Casal constrói motocasa para concretizar o sonho de viajar pelas américas

Fernanda Benites Biasin e Noelma Coelho Teles Biasin estão transformando uma van em residência para morar na estrada por até dois anos

Imagine um sonho com cinco metros quadrados. Fernanda Benites Biasin, 33 anos, e Noelma Coelho Teles Biasin, 35, não só imaginaram, como o estão construindo com as próprias mãos. Agora imagine que este sonho será a sua casa por, pelo menos, um ano e meio. Assim, nasce o veículo que as levará em uma aventura pelas américas.

Clique aqui e assine A Tribuna por apenas R$ 1,90. Ganhe, na hora, acesso completo ao nosso Portal, dois meses de Globoplay grátis e, também, dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!

Chamado motorcasa, o veículo é uma van Mercedes-Benz Sprinter adaptada para ser uma residência. Nela, as duas levarão o projeto O Mundo e Elas do Ushuaia, na Patagônia, extremo sul do continente, ao Alasca, no norte. A viagem durará no máximo dois anos. E começará quando elas terminarem de montar a casa.

“Muitos itens e peças não existem no Brasil, precisamos trazer de fora, demora muito. Até lâmpadas de 12 volts, por exemplo, não encontramos aqui”, diz Noelma.

Quando planejaram a aventura na Europa, já pensavam na motocasa (Fotos: Arquivo pessoal)

A van terá tudo o que uma casa precisa para ser chamada como tal: sofá, cama, cozinha com pia e fogão, banheiro com chuveiro e toalete, e uma máquina de lavar, que também é secadora de roupas. 

A estrutura para viabilizar a casa impressiona: são três caixas d’água, baterias de 12 volts – daí a necessidade das lâmpadas – alimentadas por três painéis solares, que fornecem oito dias de autonomia energética. “Cada peça é um pedacinho do sonho. Um parafuso que a gente consegue é uma grande história”, sorri Fernanda.

Na saúde e na doença

Juntas há 11 anos, elas sempre acalentaram a ideia de viajar. Mas foi uma suspeita de linfoma em Noelma que as empurrou para o sonho. Fernanda, fisioterapeuta, e Noelma, personal trainer, trabalhavam até mais de 12 horas por dia. Pararam tudo por sete meses para investigar a suspeita. Que não se confirmou.
“Fez a gente refletir sobre tudo. Tínhamos parado de trabalhar por causa de uma doença, não poderíamos fazer o mesmo por um sonho?”, relembra Fernanda.

Do sonho ao plano: resolveram viver para viabilizar uma viagem pelos 28 países da União Europeia. Venderam carro, casa, moto e bicicleta e, após dois anos e meio, livraram-se dos empregos. Com os cachorros Toby e Luque, um poddle e um lhasa, rumaram para a Itália, onde Fernanda iria concluir o processo de dupla nacionalidade, essencial para o êxito da jornada.

Saíram da Santos, com seus 432 mil habitantes, para Colli a Volturno, a cerca de duas horas de Roma, onde moram umas mil e quinhentas almas. “Éramos atração. Paravam a gente na rua e perguntavam quem éramos, o que estávamos fazendo... e chamavam a gente pra tomar café nas casas”, relembra Fernanda, divertida.

Dois meses depois, com a dupla nacionalidade em mãos, elas compraram um veículo Mini Cooper, inglês. Talvez não fosse o mais adequado à empreitada. Acabou sendo o mais barato à mão. Com Toby e Luque no banco de trás, iniciaram a saga, de cidade em cidade, país em país. Em cada localidade, passavam um ou dois dias, pernoitando em casas previamente alugadas no site Airbnb. Gastavam em média, as duas, 35 euros por dia.

Cinco meses e sete países depois, a pandemia as alcançou no meio do caminho, quando estavam em Luxemburgo, em fevereiro. Pensaram em voltar à Itália, mas a fronteira já estava fechada. Buscaram refúgio em Portugal. No fim, abortaram a viagem, mas não o sonho. 

Motocasa

Quando planejaram a aventura na Europa, já pensavam na motocasa. “Era muito cara, na Itália”, resume Fernanda. Já no Brasil, com a ansiedade da pandemia, entregaram-se ao projeto de construir o seu lar na estrada.

A elas, a casa móvel é um símbolo. De liberdade, fé e coragem para mudar o próprio destino. “Temos um blog e Instagram da viagem, da nossa história. Gostaríamos que isso fosse uma inspiração para as pessoas. Quando eu trabalhava no hospital, com pacientes terminais, muitos diziam, ‘trabalhei tanto, não vivi, agora tô aqui’. Pensava: ‘estou fazendo o mesmo com a minha vida’”, recorda Fernanda. 

Mas tudo é equilíbrio. E ela deixa o recado: “Não vivemos como se não houvesse amanhã, nem só pensando no amanhã”. 

On-line

Para saber mais e acompanhar as aventuras de Fernanda e Noelma, as opções são o Instagram @omundoeelas e o blog mantido por elas, que pode ser acessado por meio do site www.omundoeelas.com.

Tudo sobre: