[[legacy_image_230102]] Pode-se dizer que, há seis anos e meio, o santista Vitor Pajaro mudou para o outro lado do mundo - mora em Gold Coast, na Austrália, há um ano e meio, sendo os cinco anteriores em Sydney. E, não foi só a geografia que se alterou, embora isso já fosse mais do que suficiente, levando em conta que seriam apenas seis meses para aprender e aperfeiçoar o inglês. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Casado com Daniela, pai de João, de 2 anos, e esperando o nascimento da filha Luísa para janeiro, o jornalista de formação - trabalhava na assessoria de imprensa do Santos Futebol Clube até meados de 2015 - deu, literalmente, um novo tempero à vida: fez curso de dois anos e meio de chef de cozinha e mergulhou na profissão para celebridades do cinema, em um caminhão cozinha que acompanha equipes de filmagem por todo o país. "Meu chefe, que é australiano, está nessa indústria há quase 30 anos. Cada trabalho (filme) dura três meses de filmagens diárias. Estou no meu terceiro. Agora estamos em um seriado teen australiano que vai até março e, depois, já embarcamos em outra aventura", conta. Há pouco mais de duas semanas, a equipe com três pessoas cozinhou para toda a equipe do set de filmagem de Land of Bad. A produção se passa nas Filipinas, mas foi toda gravada em Gold Coast, aproveitando os ambientes paradisíacos australianos que permitem reproduzir outros países. No elenco estavam Russel Crowe, Liam Hensworth e Milo Ventimiglia - este último, por exemplo, é Jack Pearson na série This is Us, sucesso no streaming e que está sendo exibida pela TV Tribuna. "Minha mulher é fã dele. Falei para ele, que foi super legal. Queria fazer um facetime com ela. Pena que eu nao tava com meu telefone", lembra. Toque brasileiro Cada dia, no mínimo, são 10 horas de trabalho, às vezes começando às 2 da manhã. "A gente cozinha todos os dias para cerca de 200 pessoas todos os dias. São quatro refeições por dia: café, lanche da manhã, almoço e lanche da tarde. Então são cerca de 800 refeições por dia. É uma loucura gostosa, mas uma loucura. A gente faz tudo: uma hora é salada, meia hora depois um sushi e, depois, um bolo", descreve", estima Pajaro. [[legacy_image_230103]] Como não poderia deixar de ser, o toque de brasilidade está presente nos pratos. Ainda mais porque não há um menu fixo. "Já estamos servindo pão de queijo e fiz o nosso famoso pavê", revela. "O bolo de cenoura deles aqui é diferente. Quando fiz o nosso com calda de chocolate, eles piraram. Mas também estou aprendendo muito porque eles são muito influenciados pela culinária asiática da Tailândia, China e Japão", conta o chef de cozinha, que promete preparar uma moqueca para os artistas. Saudade Quando terminou o curso, Vitor Pajaro conseguiu o visto de trabalho e quer aprender o máximo que puder. "Costumo falar que, se minha cabeça fosse um computador, precisaria de um HD novo para guardar tudo que aprendi nesse tempo no caminhão", afirma. [[legacy_image_230104]] Dentro da receita de vida, o chef de cozinha não descarta retornar para o Brasil. "A gente planeja voltar um dia, por conta dos filhos, família e amigos. Por mais que a vida aqui seja boa, o Brasil é o Brasil. Sinto muita falta do País. Tem muitas coisas boas, mas ao mesmo tempo sentimos saudade. O Brasil não é o pior dos mundos. Muita gente fala que morar fora do País é a solução para tudo e, no fim das contas, encontra outros problemas. Tem muita gente que desiste e vai embora", analisa.