[[legacy_image_215832]] Sete anos após a morte do filho, Luann Oshiro, durante tentativa de assalto em um ponto de ônibus na Avenida Francisco Glicério, em Santos, o pai do jovem, Paulo Oshiro, pôde, enfim, reencontrar quem lutou para que o garoto tentasse sobreviver: os integrantes da equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) que aturam naquele 19 de outubro de 2015. A emoção e gratidão foram além da rima: compuseram um cenário de memórias e um olhar que alimenta a alma do jovem, que perdeu a vida com apenas 19 anos. Paulo Oshiro ganhou nesta quarta-feira (19) o abraço carinhoso de dois socorristas: o motorista Daniel dos Santos Alves e o enfermeiro Luiz Carlos dos Santos. “Já havia pedido para alguns conhecidos do Samu para viabilizar esse encontro. Havia marcado para uma outra situação, mas não conseguimos nos encontrar”, conta Oshiro. A NOITE QUE NÃO TERMINOU Alves lembra que a equipe do Samu atenderia a um afogamento na praia, mas teve a rota alterada para atender um ferimento com arma de fogo. “Quando a gente estava saindo com a ambulância, mudaram a gente de destino. Levamos de 30 a 40 segundos para chegar, pois é muito próximo à base, e vimos o rapaz desacordado, mas ainda com vida. Colocamos dentro da ambulância, e, logo em seguida, o removemos para a Santa Casa”, descreve. Santos também reativa as lembranças daquela noite. “Era um jovem, num momento de felicidade, de lazer. Foi triste demais. Fizemos manobras, acesso venoso, tentamos de todas as formas reanimá-lo”. Paulo Oshiro, que havia tentado se comunicar com o filho, sem sucesso, recebeu então o telefonema que solicitava sua presença no hospital. Era a senha de que algo ruim havia acontecido. “Quando me telefonaram avisando que eu precisava comparecer ao PS Central, já sabia que algo tinha acontecido. Tentei “me enganar” naquele percurso todo, e precisava acalmar minha mãe. Mas, no fundo a gente já sabia”, narra. Daquele momento, ele descreve outra preocupação: com as duas garotas que estavam com seu filho no momento da ação dos marginais. Foi quando viu uma cena que selaria para sempre a gratidão pelos profissionais do Samu. “Olhei a viatura parada, e as pessoas que ocupavam aquele carro sentadas no chão, encostados no pneu e de cabeça baixa, sem forças. Uma das pessoas me disse 'A gente tentou de tudo'. Não tive dúvidas disso”, resumiu. LUANN VIVE A lembrança do jovem resiste em diversas iniciativas promovidas por Paulo Oshiro. Uma delas reside no projeto Luann Vivve, onde uma série de palestras reforça o combate à receptação de objetos roubados, um estímulo à ação criminosa. Ele também realiza ações assistenciais, como na aldeia indígena da Praia de Paranapuã, em São Vicente. São formas de manter o filho vivo, ainda que não possa mais abraçá-lo. “Quero dar continuidade às ações inspiradas pelo Luann. Vai fazer com que ele tenha uma melhor caminhada. Não vai trazê-lo de volta, mas essa é a missão de um pai: cuidar de um filho, independente da dimensão que esteja”