Os fiéis foram em peso acompanhar a primeira missa (Vanessa Rodrigues/AT) Meses antes de completar seu 100º aniversário, a Catedral de Nossa Senhora do Rosário, que fica no Centro de Santos, foi reaberta ao público na manhã deste sábado (24) com uma missa inaugural presidida pelo bispo diocesano de Santos, dom Tarcísio Scaramussa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nem mesmo com o tempo frio, com picos chuvosos ou a obras do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) nas ruas próximas impediram os fiéis de lotarem a Catedral para celebrar a primeira missa pós-revitalização. A retomada de atividades coincide com o início das celebrações da Padroeira de Santos e a imagem será trazida neste domingo (25) do Monte Serrat. Para o casal, Irene de Jesus Cantalice, de 71 anos, e Antônio Cantalice, de 62, a missa inaugural foi emocionante. Ambos são moradores de Cubatão e mesmo assim vieram prestigiar a reabertura e a missa. “Uma emoção muito grande de retornar na casa da mãe”, comenta Irene. “É um aconchego espiritual para nossa alma e uma alegria para nosso espírito voltar à casa da mãe que acolhe todas as paróquias da nossa região diocesana de Santos. Parabéns à equipe diocesana por priorizar essa reforma, e nesta data tão importante trazer-nos de volta para participar da Santa Missa, que é o ápice do amor de Deus no coração de cada um dos fiéis”, ressalta Antônio. Antônio e Irene acompanharam a primeira missa (Vanessa Rodrigues/AT) Fora a participação, alguns trouxeram presentes como Joyce Pereira Caldeira, de 73 anos, que deixou um vaso de flores no altar dedicado à Santa Josefina Bakhita (1869-1947) , a primeira santa africana, que foi canonizada em 2000 graças à cura de Eva Tobias da Costa, moradora de Santos, portadora de diabetes. Joyce contou que o presente foi uma promessa à santa e aproveitou a data para cumpri-la, além de assistir à missa. Frequentadora da Catedral e moradora de Santos, a idosa comentou que voltará aos sábados. “Melhorou bastante, eu acho que ficou muito bom, eu achei bonito. Foi ótimo (voltar)”. Com bancos cheios, parte dos fiéis aproveitaram para assistir a missa de pé. Ali, não só havia santistas, mas moradores de toda parte da Baixada Santista. É o caso de Santina de Paula Souza, de 58 anos, de São Vicente, e que atua no Município como secretária paroquial. “Graças a Deus estamos novamente com as nossas missas louvando. A nova casa está linda, fico agradecida a todos os benfeitores que ajudaram. Que Deus abençoe a todos. Ficou tão bonita a casa da igreja mãe que nos acolhe. Fico muito feliz de estar aqui com a graça de Deus”, diz. Santina (à esquerda) e Joyce (à esquerda) amaram a revitalização (Vanessa Rodrigues/AT) O bispo diocesano de Santos, dom Tarcísio Scaramussa, não poupou palavras ao destacar uma sensação de vitória com a reabertura. Principalmente foi ter coincidido com as celebrações da Padroeira de Santos. A imagem de Nossa Senhora do Monte Serrat ficará na Catedral até o fim de novena, em 8 de setembro. “Foi uma grande conquista. Há tempo a gente vem batalhando e muitas coisas dificultaram, como a pandemia. Não conseguimos terminar em tempo do Centenário, mas graças a Deus agora a gente conseguiu. Toda essa caminhada foi a partir da colaboração das pessoas da sociedade, senão a gente não conseguiria realizar esse sonho”, afirma. Revitalização O pároco da igreja, o padre José Myalil Paul, celebrou a reabertura reafirmando que trabalhou todos os dias incansavelmente durante os cinco meses e 23 dias sem feriados ou domingos, para reabrir o quanto antes. A princípio, o foco foi restaurar o que estava quebrado. Depois disso, a pintura foi feita na parte interna da Catedral, seguida por uma reforma elétrica para realizar a instalação de um sistema que considerou “ultramoderno” nas dependências. Por fim, foi feita uma limpeza e iniciada a lavagem da fachada. Cerca de R\$ 1,38 milhão foi investido. “Uma reforma praticamente ‘do cabelo ao pé’. Tenho uma sensação de missão cumprida, porque quando o Bispo me chamou, no ano passado, ele pediu para que eu retornasse para a Catedral -da qual fiz parte por 17 anos- e resolvesse o problema dela. Eu vim e resolvi, por isso a sensação”, conta. O bispo, dom Tarcísio Scaramussa, vê as obras como um sinal de vitalidade da igreja Católica. Principalmente pela ampla participação do público em sua reabertura e durante a revitalização. “Ouvimos também sugestões das pessoas interessadas. Quer dizer, realmente foi uma obra de várias mãos, um sinal bonito de igreja e queremos agradecer a todos que participaram”. O padre José (à esquerda) e o bispo dom Tarcísio (à direita) (Vanessa Rodrigues/AT) Igreja Quase centenária, a Catedral de Santos, localizada na Praça José Bonifácio, é a sede da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário Aparecida, a mais antiga da cidade. Agora, as missas por lá serão, de segunda à sexta-feira, ao meio-dia e, duas aos domingo, às 10 e às 17 horas. Construída em estilo gótico misto, a igreja foi projetada pelo engenheiro Marx Hell, que também idealizou a Catedral Metropolitana de São Paulo. A fachada destaca duas imagens em granito natural de São Pedro e São Paulo, além de figuras dos profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, acompanhadas pelos quatro evangelistas. A construção da Catedral, iniciada em 1915 e concluída oficialmente em 1967, foi marcada por inúmeras campanhas de doações. Em 4 de outubro de 1924, a igreja foi inaugurada, mesmo inacabada, e em 12 de abril de 1925, tornou-se oficialmente a Igreja Catedral, consolidando-se como o principal cenário das celebrações católicas na Baixada Santista.