que tomaria conta dos corações dos amantes da música e que, décadas depois, continua em alta. Em Santos, poucos entendem mais sobre o assunto do que a proprietária da “Disqueria”, loja de discos, livros e outros itens usados, que funciona há cerca de 35 anos e está localizada na Avenida Conselheiro Nébias. Confira a videorreportagem abaixo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! [[legacy_youtube_bSS1hlMr9NM]] Em entrevista, Cláudia Guimarães Chelotti, de 62 anos, falou sobre a presença do vinil no Brasil e suas diferentes etapas. “Vendemos desde que era lançado ‘normalmente’ pelas gravadoras. É claro que quando o CD apareceu, caiu um pouco, pois muitos fizeram a ‘troca’, mas, hoje, muita gente quer de volta”, brinca. “De vez em quando tem a ‘história’ de que o vinil ‘voltou’, mas, desta vez, sinto que não é apenas uma ‘modinha’, pois há aproximadamente cinco anos veio uma onda mais forte por conta da produção de toca-discos". Apesar da retomada parcial do sucesso nas vendas, Cláudia afirma que “nunca será como antes, quando todo mundo tinha uma vitrola em casa”. Em contato com a música diariamente, a proprietária da loja também ‘comparou’ a maneira como consumimos a arte nos dias atuais com os ‘anos dourados’ do vinil. “Hoje, as pessoas não têm as músicas [em mãos, com os produtos em mídia física]. Existe o Spotify, que eu acho bacana, pois dá a oportunidade de escutar o que quiser e onde quiser. É interessante até para conhecer bandas novas, mas, depois disso, quem gosta, quer ter em mãos”, cita. “Cadê a letra, a capa e a concepção? O artista pensou e fez uma obra. O disco apresenta músicas que um grupo fez em um determinado momento de sua vida. [Na atualidade] você busca na internet a letra das músicas. Tudo fica solto, em pedacinhos, você não tem uma obra”. De acordo com Cláudia, a grande diferença entre o consumo no passado e no presente é a possibilidade de acesso a uma obra completa, com detalhes concebidos pelos artistas. “Acho que as pessoas estão começando a sentir falta disso. Vejo isso nos mais jovens. É diferente você ter todos os discos da banda Rolling Stones em um pen drive ou na ‘nuvem’, por exemplo, pois o grupo jamais se juntou e tocou 12 mil músicas de uma vez”, humoriza. [[legacy_image_51216]] Falando de ‘obras completas’, a “Disqueria” oferece também os "discos picture”, que apresentam imagens impressas nos próprios “bolachões”. “Além da parte visual, eles tocam mesmo! Todo mundo fez, a Madonna, Michael Jackson, entre outros grandes artistas, isso vende muito. Acho bonito e curioso”. Vale lembrar que a loja de Cláudia foi concebida por seu falecido marido, o artista Wagner Parra. O lugar já teve a presença de grandes nomes da música, como os integrantes do Charlie Brown Jr, por exemplo. Hoje proprietária, ela contou que a origem da loja, assim como seu nome, provém de histórias curiosas. “Tínhamos todos os discos em prateleiras no nosso apartamento, mas, um dia, tudo caiu. Quando isso aconteceu, ele falou para abrirmos uma loja”, lembra. “Na Argentina, as lojas de disco são chamadas de ‘Disqueria’. Ele foi para o país vizinho fazer um trabalho, notou e teve a ideia. Isso aconteceu justamente quando estávamos procurando um nome para ela. Fizemos até uma consulta com numerologia para ver se era um bom nome, e foi aprovado”. Do passado para o presente, a loja, assim como a maioria dos estabelecimentos comerciais do país, sente as dificuldades em meio à pandemia de coronavírus. “Ainda influencia [os negócios], pois muita gente ainda tem medo de sair de casa, o que eu acho perfeito, não é para sair sem motivo. Mas, para aqueles que não conseguem ficar reclusos, aqui, temos um ambiente grande e aberto. Embora esteja melhor, ainda não está no ritmo normal”. [[legacy_image_51217]]