[[legacy_image_292094]] Bolo, refrigerante e enchente, ‘presentes’ da Zona Noroeste. Oficialmente instituída em 26 de agosto de 1976, a área que abrange 16 bairros de Santos completa 47 anos. Mas, a data sempre é celebrada no último domingo do mês de agosto A Tribuna foi até o corredor comercial em processo de revitalização - a Avenida Vereador Álvaro Guimarães - para ouvir moradores e comerciantes, que apesar da paixão em conviver na região, exaltam o ‘perrengue’ com as águas a serem resolvidos. A comerciante Elaine Ribeiro, de 48 anos, trabalha há quatro anos na região e afirma que ela é ‘muito aconchegante’. “Tem o horto que você passeia, você faz esporte, as crianças brincam. É um lugar cheio de árvores, muito gostoso. Também tem o comércio, que muitas pessoas vêm de longe para frequentar, a UPA e o Cras”. “Tem algumas coisas que faltam, igual quando chove, pelo menos já estão arrumando as ruas que inundam. Estão tentando colocar mais cursos, então tem algumas coisas que eu acredito que a Prefeitura está dando um jeito. Eu gosto, eu sou Zona Noroeste. Os moradores são amigos e sabem acolher as pessoas”, diz. Dentre os principais pontos positivos que ama a região, Elaine comenta que o carnaval foi o mais marcante na sua vida. A comerciante ressalta que a Passarela do Samba Dráusio da Cruz é um espaço multicultural tradicional e torce todos os dias para que o evento não seja retirado dele. “Quando a gente tem a festa do carnaval aqui, fica uma festa muito bonita. Valoriza nosso bairro, faz com que as pessoas venham para cá e conheçam as pessoas. Porque, na verdade, antigamente, quando você falava que morava na Zona Noroeste, as pessoas te discriminavam por ser comunidade e quando começou o carnaval as pessoas viram que não é nada daquilo que todo mundo fala e começaram a frequentar mais o centro, a conhecer”, relata. [[legacy_image_292095]] Elaine passou toda a adolescência na região e parte de sua família é enraizada na Zona Noroeste, área que conta com 12 milhões de metros quadrados. História semelhante a da manicure Fabiana Nascimento, de 42 anos, que passou sua vida inteira na região e alega que pretende continuar nela até a morte. “Agora eu estou vendo uma melhoria que eles estão fazendo, porque o ponto negativo é a enchente. Quando a gente quer até vir no mercado, não consegue. Para vir, no caminho, tem que passar dentro d 'água e tudo. Às vezes tem uns roubos, porque a falta de segurança também está um pouco forte”, comenta Fabiana. A manicure reforça que gostaria de andar mais tranquila com aparelhos eletrônicos na rua, pois, normalmente, esconde os pertences. Fabiana também ressalta que, dentro da questão das enchentes, percebeu uma melhoria. “Gosto bastante de morar aqui. Nasci na Zona Noroeste, é um lugar que os moradores sabem receber bem, muita mudança já foi muita e é legal morar. Vou ficar aqui até o fim da vida”, comenta. Morador da região há cerca de 30 anos, Adalton de Oliveira, de 39 anos, diz que gosta do comércio e da movimentação da Zona Noroeste. O homem cita que veio morar ainda criança na região e cresceu nela. Também reforça que o único problema que lhe causa transtornos são as enchentes. “Quando chove enche demais aqui”. [[legacy_image_292096]] A doméstica Nereida Fernandes Brás da Silva, de 68 anos, comenta que se arrependeu de ter ido embora da Zona Noroeste. Há cerca de um mês deixou a região e foi para a Praia Grande, mas pretende retornar o quanto antes. De acordo com a idosa, foram mais de 60 anos morando no Rádio Clube. “Sempre gostei daqui. Eu vim para cá com 8 anos. Sempre gostei daqui. O pessoal ajuda o outro. Ninguém mexe com ninguém. A comunidade é muito unida. Tem ruas que enchem aqui, mais do lado do canal, do lado de lá, mas não acho que é muito. Até o final do ano, eu estarei aqui de volta”, afirma. RegiãoAtualmente, a Zona Noroeste abriga cerca de 120 mil moradores, cerca de 30% da população santista, e é formada por 16 bairros: Alemoa, Areia Branca, Bom Retiro, Caneleira, Castelo, Chico de Paula, Ilhéu Alto, Piratininga, Porto Alemoa, Porto Saboó, Rádio Clube, Saboó, Santa Maria, São Jorge, São Manoel e Vila Haddad. A região é um lugar de ocupação centenária e que tem se transformado de maneira constante. Hoje, a Zona Noroeste passa por obras que buscam reduzir alagamentos e enchentes, problema crônico que depende do aumento da maré desde o começo de seu processo habitacional, que começou na década de 50 e só foi oficializado em 1976. O prefeito Rogério Santos (PSDB) explica que já inaugurou neste ano a primeira estação elevatória da Zona Noroeste. Para o Chefe do Executivo Municipal, a obra é um marco histórico. Essa estação tem capacidade de seis mil litros por segundo e atende a dois bairros do Município: o Castelo e a Areia Branca. “Nós temos um projeto de um conjunto de estações, ao total de 11. Uma segunda estação terá início no começo do ano que vem e será executada em parceria com o Governo Estadual, através da Ecovias, justamente com um piscinão na esquina com a Avenida Nossa Senhora de Fátima, que é justamente o ponto mais baixo de Santos”, informa. Rogério cita as obras de mais de 8 quilômetros de galerias e dutos que foram realizadas no governo anterior ao seu. O gestor diz que tudo isso representa um avanço em relação a novas estações. “É um trabalho incansável para reverter essa situação dramática”. MelhoriasO prefeito também diz que há um investimento em infraestrutura na região, pois, segundo ele, é a região que mais cresce de Santos. Rogério comenta que há pavimentação de quatro quilômetros sendo realizada na área das palafitas, dentro do caminhos, e a nova policlínica do Dique da Vila Gilda está sendo construída. A nova unidade de saúde será construída com o Centro da Juventude e irá abrigar mais de três equipes de saúde da família. Também ressalta que há um projeto de uma unidade de saúde prestes a ser anunciado que vai atender os bairros Caneleira, São Jorge e Santa Maria. De acordo com o gestor, o planejamento está em fase de finalização e, em breve, será publicado. Novas escolas também foram anunciadas por Rogério Santos na região do bairro São Manoel, serão duas unidades de ensino, formando o maior complexo educacional de Santos. HabitaçãoO prefeito comenta com otimismo sobre o crescimento da região comentando sobre a mudança dos moradores da região das palafitas para o Conjunto Habitacional Tancredo Neves e, em paralelo, reforça que ainda está em andamento um projeto em parceria com o Governo Estadual que é inédito no País: o Parque Palafitas. “Conversei essa semana com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e vai ser inovador em termos de Brasil. Nesse projeto habitacional temos a iniciativa privada também participando, contribuindo com os projetos executivos e também contribuirão para que a gente crie esse modelo sustentável que vai ser exemplo. É um projeto do já falecido Jaime Lerner, uma das grandes referências em urbanismo no Brasil”, explica. Mudança de programaçãoHá uma programação prevista para as comemorações do 47º aniversário da Zona Noroeste, porém o mau tempo causou uma alteração nas datas. O tradicional Desfile Cívico-Militar, que seria realizado neste sábado (26), na Passarela do Samba Dráusio da Cruz, foi cancelado. Além disso, também foi suspenso o pedal comemorativo e a Feira de Empreendedores. Em contrapartida, a missa de acolhida da imagem de Nossa Senhora do Monte Serrat continua na programação e acontecerá a partir das 19 horas, na Igreja Sagrada Família, que fica na Praça Dr. Bruno Barbosa, 150. Em seguida, haverá o show de Thiago Tomé, missionário da Canção Nova. Já no domingo (27), acontece a mudança da imagem, em carreata, saindo da Paróquia Santa Margarida Maria às 14 horas e chegando à Catedral do Centro por volta de 17h30. Na sequência, às 18 horas, terá a acolhida da Imagem e celebração da missa. A santa fica no local até o dia 8 de setembro. Os eventos contam com mudanças no trânsito. No sábado (26) haverá interdição, entre 15 e 17 horas, na Praça Corrêa de Melo para a descida e a carreta que acompanha a imagem. Os motoristas deverão utilizar a Avenida São Francisco como rota alternativa. Bloqueios momentâneos serão feitos pela CET-Santos para a passagem do comboio.