Atualmente, o visitante pode conhecer o terraço do complexo e observar uma vista panorâmica de Santos. (Acervo A Tribuna) No alto de um dos morros mais conhecidos de Santos, no litoral de São Paulo, o Monte Serrat guarda uma história que vai muito além da religiosidade e da paisagem. Antes de se tornar um dos pontos turísticos tradicionais da cidade, o local abrigou um cassino que recebeu artistas e personalidades, sendo considerado um dos endereços mais sofisticados da vida noturna santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O espaço funcionou entre 1927 e 1946, período em que os cassinos ainda faziam parte do cenário de entretenimento no Brasil. A atividade foi encerrada após a proibição dos jogos de azar no País, determinada pelo Governo Federal. Um cassino no alto do morro A história do complexo está ligada à construção do sistema de bondinho funicular, idealizado por imigrantes espanhóis. As obras começaram em 1910, mas foram afetadas pelas dificuldades de importação durante a Primeira Guerra Mundial. A inauguração ocorreu em junho de 1927. Poucos meses depois, em setembro daquele ano, o prédio passou a abrigar um cassino. O empreendimento reunia salão de festas e espaços de lazer, atraindo visitantes interessados na programação noturna e na experiência de estar em um dos pontos mais altos da cidade. O ambiente era marcado pelo luxo. Materiais como mármore de Carrara, vitrais belgas, cortinas, tapetes franceses e peças de decoração europeias compunham o espaço, que ganhou fama entre os frequentadores. Monte Serrat em 1968 (Cândido Gonzalez/A Tribuna) Artistas e personalidades Durante os anos de funcionamento, o Monte Serrat esteve associado a apresentações de nomes importantes da música brasileira, como Carmen Miranda, Francisco Alves e Sílvio Caldas. A presença de artistas e visitantes ilustres ajudou a construir a reputação do cassino, que se tornou parte da história da boemia santista. O local também é lembrado por ter recebido personalidades de destaque, incluindo reis e presidentes, conforme registros históricos do período. A trajetória do empreendimento, porém, foi interrompida em 1946, quando o Governo Federal proibiu os jogos de azar no Brasil. Com o fim da atividade, o espaço deixou de exercer a função de cassino, mas o prédio permaneceu como parte do conjunto histórico do Monte Serrat. Do cassino ao espaço de visitação Décadas depois, o antigo cassino passou por uma reforma, concluída em 1998. O prédio foi adaptado para receber atividades sociais e culturais, além de espaços de lazer e contemplação. Atualmente, o visitante pode conhecer o terraço do complexo e observar uma vista panorâmica de Santos. O cenário inclui a região central, a orla, o Porto de Santos e municípios vizinhos, como São Vicente, Cubatão e áreas de Guarujá. O local também mantém elementos que remetem ao passado do empreendimento, como a arquitetura e a ambientação do antigo salão. Um dos símbolos de Santos Além da história do cassino, o Monte Serrat abriga o Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira de Santos. A capela é um dos principais pontos de visitação do morro, reunindo fiéis e turistas ao longo do ano. O acesso ao santuário pode ser feito pela escadaria de 416 degraus, que conta com 14 nichos representando a Via-Sacra, ou pelo tradicional bondinho funicular. A construção da capela remonta ao período colonial. Oficializada em 1599, ela passou por diferentes intervenções ao longo dos séculos. A história religiosa do local se soma à trajetória do antigo cassino e ajuda a explicar por que o Monte Serrat permanece como um dos patrimônios mais conhecidos de Santos. Entre a fé, a arquitetura e as lembranças da antiga vida noturna, o complexo reúne diferentes capítulos da história da cidade em um único endereço.