Trabalho de conscientização, mutirões e ciclo endêmico da doença são apontados como os principais fatores para a redução de casos (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Entre janeiro e junho deste ano, Santos registrou 483 casos de dengue. O número representa uma redução de 88,11% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 4.062 diagnósticos. Apesar da queda expressiva, a Secretaria Municipal de Saúde alerta que fatores climáticos podem influenciar um novo aumento da doença nos próximos meses. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o secretário municipal de Saúde, Fábio Lopez, a redução não pode ser atribuída a um único fator. “Eu destaco, em primeiro lugar, o ciclo endêmico da doença e essa soma de ações que vêm sendo realizadas, tanto pelo Poder Público, quanto pela sociedade, principalmente em relação à conscientização sobre a eliminação dos focos do mosquito”, apontou, explicando que a doença que costuma alternar períodos de alta e baixa incidência a cada dois ou três anos. Entre as medidas adotadas pelo Município estão o reforço dos mutirões de combate ao mosquito, visitas de agentes de saúde, utilização de um novo larvicida, monitoramento por drones, instalação de mais de 480 armadilhas para identificação de focos e campanhas de conscientização para eliminar recipientes com água parada. Além disso, a Secretaria de Saúde destaca que a antecipação das temperaturas mais baixas neste ano também contribuiu para reduzir a reprodução do mosquito Aedes aegypti. Clima exige atenção Apesar do cenário positivo, Lopez afirma que ainda não é possível prever o comportamento da doença no segundo semestre. Segundo ele, mudanças climáticas e fenômenos como o El Niño podem alterar rapidamente as condições favoráveis à proliferação do mosquito. “Quando a gente tem a associação de fortes chuvas e calor, há um cenário propício para o desenvolvimento do mosquito, por ter uma chance maior de acúmulo de água parada nas regiões externas ou mesmo nos ralos, que muitas vezes estão em garagens de prédio”, explicou. Por isso, o secretário afirma que a Prefeitura não pretende reduzir nenhuma das ações de combate, mesmo com a queda nos indicadores. “Vamos continuar desenvolvendo todas as ações previstas, independentemente da redução expressiva do número de casos”, declarou. Vacinação O secretário também reforçou a importância da vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, disponível nas policlínicas de Santos. Segundo ele, menos da metade do público-alvo recebeu a vacina até o momento. “A gente não pode deixar nenhuma margem para a sociedade deixar de colaborar, porque temos a responsabilidade, claro, de fazer as ações, mas é fundamental a participação da população porque a gente não consegue estar dentro das residências em todo o tempo”, ressaltou. Terceira avaliação de larvas começa quarta-feira O Centro de Controle de Zoonoses e Vetor (CCZV), da Secretaria de Saúde de Santos, inicia na quarta-feira a terceira Avaliação de Densidade Larvária de 2026. O objetivo, segundo a Prefeitura, é prevenir novos casos de arboviroses e mapear as áreas com maior risco identificado pelo sistema, que estuda e escolhe os locais de vistoria a partir dos dados submetidos pelos profissionais de combate ao Aedes aegypti. Até 24 de julho, os agentes de combate à endemias vão vistoriar aproximadamente 5,4 mil imóveis em todo o Município (600 por bairro). Após a coleta e análise das amostras, é gerado um resultado classificado como índice de Breteau (IB), que relaciona o número de imóveis vistoriados e o de amostras com incidência de larvas, com finalidade de avaliar o nível de infestação do mosquito da dengue na região aferida. O Ministério da Saúde considera ideal um índice igual ou inferior a 1. Entre 1 e 3,9, indica situação de alerta, e superior a 4, risco de surto. Paralelamente, o grupo de Informação, Educação e Comunicação (IEC) realiza ações educativas em diferentes pontos, como o Projeto Sala de Espera, conscientizando pacientes sobre arboviroses enquanto aguardam atendimento dentro das policlínicas. Nos 17 mutirões realizados em 2026, foram eliminados 1.209 focos com larvas de mosquito e registradas 1.161 recusas de entrada dos agentes aos imóveis.